12/01/2020 às 08h00min - Atualizada em 12/01/2020 às 08h00min

Fernando Alves é a juventude no processo de formação de talentos

Ex-jogador e atualmente treinador e gestor do Uberlândia Vôlei/Caça e Pesca, Fernando parte para o quinto ano de projeto

EDER SOARES
Treinador mira quinto ano pelo clube de Uberlândia | Foto: Divulgação

Fernando Alves de Gomes, de 27 anos, é treinador e gestor da nova geração do vôlei brasileiro. Em apenas quatro anos à frente do Uberlândia Vôlei/Caça e Pesca, ele vem colhendo bons resultados no cenário regional e mineiro, além de revelar jogadores para o cenário nacional e até internacional. A pouca idade esconde grande parte da experiência de um versátil ex-jogador, que passou por várias posições dentro de quadra, até o momento em que decidiu dar um passo a mais na carreira para se tornar treinador e gestor de um clube de voleibol.

O Começo no esporte se deu aos nove anos, no SESC, em Uberlândia,  a sua cidade natal, e foi por indicação. “Tive uma experiência rápida na natação e no futsal antes do voleibol, porém não me identifiquei como no vôlei”, disse Fernando, que foi atleta dos nove aos 21 anos. “No Sub-15 e sub-16 atuei como levantador, sub-17 jogava como ponteiro e sub-19, sub-21 e adulto me especializei na posição de líbero”, afirmou.

Grande parte da carreira como jogador se deu no Uberlândia Tênis Clube (UTC), além de uma passagem pelo Presidente Prudente (SP), CMD-MG, e ainda representou algumas cidades como Jales e Mirandópolis nos jogos regionais e abertos de São Paulo.

Mirando o quinto ano de vida do Uberlândia Vôlei, o treinador prevê um ano de crescimento do projeto e mais revelações de talentos. Aproveitando o espaço no Diário de Uberlândia, Fernando aproveitou para dar a sua opinião sobre as seleções de vôlei masculina e feminina, que estão classificadas para as Olimpíadas do Japão que acontecem neste ano em Tóquio.

DIÁRIO: Fale um pouco sobre o seu trabalho no UV?
No início trabalhei praticamente sozinho, porém com o crescimento do projeto e o apoio de nossos patrocinadores e parceiros, hoje somos uma equipe multidisciplinar, com técnicos, preparador físico, fisioterapeutas, psicólogo, coordenador e estagiários. Aprendemos, a cada dia, a trabalhar em equipe e ter a melhor comunicação entre as áreas, em prol dos resultados que almejamos.

D: Você gosta de gerir esporte?
Sempre atuei como técnico e gestor, porém gradativamente estou me adaptando para assumir somente uma função, pois tenho ciência que para dar continuidade na evolução do projeto eu preciso priorizar uma área de atuação, onde as demandas aumentam a cada dia e será necessário dedicar um tempo maior. Sei que é um processo lento, porém é o viável. Em 2020, meu pensamento é ser técnico de duas categorias e auxiliar na coordenação do projeto.

D:  Qual o principal objetivo do UV para o futuro? Seria se tornar uma equipe top de linha e disputar a Superliga?
Eu acho muito cedo para traçarmos voos tão altos, pois o projeto está indo para o seu quinto ano de existência. Prefiro traçarmos objetivos a curto e médio prazo. Hoje, o objetivo do Uberlândia Vôlei é se consolidar cada vez mais, e se tornar um projeto de formação de atletas e pessoas. Temos todas as categorias de base do sub-15 ao sub-21 e parcerias para a formação acadêmica dos atletas, desde o ensino fundamental até o ensino superior. Neste momento, entendemos que o nosso papel é contribuir da melhor maneira na formação, e que esse processo é necessário para que futuramente caso tenhamos a oportunidade de nos tornar uma equipe de alto rendimento, estejamos preparados.

