20/03/2020 às 10h17min - Atualizada em 20/03/2020 às 10h17min

Procura por álcool em gel aumenta produção de indústria em Uberlândia

Start Química toma medidas para atender demanda na cidade e região; receitas caseiras não são recomendadas e apresentam riscos à saúde

BRUNA MERLIN
Empresa, que atende todo o Brasil, está tendo que regrar o fornecimento do álcool em gel para os revendedores | Foto: Start Química/Divulgação
O álcool em gel se tornou o melhor amigo da população devido à pandemia mundial do coronavírus. O produto que é indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para higienizar as mãos está sendo muito requisitado neste momento de crise. Com a alta procura pelo antisséptico, a Start Química, indústria de Uberlândia, teve que aumentar sua produção para garantir o estoque em farmácias e supermercados da cidade e região.

O diretor comercial da empresa, Sérgio Spini, disse que a demanda pelo produto aumentou muito rápido e que foi necessário tomar algumas medidas para conseguir atender a todos os revendedores. “Atendemos o Brasil inteiro, então estamos tendo que regrar o fornecimento do álcool em gel. Mandamos um pouco para cada cliente”, explicou.

A fábrica também teve que aumentar sua produção, mas a matéria-prima está acabando rápido e, até que ela seja reposta, a indústria fica parada. Segundo Sérgio, os fornecedores dos componentes também estão tendo dificuldade para atender a demanda.

De acordo com o professor de química, Cláudio Chadu, a produção do álcool em gel exige dois componentes e a criação do produto é considera simples, mas quando produzido em grande quantidade pode se levar mais tempo. “Além dos itens que são utilizados de acordo com cada produção, como glicerina que funciona como hidratante, o álcool em gel é feito basicamente com o carboximetilcelulose, que dá a forma de gel ao produto e o etanol e geralmente deve estar na concentração acima de 70%”, detalhou.

O professor explica que a fabricação de um frasco do produto pode ser feita em pouco mais de uma hora. Mas, quanto maior a quantidade produzida maior será o tempo destinado ao processo.

Para tentar suprir a falta de álcool gel no mercado de Uberlândia, o Ministério Público Federal (MPF) junto a outros órgãos fiscalizadores se reuniram com a Start Química para discutir a comercialização do álcool líquido 70%. “A informação que nós temos é que dentro de 20 dias não haverá mais álcool em gel no mercado, isso a nível talvez mundial. O acordo que nós fizemos com a empresa é que comece a disponibilizar o produto para a venda em mercados e farmácias. É uma recomendação dos ministérios públicos e já oficializamos a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para liberarem a produção", disse o procurador da República, Cléber Eustáquio. 

O Diário de Uberlândia perguntou ao diretor comercial da Start Química sobre como será o andamento da produção do álcool líquido e se já estão disponibilizando o produto no mercado, mas ele não quis se pronunciar sobre o assunto debatido com o MPF.
 
RECEITA CASEIRA
Desde o anúncio de que a Covid-19 chegou ao Brasil, milhares de vídeos e áudios ensinando a produzir álcool em gel em casa surgiram e foram compartilhados diversas vezes em grupos de WhatsApp e outras redes sociais. Apesar de ser possível, a experiência caseira não é recomendada pelos profissionais da saúde porque, além de não surtir efeito, apresenta alto risco de explosões e outros perigos.

De acordo com Cláudio Chadu, as receitas caseiras não são confiáveis e recomendadas. “É preciso ter conhecimento químico para manusear os componentes que são extremamente voláteis. O etanol pode saturar no ambiente e em contato com qualquer fonte de calor, ou até mesmo uma faísca quando uma lâmpada é acesa, pode chegar a causar explosões. Fraturas fatais podem ser causadas”, explicou ele.

Além de apresentar riscos, se a produção do álcool gel caseiro não for feito por alguém que entenda do assunto, ele poderá não ser eficaz. Segundo Cláudio, existe uma concentração correta para que o produto seja utilizado como antisséptico.

Outras formas e dicas para serem utilizadas como antissépticos também surgiram no mundo virtual com a rápida contaminação do coronavírus. Entre elas, as águas oxigenada e sanitária e o vinagre de álcool foram recomendados para substituir o álcool.

“Apesar de terem o poder de desinfetar, esses produtos não são indicados para substituir o álcool em gel ou álcool líquido. As águas oxigenada e sanitária podem causar irritações e alergias. Já o vinagre não é tão eficiente e também pode causar irritações. O ideal é seguir a recomendação da OMS [Organização Mundial da Saúde] e utilizar somente o álcool em gel, além de higienizar as mãos com água e sabão”, finalizou o professor.








 

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