18/04/2020 às 08h00min - Atualizada em 18/04/2020 às 08h00min

Uberlandenses se adaptam com exercícios em casa

Isolamento social e academias fechadas estão exigindo novos hábitos

IGOR MARTINS
Andyeine Pereira pratica yoga e busca novos exercícios para fazer dentro de casa | Foto: Arquivo Pessoal

Academias fechadas e a necessidade de evitar contato com pessoas nas ruas. Esta é a realidade que a população global tem encarado desde o surto do novo coronavírus. Se por um lado, especialistas afirmam que é importante continuar tendo uma vida saudável para ajudar no combate à Covid-19, por outro muitos cidadãos ficaram sem ou com poucas alternativas para seguirem se exercitando até a vida voltar ao normal.

Desde o dia 22 de março, quando a Prefeitura de Uberlândia decretou situação de emergência e anunciou um pacote de medidas que aumentaram as restrições para isolamento e prevenção do vírus, os centros de treinamento e escolas fecharam as portas. Além de todos os prejuízos causados pela enfermidade, quem também sofre com a nova rotina são os alunos, que têm tentado adaptar seus treinamentos, seja na sala de casa ou nas ruas, isoladamente.

Musculação, lutas, crossfit, futebol. Frederico Paiva sempre foi um grande adepto dos esportes. Mesmo com a pandemia, o uberlandense não abriu mão dos exercícios físicos, mas teve que adaptar os seus treinamentos devido a falta de equipamentos que só as academias disponibilizam. Agora, ele tem buscado exercícios ao ar livre e até mesmo atividades dentro de seu apartamento.

Mesmo sem anilhas e pesos, o profissional de marketing digital disse que o fato de a maioria da população não possuir equipamentos apropriados para treinos não representa um grande problema. “Tem vários exercícios que a gente faz com o peso do corpo e que surte o mesmo efeito, dá o mesmo resultado. A gente ainda pode improvisar, pegando sacos de arroz, garrafas cheias de água e usar como pesos. Funciona muito bem”, explicou.

Ainda segundo o uberlandense de 28 anos, é de fundamental importância não perder a rotina e se manter em movimento, principalmente para quem já fazia exercícios antes, até mesmo para não perder todos os resultados que foram conquistados com muito suor nos últimos tempos. “É essencial se manter em movimento, até porque a gente continua mantendo a nossa saúde em dia e quanto mais condicionado a gente é, menos riscos à saúde nós vamos sofrer com o coronavírus”, finalizou.
 
IMPROVISAÇÃO
Victoria Sorna também precisou adaptar sua rotina para continuar se exercitando durante a pandemia. Antes de tudo isso acontecer, ela frequentava a academia quatro vezes por semana e fazia musculação acompanhada de um personal trainer, além de correr cinco quilômetros nos finais de semana.

Com a necessidade do isolamento social, a empreendedora de 23 anos passou a realizar treinos em casa usando objetos comuns e de fácil acesso, como garrafas com água, cordas e equipamentos de treinamento funcional. “Busquei treinos adaptáveis na internet, como vídeos com sequências de exercícios para determinadas áreas do corpo”, afirmou.

Tão importante quanto manter o condicionamento físico é seguir com a mente ativa na busca de criar uma rotina adaptada, na opinião de Victoria. Impedida de correr em parques e com receio de ir às ruas, ela acredita que todos podem buscar alternativas que se encaixem nas possibilidades de cada um para treinar em casa.

“Existem muitos perfis e canais nas redes sociais com vídeos de treinos variados que podem ser feitos na sala, no quarto, na garagem ou em uma área aberta, como um quintal. Também é legal tentar criar seus próprios equipamentos. Uma toalha, por exemplo, podemos usar para fazer abdominais. Um cabo de vassoura com sacolas penduradas nas laterais com sacos de arroz pode virar uma barra”, explicou a uberlandense, que revelou que improvisou galões de amaciante com pedras para agregar em seus treinamentos.

Manter o corpo em movimento, de acordo com Victoria, é essencial, pois ela consegue combater a ansiedade sem a deixar entediada por ficar em casa ou preocupada com as notícias. Ela pensa que treinar, mesmo que em um nível mais fácil, ajuda a manter a mente tranquila e desestressada.

O maior desafio, ainda segundo a proprietária de uma loja online de moda, é vencer a procrastinação e o conformismo. “Não podemos procrastinar a saúde física e mental. Fazer exercícios físicos contribui para afastar doenças como a depressão e o estresse. Não podemos ficar apáticos e conformados com a situação social, precisamos fazer nossa parte para o bem dos outros e para o nosso próprio bem, e isso inclui cuidar da própria saúde”, finalizou.
 
XÔ, PREGUIÇA!


Família se junta para fazer atividades dentro de casa em Uberlândia | Foto: Arquivo Pessoal
 

A tentativa de manter uma rotina de exercícios também faz parte da realidade de Andyeine Pereira de Freitas. Frequentadora de academia e praticante de yoga, ela viu uma possibilidade de continuar se exercitando juntamente com sua família pelo menos duas vezes por semana, incluindo seus pais, irmã e namorado.

Assim como Fred e Victoria, Andyeine contou que improvisou vários objetos como equipamentos de treino, incluindo sacos de arroz para utilizar como peso. Segundo ela, o maior obstáculo do atual momento para quem gosta de se exercitar, é a preguiça. “Essa é a parte mais complicada. Eu estou trabalho normal e às vezes chego em casa cansada. Dentro de casa tem muitas distrações, mas eu sempre tento manter o foco. Tenho procurado fazer treinos diferentes para me estimular. Coloco uma música animada, faço as coisas que gosto e tento pensar que é um dia normal”, disse.

A administradora de empresas falou ainda que, diferentemente de sua rotina normal, as novas atividades as quais ela tem buscado têm gerado um resultado bastante positivo no aspecto físico e mental. O momento pandêmico, inclusive, fez com que ela repensasse práticas inéditas e quer levar algumas delas para o seu dia a dia.

“Eu comecei a fazer muita coisa que eu não fazia antes. A gente tem determinado na cabeça os exercícios que nos dão resultados, mas como a gente tem que se virar com o que tem, comecei a fazer atividades que eu jamais faria na academia e mudei a maneira de enxergar algumas coisas. Um exemplo disso é pular corda, eu não fazia e estou adorando”, contou a uberlandense de 30 anos.

 













 
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