12/08/2020 às 09h43min - Atualizada em 12/08/2020 às 09h43min

Coletivo cobra transparência e medidas mais rígidas contra a Covid-19

Grupo composto pela sociedade civil e entidades acredita que Uberlândia não deveria ser incluída na onda amarela do Programa Minas Consciente

BRUNA MERLIN
Comitê municipal é formado por representantes do Município, Ministério Público e outros setores | Foto: PMU/Divulgação

“Falta transparência na condução do enfrentamento da Covid-19 por parte do Município”, esse é um dos muitos pontos discutidos pelo Coletivo de Luta dos Atingidos pelo Coronavírus em Uberlândia e cobrado ao Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid. Em conversa com o Diário, o grupo social acredita que incluir a cidade na onda amarela do Programa Minas Consciente foi um equívoco, já que o número de infectados não está em constante queda.

O Coletivo foi criado assim que os primeiros casos da doença foram registrados na cidade e tem como objetivo o debate de temas acerca do assunto. Ele é composto por representantes da sociedade civil, entidades sindicais, professores, organizações não-governamentais, instituições filantrópicas, artistas, comerciantes, prestadores de serviço e outros.

Segundo um dos membros do grupo, o professor aposentado Wilson Akira Shimizu, além de discussões, a associação elabora pautas com sugestões e pedidos de melhorias para o combate do coronavírus que são enviadas à Prefeitura, ao Ministério Público e à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Para ele, muitas diretrizes estipuladas pelos representantes estaduais e municipais não condizem com a realidade enfrentada.

“São vários problemas que se acumularam e estão todos perdidos sem saber como sair dessa situação. A falta de orientações e comandos mais rígidos enfraquece as medidas de segurança e os dados mostram que o estado de Minas Gerais é um dos que têm o maior crescimento de contágio do vírus”, destacou.

O Coletivo de Luta ressaltou ainda que as decisões e normas aplicadas não têm embasamento científico para saber se são efetivas ou não. De acordo com Shimizu, os critérios da Ciência não são levados em consideração e o suporte da comunidade científica foi utilizado por poucas vezes.

“A cidade conta com uma universidade repleta de estudantes e cientistas que estão trabalhando para descobrir mais informações sobre o vírus. O auxílio, a partir do estudo e o conhecimento deles, não está sendo recrutado para atuar na linha de frente do combate”, complementou.

O professor também apontou que o Município se fechou e não dá espaço para que a sociedade civil se manifeste sobre as soluções encontradas. Além disso, ele acredita que não há transparência em relação aos recursos aplicados, a apuração de dados em relação aos casos suspeitos, bem como os confirmados e descartados, e a fiscalização de estabelecimentos.
 
ONDA AMARELA
A cidade de Uberlândia passou a seguir as orientações da onda amarela do Programa Minas Consciente nesta segunda-feira (10). A nova deliberação autoriza o funcionamento de algumas atividades não essenciais, como por exemplo bares que estavam proibidos de abrir desde o mês de março, e oferece autonomia ao prefeito para estabelecer os horários de funcionamento dos comércios.

Para o professor aposentado Wilson Akira Shimizu, a escolha foi equivocada e pode ter tido influência de forças políticas já que a cidade não apresenta dados favoráveis para a flexibilização da maioria dos serviços que promovem a aglomeração de pessoas.

“A Organização Mundial da Saúde orienta que a grande flexibilização do comércio deve ser feita somente quando há uma constante queda no número de casos registrados por dia. Além disso, ela diz que os leitos dos hospitais devem estar cada vez mais desocupados. E é nítido ver que isso não está acontecendo em Uberlândia porque todos os dias são mais de 100 casos registrados”, ressaltou.

Shimizu contou à reportagem que já existem pesquisas afirmando que o município deveria estar na onda vermelha, que é a mais rígida do projeto e permite somente o funcionamento de atividades essenciais.

Por fim, o Coletivo de Luta defendeu que a sequência de erros começou em março, quando uma medida de lockdown deveria ter sido adotada. Para os membros do grupo, os governos perderam a oportunidade de acabar com o vírus no início da proliferação.

“Era necessária uma medida rígida no início. Um lockdown de 30 dias para que a situação não se transformasse nisso que estamos vendo agora. Temos consciência de que isso iria afetar o comércio, mas seria somente uma vez. Agora, já são cinco meses que a economia está sendo afetada e isso de ficar abrindo e fechando só piora a situação dos pequenos empreendedores, finalizou.

O Diário de Uberlândia procurou o Município para esclarecer sobre as situações apontadas pelo Coletivo, mas não foi enviada nenhuma resposta.


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