28/06/2020 às 10h02min - Atualizada em 28/06/2020 às 10h02min

Pesquisadora da UFU desenvolve produtos para bloquear transmissão do coronavírus

Doutoranda pretende utilizar biomoléculas, que impendem a proliferação viral, em pomadas e filmes dentais

DA REDAÇÃO
Estudante apresentou o projeto no Desafio Inovação UFU e conseguiu o 1º lugar na categoria discentes de pós-graduação | Foto: Arquivo Pessoal
Léia Cardoso de Sousa, doutoranda do curso de Ciências da Saúde na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), está desenvolvendo produtos que podem bloquear a transmissão do novo coronavírus. A estudante apresentou o projeto no Desafio Inovação UFU e conseguiu o 1º lugar na categoria discentes de pós-graduação.
 
A transmissão da Covid-19 se dá principalmente pelo contato da saliva das pessoas infectadas. Dessa forma, Sousa e sua equipe começaram a extrair peptídeos, ou seja, um pequeno pedaço de uma proteína que pode desativar o Sars-Cov-2. O peptídeo  se ligaria ao vírus ou à proteína ACE2, impedindo a entrada na célula. 
 
A pesquisadora pretende usar essas biomoléculas na forma de uma pomada, que poderia ser aplicada na cavidade oral ou nasal, ou na forma de um filme aderido ao dente. Assim, se alguém estiver contaminado ao liberar a saliva, o vírus seria expelido parcialmente ou totalmente bloqueado, devido à ação dos peptídeos.
 
“O projeto pode contribuir para a sociedade com a possibilidade  de reduzir a transmissão do Sars-Cov-2, em ambientes públicos e domiciliares, justamente por causa da ação antiviral do peptídeo que vamos selecionar. Isso também pode ser aplicado não só como forma de redução da transmissibilidade, mas também como profilaxia para os indivíduos que estão mais expostos, como os profissionais de saúde e os pacientes de grupos de risco”, explica a biomédica.
 
Léia declara que sua equipe de pesquisadores já deu início aos primeiros testes de seleção dos peptídeos. Após essa etapa, os profissionais vão verificar a eficácia deles em cultura celular com o coronavírus. Se essa fase for aprovada, começam os testes em animais  com o acompanhamento dos conselhos de ética. 
 
Em seguida, começa a fase clínica com testes em humanos, mas o processo ainda pode demorar a ser finalizado. “Quando a gente solta alguma ideia, o pessoal fica ansioso por saber quando vai ter o produto pronto. Temos etapas para percorrer ainda”, finaliza Sousa.
 
APOIO
O acesso ao Centro de Incubação de Atividades Empreendedoras (Ciaem/UFU) e o apoio de R$ 1 mil  para participação em eventos científicos são alguns dos prêmios concedidos aos ganhadores do desafio. Mas, para a conclusão de todo o projeto 
científico, as etapas demandam incentivo financeiro e apoio da UFU.
 
“É de fundamental importância esse apoio da universidade para que a gente consiga ‘sair do papel’. Os mil reais para os eventos são uma oportunidade de expansão do conhecimento e a parceria com o Ciaem será de fundamental importância por causa das assessorias que eles fornecem”, acrescenta.

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