21/01/2021 às 14h17min - Atualizada em 21/01/2021 às 14h17min

Incerteza sobre volta às aulas derruba vendas de materiais escolares em Uberlândia

Recomendação do MPE para que escolas não exijam novos materiais reforça comportamento tímido dos pais nas compras neste início de ano

FERNANDO NATÁLIO
Papelarias registram queda na procura por materiais escolares neste início de ano I Foto: Divulgação
A pandemia do coronavírus e a consequente incerteza sobre a volta às aulas presenciais em Uberlândia fizeram com que as vendas de materiais escolares nas papelarias da cidade, no fim do ano passado e nesse início de 2021, caíssem até 70%.

Segundo Gilmar Simari, sócio de uma papelaria em Uberlândia, as vendas em seu estabelecimento caíram cerca de 70% em dezembro de 2020 e em janeiro de 2021, se comparadas ao mesmo período de anos anteriores. A queda, segundo o comerciante, atingiu, principalmente, materiais como mochilas, estojos e cadernos.

“São nesses meses que temos as vendas da volta às aulas. Mas, com essas incertezas sobre data e modelo da volta às aulas e a possibilidade dos pais reaproveitarem os materiais escolares comprados no ano passado, a procura de pais por esses produtos diminuiu muito. Vendíamos de 30 a 40 listas de materiais de escolas particulares por dia nessa época do ano e, dessa vez, estamos vendendo apenas 3 a 4 listas por dia”, disse o comerciante.

Ainda de acordo com o sócio da papelaria, por esse motivo, ele nem fez compras de reposição de materiais escolares para esse ano para seu estabelecimento. “Não foi necessário. Estou trabalhando com o estoque que já tínhamos”, afirmou.

Em outra papelaria de Uberlândia, segundo o gerente Sebastião Matos Bomfim Filho, a redução nas vendas de materiais escolares foi de aproximadamente 60% em dezembro de 2020 e em janeiro de 2021, se comparadas ao mesmo período de anos anteriores. “Tivemos queda, principalmente, das vendas de materiais de uso coletivo. Acredito que só teremos melhora neste cenário no segundo semestre de 2021, à medida que as aulas presenciais forem voltando gradativamente”, explicou.

Também segundo Sebastião Matos, a redução nas vendas na papelaria em que ele trabalha também afetou a contratação de empregados extras para esse período que costumava ter mais clientes. “Não precisei demitir funcionários, mas, ao invés de contratar entre 6 e 10 extras, como ocorria nos anos anteriores, dessa vez, admiti somente dois”, relata.
 
POUCAS COMPRAS
 
Sem uma certeza sobre a volta às aulas presenciais de seus três filhos, matriculados no ensino fundamental da rede pública municipal de Uberlândia, e com vários materiais comprados no ano passado sem terem sido utilizados, a empresária Vanessa Figueiredo disse que nesse ano não vai comprar a maioria dos produtos habitualmente adquiridos para o ano letivo.

“Não vamos precisar, porque a maioria dos materiais ficou aqui em casa e não foi usada em 2020, devido à pandemia, que fez com que as aulas não fossem presenciais. Talvez, vamos comprar folha sulfite para impressão e lápis de cor. Somente isso”, disse a mãe dos filhos Sofia, José Miguel e Maria Flor.
 
RECOMENDAÇÃO
 
No dia 19 de janeiro, o promotor de Justiça de Defesa do Cidadão, Fernando Martins, fez uma recomendação para que as escolas particulares não exijam dos alunos a aquisição ou compra de materiais escolares já solicitados no ano de 2020, orientando-os ao aproveitamento ou reaproveitamento daqueles já adquiridos.

A recomendação menciona que pode ser “estendida a apostilas e livros que não tenham sido utilizados no desenvolvimento do conteúdo programático das disciplinas ensinadas remotamente, para tanto os novos exemplares e volumes referentes à progressão devem ser apenas substituídos, sem onerar os consumidores”.

Ainda de acordo com o promotor, as escolas particulares devem acatar essa recomendação imediatamente. Caso contrário, segundo Fernando Martins, as instituições poderão ser multadas pelo Procon em valores baseados no faturamento das mesmas.
 
VOLTA ÀS AULAS
 
A Prefeitura de Uberlândia publicou recentemente uma cartilha de recomendações às escolas particulares para a volta às aulas presenciais em Uberlândia.

Segundo o Sindicato das Escolas Particulares do Triângulo Mineiro (Sinepe), a expectativa é de que as aulas presenciais retornem no dia 8 de fevereiro nas 136 escolas que fazem parte da associação. A cartilha preparada pela Prefeitura, no entanto, menciona que essa será a data de retomada desse formato se a pandemia não voltar a crescer em Uberlândia.



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