15/06/2020 às 13h42min - Atualizada em 15/06/2020 às 13h42min

“Não tenho mais o que fazer”, diz prefeito sobre evolução dos casos em Uberlândia

Afirmação de Odelmo Leão em relação à Covid-19, no Twitter, repercutiu nas redes sociais durante o fim de semana

SÍLVIO AZEVEDO
Respostas do prefeito em rede social repercutiram durante o fim de semana | Foto: Reprodução/Twitter
A evolução dos casos do novo coronavírus em Uberlândia, com dados publicados diariamente, tem preocupado parte da população, que cobra uma posição mais drástica do Executivo para que o avanço de mortes e de casos confirmados seja controlado. No sábado (13), em resposta a diversos seguidores no Twitter, o prefeito Odelmo Leão chegou a escrever “não tenho mais o que fazer", quando foi questionado sobre o contágio da Covid-19 na cidade.
 

A frase foi compartilhada por outras pessoas e acabou viralizando na internet, gerando indignação em algumas pessoas, incluindo pré-candidatos às eleições deste ano. Na manhã desta segunda-feira (15), o tweet em algumas postagens já havia sido apagado. 

O Diário questionou o prefeito sobre as publicações e em nota afirmou se referir a baixa taxa de isolamento social mesmo com as medidas restritivas implementadas pelo Município em março. "A declaração se refere à necessidade de conscientização e de uma colaboração mais efetiva da população em relação ao isolamento, não tendo relação com a continuidade ou não das ações do poder público frente à pandemia". Sobre as publicações deletadas, nenhuma resposta foi dada.


Um dos pontos mais levantados por Odelmo nas postagens foi a falta de conscientização das pessoas que insistem em fazer festas e frequentar lugares, gerando aglomeração e aumentando os riscos de contágio.

“Sim, Uberlândia terá mais casos que BH, além de estamos (sic) testando mais que eles, temos um agravante, as pessoas não respeitam o isolamento. Nunca chegamos ao ideal sempre estamos abaixo de 45%. Não tenho mais o que fazer”, disse respondendo uma seguidora.


O índice de isolamento na cidade é de 39%, segundo os dados divulgados pela Prefeitura de Uberlândia na última semana. O ideal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), seria de 70%. O pico foi durante o feriado de Tiradentes (21 de abril), com 54,6%. Na ocasião em que os percentuais foram apresentados, a estimativa era ultrapassar os 3 mil casos confirmados em sete dias, porém o número foi atingido antes de se completar uma semana. 

Questionado se houve falhas na condução dos decretos de funcionamento do comércio, Odelmo disse que são elaborados pelo Município com base em discussões e análises do núcleo estratégico do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 e não descartou medidas mais drásticas, como um lockdown. "Todas as medidas são analisadas e nenhuma está descartada".

O Diário também pediu informações para Prefeitura de Belo Horizonte sobre a quantidade de testes que foram disponibilizados para a capital, quantos foram realizados e o número ainda disponível. Outra solicitação foi quanto ao número atualizado de casos e óbitos confirmados, mas até a publicação da reportagem não houve respostas. 

Odelmo criticou falta de conscientização de parte da população que descumpre as recomendações de distanciamento social | Foto: Reprodução/Twitter 

UBERLÂNDIA X BH

O último boletim publicado na tarde do último domingo (14), pela Prefeitura de Uberlândia, mostrou que a cidade tinha 3.770 casos confirmados de Covid-19, 171 a mais do que os números de sábado (13), e 57 óbitos. 

Em dados comparativos com Belo Horizonte, Uberlândia tem proporcionalmente mais mortes e número de casos confirmados. Utilizando o último boletim disponibilizado pela Prefeitura da capital mineira, na sexta-feira (12), a diferença entre as duas cidades era de 34 contaminados e 16 óbitos. 


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