D: Você, como treinador, pretende chegar a voos maiores, como uma seleção brasileira, por exemplo?
Eu acredito que esse é o sonho de todos os treinadores. Mas sei que ainda tenho bastante a aprender e me profissionalizar. Se um dia eu tiver a oportunidade, quero estar preparado para não somente estar lá, e sim, me firmar e dar continuidade a um trabalho. Por isso estou dando prioridade ao processo; gosto muito de ser técnico das categorias de base do projeto, me esforço bastante para fazer o meu melhor trabalho enquanto comissão técnica da seleção mineira, e sempre procuro conversar e conhecer técnicos e projetos mais experientes em busca de aprendizagem. Acredito que tudo é resultado de um trabalho.

D: Já tem algum jogador trabalhado pelo UV que está em grandes equipes?
Todo ano, temos vários atletas que têm propostas de outras equipes dentro e fora do estado de Minas Gerais. Podemos citar alguns nomes o Dyann Carlo e Carlos Arthur que foram para Campinas-SP; Eudes dos Santos e Carlos Henrique, para o Suzano SP e o Matheus Barbosa para a universidade Cardinal Stritch dos Estados Unidos.

D: Quais foram os seus professores ao longo da carreira?
Meu primeiro técnico foi o Wendel Ramos (hoje é auxiliar técnico do Praia Clube na superliga feminina de vôlei e também faz parte da comissão técnica da seleção brasileira feminina adulto de vôlei). Depois tive o Manoel Honorato Neto (hoje supervisor da Academia do Vôlei). Mais tarde ainda trabalhei com o Homero Generoso, o Marcelo Lorençoni, Glauco Fabianni, e o último foi o Diogo Silva (hoje trabalha na prefeitura municipal de Mirandópolis SP).
 
D: E a parceria com o Clube Caça e Pesca e os atuais patrocinadores, de que forma contribuem para o crescimento do projeto?
Para 2020 já renovamos praticamente todas as nossas parcerias, que em breve divulgaremos em nossas redes sociais também. Clube Caça e Pesca, Instituto Algar, Fit Park e UNITRI permanecem. Aproveito para agradecer a todos por nos possibilitar a darmos continuidade neste trabalho. Estamos em processo de acordo com novos parceiros e assim que finalizarmos, divulgaremos as novas parcerias para esta temporada.

D: Como você vê as possibilidades das seleções masculina e feminina nas Olimpíadas de Tóquio neste ano? Comece pelos homens.
Esse assunto vem sendo bastante discutido entre treinadores, torcedores, atletas e amantes do voleibol. Eu acredito que de acordo com o atual cenário, a seleção masculina tem grandes chances de ter um resultado positivo nas olimpíadas e até mesmo conquistar a medalha de ouro, pois temos uma geração muito boa. Conseguimos ver isso pela disputa acirrada das 12 vagas para ir a Tóquio. O Brasil tem vários atletas de alto nível técnico em todas as posições, além de atletas com grande experiência internacional e jovens promessas que já foram testadas em jogos oficiais pela seleção e responderam de forma positiva. O técnico Renan Dal Zotto terá uma tarefa difícil na escolha dos 12 com certeza.
 
D: Fale agora sobre as mulheres.
Já a seleção feminina é uma incógnita, ao meu ver, pois nesse ciclo olímpico com a pedida de dispensa das atletas mais experientes a nível internacional, outras atletas foram testadas e poucas conseguiram se firmar na seleção levando em consideração o nível técnico que é exigido em uma Olimpíada. Assim acredito que o técnico José Roberto irá optar em levar as jogadoras mais rodadas, que ficaram um período fora da seleção, enquanto as outras seleções do mundo, em sua grande maioria, optaram em fazer uma renovação parcial do grupo. Elas estão mesclando a experiência de algumas jogadoras e o vigor físico de novas atletas; além de estarem apresentando um novo estilo de jogo, com uma velocidade diferenciada. Mesmo assim acredito no potencial e no trabalho da nossa seleção, que sempre optou em jogar muito bem taticamente. Entendo que esta superliga será de extrema importância para dar ritmo as atletas que novamente que defenderam a seleção.
 
Fernando Alves de Gomes
Idade: 27 anos
Clube atual: Uberlândia Vôlei (UV)
Função: Gestor e treinador
Clubes como jogador: Uberlândia Tênis Clube (UTC), Presidente Prudente (SP) e CMD-MG.











 
 
 

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