31/12/2020 às 13h24min - Atualizada em 31/12/2020 às 13h24min

Incêndios em vegetações e lotes vagos aumentam 63% em Uberlândia

Neste ano, de janeiro a novembro, foram registrados 2.208 incêndios; especialista fala sobre impactos que grandes queimadas podem causar

BRUNA MERLIN
Parque Estadual do Pau Furado, entre Uberlândia e Araguari, também foi alvo de um grande incêndio registrado em setembro | Foto: Divulgação
O ano de 2020 foi histórico em diversos aspectos e o aumento no número de incêndios em vegetações e lotes vagos em Uberlândia faz parte desta lista. De janeiro até novembro, o Corpo de Bombeiros registrou um total de 2.208 incêndios, sendo 63% a mais do que os computados no mesmo período de 2019.
 
Conforme aponta o levantamento do Corpo de Bombeiros, o maior número de ocorrências aconteceu em vegetações, principalmente localizadas às margens de rodovias e na zona rural. Ao todo, foram 1.433 registros nos últimos onze meses do ano. 
 
Os meses de junho a setembro, em que ocorre o período de estiagem, foram os que mais apresentaram aumento na quantidade de queimadas, com ênfase em julho e agosto que tiveram um aumento significativo em relação ao ano anterior. Veja a tabela abaixo. 
 
“É um período comum para incêndios já que a vegetação está seca e as chances do fogo se espalhar são maiores”, explicou o sargento Dhiego Costa. 
 
Número de incêndios em vegetações entre junho e setembro:
 

2019

2020

Junho

165

180

Julho

158

290

Agosto

131

321

Setembro

205

274

 
Ainda de acordo com o sargento Costa, a maioria das queimadas em vegetações é causada pela negligência humana. Muitas pessoas ainda têm o costume de jogar bitucas de cigarros à beira de rodovias e nas matas. 
 
“É uma ação não proposital, mas que todos sabem que traz um risco muito grande para a vegetação. Infelizmente, esse hábito ainda é muito comum”, destacou.
 
O levantamento aponta ainda que a quantidade de incêndios em lotes vagos também cresceu significativamente de um ano para o outro. De janeiro a novembro de 2020 foram registradas 775 ocorrências, enquanto no ano passado foram 433.
 
O militar Dhiego Costa explicou ainda que a maioria dessas queimadas também é ocasionada pelos humanos uma vez que muitas pessoas gostam de atear fogo para limpar os terrenos ao invés de realizar a capinagem que é ideal. 
 
“Essas ocorrências ocorrem principalmente durante o período chuvoso, quando o mato fica mais alto e os proprietários, ou até mesmo os vizinhos, ateiam fogo para queimar e limpar o local”, complementou o sargento. 
 
IMPACTOS 
As queimadas que são registradas todos os anos têm potencial para impactar de forma negativa o meio ambiente, mas parece que esse fator não é suficiente para fazer a população se importar. Entretanto, os incêndios são prejudiciais em diversas formas, principalmente para a saúde pública. 
 
Segundo o presidente da ONG Angá, Gustavo Malacco, as grandes fumaças geradas pelos incêndios podem ocasionar síndromes respiratórias nos moradores de uma determinada região, principalmente durante o período da seca. 
 
“Estamos no período de pandemia de uma doença que ataca o sistema respiratório e que está lotando os hospitais, sendo assim, as pessoas deveriam ter a consciência de que as queimadas podem prejudicar esse fator ainda mais e trazer mais problemas ao sistema público de saúde”, destacou. 
 
As fumaças e fuligens também afetam os animais, especialmente os agentes polinizadores que ajudam na reprodução de espécies vegetativas. Conforme dito por Gustavo, muitos desses animais morrem por causa da alta emissão de gás tóxico. 
 
Além da saúde, os incêndios têm grande impacto na economia nacional. Muitas ocorrências acontecem na zona rural e o fogo invade propriedades, a vegetação e a produção. “Isso gera um prejuízo para aqueles que vivem da colheita e, consequentemente, impacta toda a economia do país”, continuou Malacco. 
 
ONDA DE CALOR
As mudanças climáticas também são causadas pelas queimadas que muitas vezes são difíceis de serem controladas. Elas aumentam a produção e o acúmulo de gás tóxico no efeito estufa, o que pode ocasionar a diminuição das chuvas e o excesso de calor. 
 
Em setembro deste ano, Uberlândia recebeu um alerta de risco de morte devido às altas temperaturas e a baixa umidade do ar que estavam sendo registradas na cidade. Na época, os termômetros chegaram a quase 43ºC e a umidade do ar ficou em 15%. 
 
“São consequências muito graves porque é um ciclo que está sendo prejudicado. Se não houver chuvas suficientes para apagar as queimadas, mas elas irão se alastrar”, disse. 
 
As vegetações e o solo também são potenciais vítimas dos incêndios e estão acumulando prejuízos que poderão ser irreversíveis a longo prazo. Gustavo Malacco falou sobre o caso do Parque Estadual do Pau Furado que é alvo de queimadas todos os anos e como ele poderá deixar de se regenerar, caso os incêndios continuem constantes.
 
“A vegetação do cerrado tem espécies que são adaptadas para o fogo, mas se ela for exposta todos os anos a uma queimada expressiva, o solo será impactado, perdendo sua capacidade de restauração natural”, frisou o presidente da instituição ambiental.
 
RETROSPECTIVA
O Diário de Uberlândia noticiou alguns dos significativos incêndios que foram registrados na cidade neste ano. Confira a retrospectiva desses casos abaixo.

Um dos principais incêndios aconteceu em julho e o fogo atingiu cerca de 500 hectares de uma lavoura de cana-de-açúcar, localizada na BR-050. Além do canavial, as chamas também queimaram parte de uma plantação de milho e uma área de mata nativa. Foram utilizados seis caminhões-pipa e um tanque com 30 mil litros de água para o combate do incêndio.
 
O Parque Estadual do Pau Furado, entre Uberlândia e Araguari, também foi alvo de um grande incêndio registrado em setembro. O fogo durou cerca de 72 horas até que foi controlado com auxílio dos brigadistas do local e do Corpo de Bombeiros. De acordo com a coordenação do parque, pelo menos 75 hectares de vegetação foram queimados.

Outro incêndio também atingiu uma vegetação às margens da BR-365, entre Uberlândia e Monte Alegre de Minas, no início do mês de outubro. No local, cerca de 60 hectares de mata foram queimados. As chamas provocaram uma alta fumaça que atrapalhava a visão dos motoristas e a pista teve que ser interditada até o controle do fogo. 
 
Na área urbana da cidade também foram registradas ocorrências de grandes incêndios. Em agosto, uma vegetação rasteira de milho, árvores e arbustos, localizada nas dependências da faculdade Unitri, foi atingida pelo fogo. Cerca de 50 hectares da plantação foram queimados. A alta fumaça provocada pelas chamas foi vista em diversos pontos do município. 

Uma plantação de eucaliptos, próximo ao Clube Caça e Pesca, foi atingida por um incêndio em agosto. O trabalho de controle das chamas durou cerca de seis horas e, além do Corpo de Bombeiros, os funcionários do clube também auxiliaram. 


 

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