31/08/2020 às 08h35min - Atualizada em 31/08/2020 às 08h35min

Quem é tua mãe?

CELSO MACHADO
Avenida João Pinheiro, na década de 50, a beleza da nossa arquitetura urbana demonstra o amor de sua gente por ela | Foto: Divulgação
Nas vezes que tenho oportunidade de falar sobre a história de Uberlândia para jovens estudantes, invariavelmente surge a pergunta: para que serve conhecer o passado de uma cidade?

Entendo perfeitamente a colocação, ainda mais neste mundo onde quase tudo é descartável, pouco é guardado, valorizado.

Nessas ocasiões, procuro ser o mais didático possível e pergunto a um participante, dentre os que estão mais distraídos, se ele tem mãe. Não preciso dizer a resposta. Dou sequência a conversa e indago se ele sabe quem é ela, o que faz, quem são seus pais, onde nasceu etc.  

Em seguida, costumo indagar se o jeito e a personalidade dela influenciaram na educação e até mesmo na definição do caminho que esse aluno está seguindo.

Feito isto, passo a falar sobre razões para conhecer mais e melhor uma outra mãe: a cidade onde nascemos ou escolhemos para viver!

É uma analogia, lógico, mas vejo muito sentido nela. Conhecer a história de Uberlândia, mais do que relembrar fatos e personagens é entender as razões que fizeram e a fazem ser o que é. Sinalizam o futuro que pode ter se mantiver seu jeito de ser. É também uma forma de reconhecimento e respeito por aqueles que deram extraordinária contribuição para seu desenvolvimento.

O notável Mário Sérgio Cortella, aliás como o faz em todas suas colocações, retrata isso de forma brilhante: “Uma cidade que não traz na sua memória aquilo que já foi, acaba desmerecendo todo esforço de quem antes produziu o que hoje ela tem. É impossível, por exemplo, construir Uberlândia do futuro sem olhar para trás”.

Se atentarmos para as razões do nosso crescimento em ritmo muito superior ao de municípios vizinhos vamos atentar para o fato de que creditar isso a sua localização geográfica é desmerecer a luta de tantos.

Uberlândia chegou onde está por outras questões. Posso citar algumas: acolher muito bem quem vem para cá, seja por qual motivo for, de tal forma que a pessoa se sente como na sua cidade natal. Os dois prefeitos com mais mandatos, Virgílio e Odelmo são exemplos disso. O primeiro é paulista, o segundo uberabense;

Ir para fora, não ficar focada exclusivamente em si. O comércio atacadista-distribuidor é uma prova de como a cidade expandiu seus mercados para o país inteiro;

Estimular e manter o espírito empreendedor como da primeira estrada pedagiada construída por Fernando Vilela ainda no início do século passado;

Promover a inovação em todos os setores: abastecimento de água, telecomunicações, telemedicina, startups etc

Ter a visão e competência de lutar e conquistar uma universidade pública que foi e é responsável pela formação de tantas competências. E que hoje atraiu outras tornando-se um polo de ensino de real grandeza;

Criar e oferecer boas condições de vida aos seus moradores. Nossos clubes são excelentes, o Praia Clube é referência nacional e o Parque do Sabiá modelo de lazer de acesso gratuito;

Praia Clube, referência da qualidade de vida que Uberlândia oferece aos seus moradores | Foto: Divulgação

Saber escolher seus políticos de tal forma que a gestão pública tenha sempre um papel relevante no fomento do seu progresso;

A lista é imensa. Melhor parar por aqui, apenas acrescentando que o grande fator de desenvolvimento da cidade é seu povo. Nascidos aqui ou não. E de certa forma, essa característica de ser vaidosa, exigindo cuidados no seu trato e na disputa saudável em todos os setores, que faz com que seus líderes busquem sempre fazer mais do que seus pares.

Para concluir gosto de falar que não é o passado de Uberlândia que me fascina, é o que não passa. Esse seu jeitinho único de ser.

Tenho procurado a cada dia conhecer um pouco mais desta minha segunda mãe. E isto só faz aumentar o carinho e respeito que sinto por ela. Procuro ser um filho agradecido que busca retribuir, nem que seja só um pouquinho, o tanto que ela generosamente oferece.

E, se você também é seu filho, natural ou adotivo, como meu irmão, ficarei muito feliz se você sentir e fizer o mesmo! 

Foto Teixeirinha – O serviço telefônico foi um dos propulsores do desenvolvimento de nossa cidade | Foto: Divulgação


 

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