25/07/2020 às 10h26min - Atualizada em 29/07/2020 às 11h26min

Empresários de Uberlândia cobram justificativa a pedidos negados no Pronampe

Programa visa destinar empréstimos aos microempreendedores para combater crise da pandemia; BDMG diz que 100% do recurso disponibilizado já foi utilizado

BRUNA MERLIN
Queren Priscila Rizza teve proposta de R$ 300 mil negada por duas instituições financeiras | Foto: Arquivo Pessoal

Em meio à crise econômica causada pela Covid-19, empresários de todo o País estão optando pelos programas de auxílio do Governo Federal. Além de adotarem a medida provisória que concede parte ou a totalidade do pagamento dos salários dos funcionários, os pequenos empreendedores também recorreram ao Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). O problema é que muitos comerciantes de Uberlândia tiveram o benefício negado e não receberam justificativas dos bancos credenciados.
 
O Pronampe foi lançado no dia 18 de maio desde ano. O programa consiste em fornecer empréstimos de créditos para o desenvolvimento e fortalecimento dos pequenos negócios durante a pandemia. Com isso, a União destinou R$ 15,9 bilhões do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para as instituições financeiras que aderiram ao projeto como Caixa Econômica Federal, Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e Itaú.
 
A solicitação de crédito é feita pelo próprio empresário e a proposta deverá ser de até 30% da receita bruta registrada no ano de 2019. Assim que aprovado, o benefício poderá ser utilizado para investimentos, capital de giro ou para quitação de despesas operacionais. O prazo de pagamento das operações contratadas é de 36 meses.
 
A proprietária de uma distribuidora em Uberlândia, Queren Priscila Rizza, contou ao Diário que tentou entrar no programa em dois bancos. A primeira tentativa foi feita por meio da Caixa e todos os procedimentos foram feitos no site da instituição. Dias se passaram e o resultado da proposta não foi enviado à empresária que tentou entrar em contato com o banco, mas sem sucesso.
 
Em seguida, Queren decidiu fazer uma segunda proposta e enviar ao BDMG, mas o pedido foi negado. “Todos os processos estavam certos. Os documentos estavam em dia e não temos dívidas pendentes. Eles simplesmente informaram que a proposta foi negada e não justificaram o porquê”, ressaltou.
 
A proposta da comerciante foi de R$ 300 mil. Ela tinha como objetivo utilizar esse dinheiro para melhorar as operações da distribuição de produtos, além de investir na renovação do sistema de informática, troca de veículos de entrega e outros projetos.
 
CAPITAL DE GIRO
O dono de uma loja de roupas situada no bairro São Jorge, Karlos Henrique da Silva, esperava receber R$ 50 mil para investir no capital de giro da empresa e suprir as necessidades financeiras enquanto durar a pandemia. O comerciante fez a proposta à Caixa dias depois que o Pronampe foi lançado, mas também teve o benefício negado.
 
“Por causa do decreto de isolamento social, fiquei mais de 60 dias fechado. As contas foram se acumulando e com as vendas online consegui quitá-las, mas precisava desse benefício para continuar conseguindo pagar as despesas futuras”, complementou ele.
 
O empresário informou ainda que a instituição financeira não deu justificativas sobre a não aceitação da proposta. “Não entendi o que aconteceu e conheço muitos colegas que estão na mesma”, finalizou Karlos.
 
CAIXA E BDMG
O Diário de Uberlândia procurou a Caixa Econômica Federal e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e questionou por qual razão as propostas foram negadas.
 
Por meio de nota, o BDMG informou que já direcionou 100% dos R$ 214 milhões que foram disponibilizados pelo Governo Federal ao banco. Alegou ainda que acompanha com atenção as tratativas políticas em curso para a suplementação dos recursos do programa, com o objetivo de voltar a oferecer esta linha de crédito às micro e pequenas empresas clientes.
 
A instituição disse também que, enquanto a destinação de novos recursos não ocorre, está disponibilizando outras opções de linhas de crédito para atendimento aos empreendedores, disponíveis em seu site.
 
“No 1º semestre, antes de aderir ao Pronampe, o BDMG destinou R$ 188 milhões para as micro e pequenas empresas do estado, alta de 110% em relação ao mesmo período de 2019. Durante o ano passado inteiro, foram desembolsados R$ 180 milhões para este segmento. A expectativa para 2020 é mais do que dobrar este valor”, finalizou a nota.
 
A Caixa disse que já disponibilizou, até esta terça-feira (14), R$ 4,4 bilhões por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Somando os contratos assinados e as propostas em fase final de análise, o banco atingiu o limite autorizado pelo FGO, que atualmente é de R$ 5,9 bilhões.
 
São 8.234 pré-contratos assinados, que totalizam R$ 1,2 bilhão à espera de liberação, além de demandas de clientes que estão com a documentação em análise. A média do processo de análise de crédito é de cinco dias. Com início em 16 de junho, a Caixa foi a primeira instituição financeira a operar com o Pronampe.
 
Além do Pronampe, o banco reforçou que oferece várias linhas de crédito para micro e pequenas empresas (MPE), como o Crédito Assistido Sebrae, amparado pelo Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (Fampe), em parceria com o Sebrae para microempreendedores individuais (MEI) e MPEs.
 
Ainda de acordo com a Caixa Econômica, foi contratado até hoje o montante de R$ 1,8 bilhão pelo Crédito Assistido Sebrae e, somando com o valor disponível do Pronampe, atinge R$ 7,7 bilhões.
 
“Vamos continuar focando na ajuda ao pequeno empresário de todas as regiões do país para que possam superar esse período de pandemia. Isso é essencial para a Caixa, que é o banco de todos os brasileiros”, destacou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

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