11/08/2020 às 09h46min - Atualizada em 11/08/2020 às 11h09min

​Ministério Público cumpre dez mandados durante 4ª fase da Operação Hoopoe

Filho de ex-secretário municipal de Araguari foi preso em flagrante por tráfico de drogas nas Mansões Aeroporto em Uberlândia

CAROLINE ALEIXO
Operação foi deflagrada pela Promotoria de Justiça de Araguari na manhã desta terça-feira (11) | Foto: Diário de Uberlândia
O Ministério Público Estadual (MPE) de Araguari, com o apoio da Promotoria de Justiça de Uberlândia, cumpriu nesta terça-feira (11) nove mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva durante a 4ª fase da Operação Hoopoe, que investiga o desvio de recursos públicos do Município de Araguari por meio da verba de publicidade institucional.

O principal alvo da operação é o ex-secretário municipal de Gabinete, Marco Antônio Farias, que está foragido desde a deflagração da segunda fase da operação, em agosto do ano passado. De acordo com as informações do MPE, o filho dele foi preso em flagrante, nesta manhã, pelo crime de tráfico de drogas.

A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa dele, nas Mansões Aeroporto, em Uberlândia. No local foi encontrada grande quantidade de maconha. 

Ainda segundo o MP, foram sete mandados cumpridos em Araguari e outros dois em Uberlândia. Participaram da operação os promotores de Justiça André Luis Alves de Melo, da 1ª Promotoria de Justiça de Araguari, Daniel Marotta Martinez, de Uberlândia, e o delegado da Polícia Civil (PC) Rodrigo Fiorino. A ação também contou com o apoio da Polícia Militar e da PC.

INVESTIGAÇÕES
Essa etapa das investigações é resultado da apreensão do celular do ex-secretário, de onde foram extraídas mais de 50 mil páginas com informações que podem ter indícios de fraudes contra o patrimônio público.

O órgão informou que foi constatada a prática de diversos outros crimes envolvendo a verba pública e que, mesmo após o afastamento de Marco das funções, laranjas continuaram atuando no esquema inclusive efetuando pagamentos às empresas dele. 

 
“Essa fase ela focou ainda na questão da publicidade em que algumas pessoas, durante o afastamento judicial de um secretário, continuaram ordenando as despesas. Um outro alvo é uma pessoa que entregou um celular falso e foi identificado pela perícia, e foi feita uma outra medida de busca complementar na residência dessa pessoa, que será processada pelo crime de obstrução de Justiça. Todos são servidores ou ex-servidores da Prefeitura envolvidos em esquema de corrupção na área da publicidade”, esclareceu o promotor de Justiça André Luis.

Além disso, a servidora que substituiu o secretário na Chefia do Gabinete teria dado continuidade às ordens de pagamentos para os jornais que nunca existiram. A servidora, que também ocupa o cargo de procuradora do Município de Araguari, está entre os investigados. São investigados pelo Ministério Público os crimes de obstrução de Justiça, peculato e organização criminosa. 

Promotores Daniel Marotta, André Luis e o delegado da PC, Rodrigo Fiorino, concederam entrevista à imprensa na sede do MP em Araguari | Foto: Diário de Uberlândia


Em entrevista à imprensa, na sede da Promotoria de Araguari, o promotor Daniel Martinez comentou sobre as investigações que tiveram apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em um primeiro momento e, agora, da 17ª Promotoria de Justiça de Uberlândia, que atua na área criminal do patrimônio público.

“É uma situação muito grave. Uma pessoa que foi objeto de busca e apreensão, na época secretária de Administração, ela entregou ao MP e Polícia Civil, ela entregou um celular como se fosse dela, mas era de uma parente, obviamente buscando ocultar provas. Então hoje realizamos outro mandado de busca e apreensão, e dessa vez foram apreendidos o celular dela e um computador. Então nós vamos trabalhar na análise desses dados”, disse.   

Martinez ressaltou ainda que foram cumpridos mandados de busca em endereços de Uberlândia, onde Marco poderia estar escondido, mas sem sucesso. Já o filho do ex-servidor foi conduzido à Delegacia da Polícia Civil de Uberlândia com o material apreendido na casa dele. 

O Diário de Uberlândia procurou o Município de Araguari para se posicionar sobre a nova fase de investigações, mas não obteve retorno. A defesa do ex-secretário, com novo mandado de prisão expedido, não foi localizada pela reportagem. A identificação dos demais investigados não foi informada. 

Celulares, computadores e documentos foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados | Foto: Diário de Uberlândia

ENTENDA O CASO
A Operação Hoopoe, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), teve início no ano de 2018 e culminou na prisão de três pessoas e no afastamento de servidores envolvidos no desvio de verbas incluindo da Superintendência de Água e Esgoto de Araguari (SAE). A segunda fase foi desencadeada em agosto de 2019 e visava cumprir mandados contra agentes políticos acusados de integrar esquema de desvio de recursos destinados para publicidade institucional.

Em seguida, a terceira fase teve como foco a prática de servidores fantasmas e a quarta novamente se voltou para a fraude nos gastos da verba de publicidade. As investigações apontaram que Marco era um dos líderes de um esquema para desviar grande parte da verba municipal para publicidade. 

Foi apurado ainda que, a partir de 2018, a Prefeitura realizou um processo licitatório para contratar uma empresa que pudesse gerenciar os gastos com publicidade. Mas parte dos recursos era remetida para as empresas dos agentes públicos.

Segundo as informações do Ministério Público Estadual (MPE), a destinação do dinheiro era definida pelos investigados e repassada para empresas que pertenciam a eles, contudo estavam em nome de laranjas.


* ERRATA: O Diário errou ao informar que o condomínio era o Morada do Sol. A informação foi corrigida às 17h39 de quarta-feira (12).


VEJA TAMBÉM:
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »