31/08/2020 às 12h45min - Atualizada em 31/08/2020 às 12h45min

Uberlândia na visão de nossas personalidades

Confira os relatos de Charles Chaim, Fábio Pannunzio, Kamilla Pucci e Maurício Ricardo

JADIR JR | PARA O DIÁRIO
O Diário conversou com algumas personalidades que nasceram em Uberlândia e contaram um pouco sobre de suas histórias com o munícipio, as lembranças e os principais anseios. Confira os depoimentos:

CHARLES CHAIM
Artista plástico


Depois de quase 10 anos fora, acho que Uberlândia se transformou. Hoje, quando chego na cidade, demoro um pouco para entender a nova Uberlândia. Vejo uma cidade moderna, bem diferente da que deixei.  Novos artistas, novos bares, novos restaurantes e muito mais carros nas ruas. A cidade cresceu muito, impressiona o número de construções novas, o bairro que eu morava se desenvolveu muito. Acho muito bacana.

Desde o tempo como jornalista na cidade, eu compreendo a importância de Uberlândia para o país. Geograficamente bem localizada, a cidade está no centro e relativamente perto das mais importantes capitais. Sempre foi uma cidade progressista, linda. Sem contar que é um polo cultural exportador de grandes talentos. 

Sempre que penso em Uberlândia, lembro de que ela tem ícones arquitetônicos, como o Uberlândia Clube com toda sua beleza e importância histórica, a igreja do Espírito Santo do Cerrado da grande arquiteta Lina Bo Bardi, o belo e minimalista Teatro Municipal assinado por Niemeyer. Lembro também da imponência do Praia Clube que é uma referência como lazer. Meu ponto turístico preferido é o Parque do Sabiá, que além de proporcionar tudo que proporciona ainda tem o belo cerrado mineiro para contemplação. 

Morar em São Paulo foi uma escolha profissional, adoro Uberlândia e os amigos que tenho na cidade. Por conta da quarentena estou há meses sem visitar amigos e parentes, mas graças às mídias sociais continuo mantendo o contato, e a mensagem que deixo para eles é que estou com muita saudade e peço a todos que se cuidem para que em breve estejamos todos juntos. 

FÁBIO PANNUNZIO
Jornalista


A cidade cresceu dramaticamente, para o bem e para o mal. Surgiram bairros inteiros para além do Rio Uberabinha, da Tubalina, do antigo matadouro, do Cajubá, da Cidade Industrial e da UFU. Quando eu saí, a cidade tinha três jornais e 70 mil habitantes. Todos eles desapareceram e, felizmente, vocês ressuscitaram o jornalismo impresso. Eu tenho dificuldade para andar aí. Quando eu me mudei, ainda havia aquele duelo entre o Virgílio Galassi e o Renato de Freitas que, a cada alternância na prefeitura invertiam as mãos de direção. Por isto, até hoje, eu não consigo me orientar direito na cidade.

Uberlândia se tornou uma cidade gigante, mas também se tornou uma cidade muito violenta, com índices de homicídio que suplantam 3 vezes o de São Paulo e outras metrópoles. A cidade em que eu vivi me permitia namorar nas encostas das rodovias sem temer nada. E ver a lua nascer num acostamento tranquilo, ou no meio do pasto. É uma pena que isso não exista mais. Mas também criou uma vocação cosmopolita.

Tornou-se um importante centro universitário, ganhou um teatro, que não tinha no meu tempo. Pena que os eleitores, como de resto em todo o País, não tenham aprendido também a usar o voto. Dá muita vergonha quando a gente ouve que prenderam quase toda a Câmara Municipal, por exemplo. Mas isso não é uma exclusividade da minha cidade querida, é uma chaga que molesta toda a Nação brasileira.

Uberlândia é muito importante para nosso país. Acho injusto que somente as desditas da política, do clima e da crônica policial levem o nome da nossa cidade ao noticiário nacional. Tem muita coisa boa em Uberlândia. Na TV Democracia, que eu toco agora, os uberlandenses fazem muito sucesso. A Lavínia, minha irmã, um luxo tê-la como parceira representando o segmento artístico no meu canal. A Ana Cláudia Simão, um dos maiores nomes do País em psicologia e sexologia. A Letícia Vilella e seu tarot divertidíssimo, que todo mundo ama, inclusive os ateus e os mais céticos, como eu. A cidade tem o Maurício Ricardo, precursor das charges animadas, da nova linguagem da internet.

E tem os sambistas, os sertanejos universitários. Tem a minha mãe, outro 'benchmark' do campo da produção intelectual. Tem os armazéns atacadistas, dos quais depende todo o abastecimento do interior do País. Tem a Algar. Eu mesmo tenho uma fibra da Algar na minha produtora aqui em São Paulo. É a que funciona melhor, com maior confiabilidade. O que não falta à cidade são talentos. E esses talentos, somados à posição estratégica e à vocação cultural, transformaram Uberlândia numa metrópole em todos os sentidos.

Na minha época de adolescente, a gente achava que Uberlândia era a melhor cidade do mundo. Nossa perspectiva ia ao Uberabinha ao Rio Araguari. Nós tínhamos uma visão idílica de um mundo que era pequeno demais, pois cabia dentro dos limites do município. Mas, na verdade, hoje a gente percebe que não havia tanta coisa assim. Os jovens se encontravam à tarde num supermercado, o Alô Brasil, e à noite iam às centenas para o Big Bob, se a memória não me falha, que ficava no fim do mundo, a praça Sérgio Pacheco.

