22/01/2021 às 15h54min - Atualizada em 22/01/2021 às 15h54min

Uberlândia é a terceira cidade de MG com maior índice de crimes cibernéticos

Ocorrências tiveram crescimento de 65,5% em 2020; especialista dá dicas sobre como se proteger

IGOR MARTINS
Daniele Oliveira perdeu mais de 60 mil seguidores após ter a conta hackeada no Instagram | Foto: Reprodução Instagram

Uberlândia ocupa o terceiro lugar do ranking entre os municípios mineiros que mais registraram crimes cibernéticos nos últimos dois anos. De acordo com um levantamento da Polícia Civil de Minas Gerais, entre janeiro de 2019 e dezembro de 2020, houve um aumento de 65,5% no índice de ocorrências. Somente em 2020, foram contabilizados 2.152 registros na cidade, que fica atrás apenas da capital Belo Horizonte e Juiz de Fora.  
 
Os números mostram que o meio digital, além de benefícios, também tem oferecido riscos aos usuários, como as tentativas de hackeamento de contas. A empresária Fernanda Paranhos, que desde março do ano passado mantém uma loja online no Instagram, infelizmente faz parte desta estatística. Em entrevista ao Diário, a dona do perfil “A doida do Brechó”, contou que, na última semana, sofreu uma tentativa de golpe pela rede social.
 
Fernanda relatou que recebeu uma mensagem no “direct” da rede social de um perfil com a foto oficial da plataforma. No corpo do texto, havia uma afirmação de que sua conta havia infringido uma lei de direitos autorais.
 
“Eu cliquei para ver o que eu tinha feito de errado. Sempre tento seguir tudo certinho. Quando cliquei no link, tinha um novo login. Era perfeito, tinha a logo do próprio Instagram, com as cores originais. Quando eu preenchi alguns dados, perguntei ao perfil qual regra eu havia infringido, mas não me responderam mais. Eu fui tentar trocar a senha, mas os bandidos já haviam mudado ela”, explicou.
 
A empreendedora conta que, no momento do desespero, foi orientada por uma amiga a aderir ao recurso de autenticação de dois fatores. O sistema oferece uma identificação aos usuários através da combinação de dois componentes diferentes. Além disso, ela contratou uma empresa especializada em segurança na web e precisou desembolsar aproximadamente R$ 1 mil para tentar recuperar a conta.
 
“Minha página sumiu três horas depois do hackeamento. Não teve alteração de conteúdo e não perdi seguidores. Felizmente, a empresa conseguiu agir cedo e consegui recuperar a minha conta. Tive um prejuízo emocional muito grande e fiz esse investimento em segurança para evitar outros transtornos. Foi um momento de muito desespero”, disse Fernanda.
 

REINVENÇÃO

Quem também teve prejuízos com este tipo de ocorrência foi a influenciadora digital Daniele Oliveira, dona do “Cozinha Travessa”, uma página destinada à gastronomia nas redes sociais. Ela foi hackeada em junho de 2020 e perdeu a conta no Instagram. Na época, a cozinheira tinha quase 70 mil seguidores na plataforma.
 
O caso foi similar ao de Fernanda. Daniele estava esperando uma resposta oficial do Instagram para adquirir o selo de verificação em sua página oficial. Ela recebeu uma mensagem de um perfil que se passava pela plataforma. “Recebi a mensagem e ela era perfeita. Eu cliquei em um link e depois disso, a minha conta sumiu. Eu fiquei muito desesperada e chorei muito”, relatou.
 
A influenciadora também recorreu a uma empresa de segurança na internet para tentar recuperar a conta. “Na hora que eu liguei para a empresa, eles já começaram a fazer tudo que estava ao alcance deles. Dei muita sorte, pois a página era vinculada ao Facebook, e isso facilitou bastante. Conseguimos rapidamente mudar a senha do e-mail e eles conversaram até mesmo com o suporte internacional do Instagram”, disse Daniele, em entrevista ao Diário.
 
Mesmo com todo o processo, que durou cerca de um mês, Daniele Oliveira não conseguiu recuperar a conta. De acordo com ela, o ocorrido foi um aprendizado e um episódio importante para se reinventar no mercado. “Não adianta a gente ficar chorando, mas a minha maior preocupação era para eu conseguir recuperar o meu nome. Isso foi um divisor de águas na minha vida”, contou a influenciadora.
 
Ainda segundo a dona do Cozinha Travessa, a partir do hackeamento ela começou a repaginar o perfil e dar uma cara totalmente diferente ao espaço destinado à gastronomia. Daniele começou até mesmo um novo projeto dentro do YouTube, considerada a maior plataforma de vídeos do mundo.
 
“Eu tive que me reinventar. Perdi muito conteúdo. Essa história foi um presente para mim, para eu me reencontrar com o Cozinha Travessa e realmente reforçar esse grande propósito na minha vida que é a cozinha, de ensinar receitas para as pessoas. Depois do hackeamento, eu me apaixonei de novo pela minha profissão”, destacou.
 
CUIDADOS
Em conversa com a reportagem, a especialista em Web Marketing e Segurança, Naize Diniz de Freitas, citou o aumento no número de contas hackeadas em 2020, o que segundo ela tem grande contribuição do modelo home office adotado pelas empresas. Ainda de acordo com a profissional, o último ano foi bastante movimentado no mercado.
 
“Houve uma procura considerável do início da pandemia até hoje. Eu cuidei diretamente de 20 contas hackeadas em 2020, e consegui reverter algumas. Se engana quem pensa que hackeiam apenas contas de negócios. Eu recebo todos os tipos, perfis comuns, perfis com muitos seguidores. As pessoas têm ficado cada vez mais online, e os hackers também. Se você vive de um empreendimento digital, é muito importante se proteger”, orientou Naize.
 
Na visão da especialista, é importante validar a autenticação em dois fatores e ficar atento com mensagens e e-mails de origem duvidosa. “Sempre desconfie. A autenticação em dois fatores te ajuda a proteger a conta, com os códigos que chegam por SMS, por aplicativos de autenticação ou até mesmo no e-mail”, explicou a especialista.
 
Confira algumas dicas separadas pela profissional para se prevenir de tentativas de hackeamento:

• Nunca passe sua senha para outra pessoa. O Facebook, que é dono do Instagram, jamais solicitará sua senha. Se alguém pedir senha por formulários, directs, e-mails ou pelo WhatsApp, desconfie;

• Proteja o que puder através dos autenticadores de dois fatores. Não só na conta do Instagram, mas no seu e-mail, WhatsApp e outras redes sociais;

• Se o seu negócio depende das redes sociais, contrate uma empresa especializada em organizar a sua segurança no meio digital, buscando estar dentro da política adotada pelos mesmos;




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