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13/09/2020 às 08h30min - Atualizada em 13/09/2020 às 08h30min

Comércio e o uso de sacolas plásticas biodegradáveis em Uberlândia

Há 12 anos, lei municipal foi sancionada com o objetivo de resolver as questões ambientais relacionadas ao uso e descarte do material

SÍLVIO AZEVEDO
Permacultor Bernardo Marquez defende o uso de sacolas feitas de amido de milho e fécula de mandioca | Foto: Arquivo Pessoal

Em julho de 2008 foi sancionada a Lei 9885, de autoria do vereador Delfino Rodrigues (PT), que trata da substituição de sacos e sacolas plásticas por modelos mais ecológicos. Na época, a proposta buscava resolver as questões ambientais relacionadas ao uso e descarte do material, que leva em torno de 200 anos para se decompor. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, no Brasil são distribuídas 1,5 milhão de sacolas por hora.

Entre os modelos que devem ser utilizados estão os sacos e sacolas ecológicos de material oxibiodegradável, biodegradável, hidrossolúvel - que tem uma durabilidade de aproximadamente 18 meses, já que possui um aditivo que acelera sua decomposição - e a do tipo retornável.

Em um trabalho de campo, o Diário constatou que as grandes redes supermercadistas que atuam em Uberlândia já distribuem as sacolas biodegradáveis. Os mercados menores também têm seguido a legislação.

No supermercado Real, a utilização já vem acontecendo desde a mudança e. Segundo o responsável pelas compras, Misael Gomes, não teve muita mudança nos valores entre as sacolas anteriores e as permitidas por lei. “O preço quase que não alterou muito. A única diferença é a qualidade, já que elas são menos resistentes que a comum”.

O Diário também entrou em contato com empresas da cidade que vendem sacolas plásticas e em quase todas o produto está disponível. Segundo o sócio-gerente da Plasticentro, Régis Jorge Daud, a procura é grande já que as pessoas têm adquirido uma consciência ambiental. “Essa questão da conscientização mudou muito. As pessoas têm pensado mais na sustentabilidade e com o meio ambiente. Tem cliente que faz a compra aqui e nem quer embalagem, que coloque em sacola para se ter uma ideia. Leva mercadoria na mão ou em uma caixa”.

Ainda segundo Régis, há clientes que acabam levando as sacolas tradicionais devido ao preço. E muitas vezes a diferença é mínima perto do impacto ambiental que elas causam. Enquanto um milheiro da biodegradável custa R$ 46, a comum sai a R$ 44,9.

“A tendência é a sacola comum ir sumindo do mercado. A partir do momento que tem essas leis e a consciência das pessoas, esses produtos vão desaparecendo”.

O Diário questionou a Prefeitura de Uberlândia sobre fiscalização e quantidade de autuações de comércios que descumprem a regra, mas até o fechamento não tivemos retorno.
 
NOVAS TECNOLOGIAS
Segundo o permacultor e educador Bernardo Marquez, para o meio ambiente as sacolas biodegradáveis já não são tão eficientes mais, devido ao grau de porcentagem de plástico presente. “A oxibiodegradável ainda tem uma porcentagem de plástico alta, solta microplásticos. Não é a solução. Acaba gerando uma deseducação do consumidor só porque tem o biodegradável no nome. A única diferença é que elas recebem um aditivo que acelera a decomposição, mas o impacto continua”.

Para Bernardo, para resolver o problema a solução seria a utilização de sacolas feitas de amido de milho e fécula de mandioca, que já são encontradas no mercado brasileiro. “São sacolas compostáveis, que fazem com que o ciclo orgânico realmente aconteça, como uma economia circular”.

O permacultor acredita que a legislação precisa ser atualizada e os governos oferecerem incentivos para que outros tipos de sacolas, mais ecologicamente corretas, sejam produzidas em escala maior.

“Se a lei for para produzir sacolas biodegradáveis de fato, feitas de materiais renováveis, tendo um incentivo fiscal e uma lei que a favoreça, acaba diminuindo o custo, empatando com a indústria do plástico”.


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