Os motéis foram uma novidade tardia para a minha geração, pois os namoros eram castos. Tios e sobrinhos se encontravam na zona aos domingos, e isso parecia ser a coisa mais natural do mundo. Não havia teatro. Só eventualmente, mas muito eventualmente mesmo, passava por aqui alguma companhia teatral ou grupo de músicos que realmente valesse a pena. A diversão era lotar um carro de amigos e subir a Afonso Pena, descer a Floriano. Também não havia a diversidade gastronômica de hoje. Se bem me lembro, havia apenas dois bons restaurantes -- a Cabana e o Bar da Mineira. A gente também comia pizza com arroz e ninguém torcia o nariz.

Fico muito lisonjeado quando sei que algumas pessoas em Uberlândia acompanham o meu trabalho. Muitas vezes, o ambiente de radicalização ideológica cria ruídos. Uberlândia se tornou -- acho que sempre foi -- uma cidade conservadora. E muita gente faz críticas pesadas ao estilo de jornalismo que eu faço agora, que estou trabalhando nas redes sociais. Os elogios eventuais são muito mais raros do que as críticas, que nem sempre são construtivas.

Mas quando eles aparecem, sempre é motivo de muita satisfação. Eu gostaria de ter tido a oportunidade de encontrar meus amigos entre os meus telespectadores. Também me ressinto de não poder ir a Uberlândia mais amiúde. Mas quero que vocês saibam que, a despeito de divergências de natureza ideológica, eu amo muito Uberlândia e prezo demais meu passado e minhas origens. Parafraseando o provérbio, a gente sai de Uberlândia, mas Uberlândia não sai da gente.

E se me permitirem recomendar um palpite aos vereadores e ao prefeito que serão eleitos este ano, gostaria de sugerir que conhecessem a lei Cidade Limpa, que exterminou a poluição visual e transformou São Paulo numa cidade muito mais humana. Quando retirarem aquelas caixas de publicidade horrorosas da frente das construções do centro velho, vai surgir uma linda cidade art-déco. Eu adoraria voltar aí e ver a nossa arquitetura redescoberta.

KAMILLA PUCCI
Empresária e estilista


Uberlândia antes não tinha tanto acesso à informação simultânea sobre as tendências de moda como tem hoje com toda essa globalização. Além disso, a possibilidade de adquirir algo no exterior era mais difícil! Hoje, o mundo está mais global e conectado, Uberlândia está com toda estrutura de um grande centro, porém com uma excelente qualidade de vida. Eu, como empresária de moda, destacaria a riqueza dos nossos bordados que são conhecidos nacionalmente. Uma mão de obra extremamente qualificada e competente de fama nacional.

Minha infância maravilhosa com amizades incríveis que mantenho até hoje. Tenho boas recordações dos domingos à tarde, quando bem criança íamos na Praça do Rosário e tomava sorvete na Bicota encontrando vários amigos. E na adolescência, vários domingos íamos na “Matinê” e ficávamos na pracinha perto da igreja do Rosário esperando os “pais” irem nos pegar sempre rodeada de amigos, uma época deliciosa da vida! Com isso, a pracinha da Igreja do Rosário é meu ponto turístico favorito da cidade, tenho uma sensação nostálgica ali.

Só posso agradecer Uberlândia, onde iniciamos a nossa empresa há 21 anos e que até hoje está na essência do nosso trabalho com sua mão de obra rica e encantadora! Uberlândia é uma cidade com grande potencial criativo e produtivo. O céu e o limite para nós uberlandenses!

MAURÍCIO RICARDO
Jornalista e cartunista


Meu pai veio pra Uberlândia quando eu era muito jovem e a cidade devia ter um quarto do tamanho de hoje. Mudou tudo! De uma pacata cidade do interior para uma metrópole, com todas as suas vantagens e seus problemas. Eu amo Uberlândia. Nunca pensei em me mudar daqui e foi interessante acompanhar esse crescimento. Acho que ainda temos o melhor dos dois mundos: bares, cinemas, restaurantes, etc., com pegada de capital, mas sem a impessoalidade e a vida caótica de uma metrópole com mais de três milhões de habitantes, por exemplo.

Tirando a pandemia, vejo a cidade numa boa fase, como lugar para se viver.

Uberlândia tem o peso compatível com seu porte e sua contribuição econômica e cultural. É maior do que algumas capitais, mas não é justo dizer que ela tem o peso de uma, por razões políticas. De qualquer forma, é inegável que tanto como mercado quanto como cidade, já não somos mais apenas uma entre tantas cidades mineiras pequenas, aquelas das piadas de "mineirinho". Mesmo porque eu acho Uberlândia bem atípica: nossa mineiridade se funde com a influência de São Paulo e de Goiás para criar características bem únicas.

Difícil escolher um grande momento da minha vida em Uberlândia, porque vivi quase todos aqui! Lá fora eu vivi grandes momentos da carreira: realmente, foram experiências únicas. Mas como comparar qualquer dessas coisas com o nascimento dos meus dois filhos, por exemplo, ou o meu casamento com a Dani, que foi um dia maravilhoso? Quanto ao ponto turístico, o meu predileto - sem margem de dúvida - é o London Pub. Eu amo aquela casa e a cidade deve se orgulhar dela. Espero que ela volte firme e forte depois da pandemia.

O que eu diria aos uberlandenses que acompanham o meu trabalho é: proteja-se. Leve a pandemia a sério. Acredite na Ciência. Não entre no Fla X Flu político que tomou conta do país. No fim somos nós cuidando de nós. Em momentos difíceis o que vale é a solidariedade, é o senso de comunidade. E isso acontece aqui, no município. Não é obra de nenhum político e nem de qualquer instância superior. Uberlândia será tão grande quanto for grande seu sentido de união, compaixão e empatia. Feliz aniversário para a gente! 

 
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