25/07/2020 às 08h00min - Atualizada em 25/07/2020 às 08h00min

Urbanistas falam como será o futuro de Uberlândia pós-pandemia

Casas maiores, busca por áreas de lazer e loteamentos modernos são algumas das apostas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos

DA REDAÇÃO

O confinamento causado pela Covid-19 trouxe novas reflexões sobre o estilo de vida da população. Provavelmente, nunca houve um número tão grande de pessoas em home office e com a necessidade de se ter uma melhor qualidade de vida. Alguns especialistas da área de Arquitetura, Urbanismo e setor imobiliário comentaram como deverá ser o futuro da cidade depois da pandemia. 

A quarentena provou para muitos profissionais que é possível ser produtivo trabalhando de casa e essa mudança está cotada para se tornar a nova realidade mesmo quando o decreto de isolamento social acabar. Diante disso, muitos moradores de Uberlândia estão buscando por imóveis maiores e que representam maior qualidade de vida profissional e pessoal. O arquiteto Luiz Márcio Carvalho conta que já recebeu pedidos de reforma e confirma essa necessidade de adaptação de quem está passando muito mais tempo dentro de casa. “As pessoas estão cansadas desses espaços fragmentados. Elas querem agora um conceito novo, com ambientes que representam a realidade atual”, explicou Carvalho.

Segundo Fernando Arantes, dono da Arantes Imobiliária, em maio e junho deste ano, houve um aumento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado, nas vendas de casas, terrenos para construir e apartamentos maiores em prédios com área de lazer. Os clientes, de acordo com ele, estão se dando conta de que a casa não é apenas mais um local só para dormir e estão em busca de mais espaço.

“Algumas empresas já estão apontando que vão manter os funcionários em home office. Então, esses funcionários já estão em busca de mais espaço para montar o escritório onde moram”, afirmou Arantes.

O professor da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Fernando Garrefa, acredita que seguindo essa tendência já vista hoje, os imóveis do futuro serão feitos com novas adaptações, como por exemplo, para conseguir uma melhor acústica e evitar barulho de um cômodo para outro.

Para José Eduardo Ferreira, presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Aelo-TAP), é possível que as pessoas se atentem para a compra de lotes menores, de cerca de 200 m², para a construção de uma casa mais bem planejada. “Hoje as pessoas querem comodidade. Casa muito grande gera custos de manutenção, para manter limpa”, concluiu Ferreira. 

ÁREAS DE LAZER
A procura por áreas de lazer durante esse período para prática de exercícios físicos ou simplesmente para um descanso se tornou necessária à população. Sendo assim, locais de qualidade que oferecem equipamentos e recursos estão sendo cada vez mais exigidos pelos moradores.

Para Garrefa, a dificuldade dos gestores públicos em reabrir espaços por causa da volta de aglomerações mostra como esses locais de lazer não recebiam a atenção devida até então.  “As pessoas, quando podiam ir e vir, não se davam conta de como esses locais fazem falta. O grande desafio das Prefeituras vai ser fazer mais espaços de qualidade para todos. Fazer uma cidade mais caminhável, não só em ambientes confinados, como parques, mas fazer isso em todas as ruas”, afirmou o docente.

A gerente de arquitetura e urbanismo da ITV Urbanismo, Daniella Ribeiro, acredita que as empresas e o Município precisarão se adaptar às novas opções dos cidadãos por áreas de lazer. Ela explica que os espaços, como praças e parques, não poderão ser mais entregues apenas com bancos e gramados. “É preciso entregar uma local com equipamentos e a Prefeitura os manter em condições de uso, com academias ao ar livre, playground e pistas de caminhada, com calçadas mais largas, ciclovias. A rua precisa ser um lugar de brincar, de estar, de conviver, de fazer exercício”, explicou Daniella.

TRANSPORTE
José Ferreira, da Aelo, ressaltou que novos modelos de loteamento já era uma tendência antes da pandemia, mas deve se acelerar com a crise de saúde mundial. Ele explica que locais planejados traz mais conforte e comodidade aos moradores que não querem grandes deslocamentos.

“O poder público precisa entender que a população precisa de qualidade de vida. Digo isso, porque ainda tem lei de zoneamento que determina tamanho de lote e que a área seja apenas para comércio ou casa. Mas não se faz mais cidades assim. Temos que fazer cidades com vários núcleos centrais, onde as pessoas conseguem morar, trabalhar, ter lazer e fazer as compras, sem grandes deslocamentos, sem precisar usar transporte público”, afirmou Ferreira.

Ferreira também aposta que o transporte tende a ser multimodal, variando de acordo com as distâncias. Se o destino for mais perto, será por meio de bicicleta, a partir daí, pode ser um patinete elétrico e o carro para distâncias mais longas ou com menos trânsito.


Para o professor Fernando Garrefa a tendência é que transportes individuais, elétricos e compartilhados sejam cada vez mais comum. “O próprio Uber já é uma realidade em bairros de renda baixíssima. Você pega o Uber com 4 vizinhos e fica no preço do ônibus. As motos elétricas, por exemplo, alguns professores da UFU já usam. Logo, vão vir os carros elétricos e autônomos”, afirmou.

* O texto foi atualizado às 12h48 de 14 de agosto de 2020. 


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