20/09/2020 às 08h00min - Atualizada em 20/09/2020 às 08h00min

Doenças epidêmicas: veja como está a situação em Uberlândia e no estado

Apesar de período estável, autoridades alertam para manutenção de cuidados por parte da população

DHIEGO BORGES
Com as atenções voltadas para o novo coronavírus, pouco se fala a respeito das chamadas doenças epidêmicas. Neste momento, a situação em Uberlândia e no estado de Minas Gerais é controlada, com poucas notificações. No entanto, a proximidade com o período chuvoso pode aumentar o risco de novas epidemias, principalmente de doenças relacionadas ao Aedes aegypti como dengue, febre amarela, zika vírus e febre chikungunya. 

Nesta semana, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) divulgou um boletim epidemiológico com as notificações no território mineiro. Em relação à dengue, por exemplo, até o momento, Minas Gerais tem 54.786 casos confirmados, com apenas 11 mortes pela doença. Outros 48 casos ainda estão em investigação. 

Em Uberlândia, de acordo com o último boletim da SES, foram 86 casos nas últimas quatro semanas, com um índice de infestação classificado como baixo. Segundo dados repassados pela Prefeitura de Uberlândia, de janeiro a agosto deste ano a cidade soma 1.640 casos confirmados de dengue, com 3.873 notificações pela doença. Até o momento, não há registro de mortes. 

Comparado a 2019, ano em que a cidade teve um surto da doença com mais de 35 mil notificações até a primeira quinzena de setembro, a situação, de acordo com o coordenador do Programa de Controle da Dengue do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), José Humberto Arruda, é considerada sob controle. No entanto, o responsável alerta que os cuidados devem ser mantidos pela população. 

“Em 2019 tivemos uma epidemia na cidade em razão da chegada do vírus2, com todo mundo suscetível. Neste ano, tivemos uma seca bem definida e o mosquito depende de água para sobreviver e isso reduz a infestação de forma natural. Era de se esperar até porque 2019 foi um ano de alta transmissão, mas mesmo com a queda considerável continuamos alertando a população em relação aos cuidados. Até porque qualquer chuva que houver nos próximos meses pode contribuir para uma nova proliferação”, destacou Arruda. 

Ainda de acordo com o coordenador, neste ano o município passou a trabalhar com as chamadas armadilhas, substituindo o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa). O levantamento seria realizado somente uma vez, agora em outubro, mas, segundo o coordenador da Zoonoses, foi suspenso pelo Ministério da Saúde em detrimento da pandemia. 

Segundo Arruda, mesmo durante a pandemia as equipes da Prefeitura seguem realizando o trabalho preventivo, mas agora os agentes fazem a vistoria com foco nos quintais, que representam 84% dos focos do mosquito.

O coordenador destaca ainda que as denúncias de focos podem ser feitas pelo telefone 3213-1470 ou ainda pelo aplicativo “Udi Sem Dengue”. 

OUTRAS DOENÇAS
Em 2020, de acordo com a SES-MG, não foram registrados casos de doenças como febre amarela, por exemplo. O último boletim da doença foi divulgado em fevereiro de 2019. Considerando o período de monitoramento de julho de 2018 a junho de 2019, não houve registro de febre amarela silvestre no estado de Minas Gerais.

Ainda de acordo com o Estado, em relação à febre chikungunya, houve registros de 2.301 casos prováveis da doença em 2020. Destes, 1.331 foram confirmados. Até o momento, há um óbito em investigação. Em relação ao zika, neste ano já foram registrados 390 casos prováveis. Destes, 124 foram confirmados para a doença. Não há informações sobre casos das doenças em Uberlândia. 

O sarampo também é outra doença que preocupa. De acordo com o último boletim da SES, de julho, Minas tem 21 casos confirmados e 225 notificações da patologia. Em 2019 foram 130 ocorrências ao todo, com 1.951 notificações. No ano passado, Uberlândia teve um histórico de ocorrências de casos de sarampo. No último boletim, divulgado em dezembro de 2019, a cidade registrou 23 casos da doença, ficando atrás apenas de Belo Horizonte. Neste ano, até o momento, não há registros ocorrências de sarampo na cidade. 

Especialista explica diminuição de epidemias 
O isolamento social provocado pela pandemia e o período de seca são, para o infectologista Marcelo Simão, os principais fatores para a diminuição de ocorrências das doenças epidêmicas. Em entrevista ao Diário, o médico explicou que o fato de as pessoas estarem em casa e menos expostas a riscos, de uma forma em geral, contribui para uma menor ocorrência. 

“Tivemos queda natural de patologias como a dengue e outras doenças relacionadas ao Aedes, assim como diminuiu também o número de mortes relacionadas a acidentes de trânsito, por exemplo, assim como doenças do miocárdio e influenza”, explicou Marcelo Simão. 

O especialista também adiantou que o Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 fez recentemente um levantamento a pedido da Prefeitura de Uberlândia para saber o impacto da doença na cidade. Em um primeiro momento, foram analisados o número de mortes de idosos, em um comparativo de 2019 e 2020. 

Segundo os primeiros resultados da pesquisa, em 2019, 1.704 idosos acima de 70 anos morreram em Uberlândia. Já neste ano, apesar do surto de Covid-19, o número ficou próximo do último ano, com um total de 1.740 óbitos. No próximo semestre, deve ser avaliado o impacto da doença entre os jovens.   


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