20/09/2019 às 14h11min - Atualizada em 20/09/2019 às 14h11min

​Empresas de Uberlândia temem prejuízo com escassez de água

Comitê de crise foi criado para assegurar consumo consciente na cidade; bairros enfrentam falta de água

VINÍCIUS LEMOS
Nível de reservação de estação do Sucipira diminuiu e consumo de água na cidade bate recordes | Foto: Via-drones
Com um consumo médio diário de 250 litros de água por pessoa, previsão de chuvas ainda para meados de outubro e preocupação de autoridades com o abastecimento da cidade, comerciantes e prestadores de serviços de Uberlândia temem passar por dificuldade em suas atividades e, em alguns casos, buscam a colaboração dos clientes. 

Além do receio de escassez de água, o que comprometeria o cotidiano dos moradores e as atividades empresariais, há uma mobilização na cidade pela redução do consumo, inclusive com a participação do Ministério Público Estadual (MPE), que instaurou um procedimento preliminar para apurar a situação hídrica e criou um gabinete de crise após reclamações de falta de água em bairros da cidade. O cenário também preocupa gestores de negócios. 

Em um hotel no centro da cidade, o gerente Welinton Alves Ferreira disse que é preciso explicar a situação hídrica da cidade para os hóspedes, na tentativa de haver alguma redução do consumo. Mas a própria característica do serviço prestado não oferece muitas opções de economia de água.
               
“Somos obrigados a utilizar a água em toda a estrutura, da copa à arrumação, e também no fornecimento ao cliente. Hoje, economizamos ao não usarmos mangueiras nas limpezas e sim, baldes, e não deixando torneiras abertas o tempo todo”, afirmou Ferreira.

O gerente disse ainda que geralmente, para os clientes, a crise hídrica não tem muita relevância e, se o serviço não é prestado devidamente, o estabelecimento corre o risco de perder espaço no mercado. Uma das formas mais comuns de conscientização dos clientes é quanto ao rodízio de toalhas que, no hotel, acontece a cada três dias, quando não há demanda diferente por parte do hóspede. 

Outra situação levantada, dessa vez pelo administrador de um restaurante na região central, Arthur Costa, é que a economia de água pode não só comprometer o atendimento aos clientes como também as regras de Vigilância Sanitária. “Se diminuir o consumo, atrapalha a produção e a limpeza da cozinha em geral. É cobrada de nós principalmente essa questão sanitária, que é o que gasta mais água”, afirmou. Ele prevê que, se houver restrição no consumo, a empresa pode ser prejudicada.

Já o gerente de outro restaurante, no bairro Brasil, Breno Cássio Pereira, disse que trocou recentemente o maquinário de limpeza, como bombas, como medida para reduzir o consumo de água na empresa. “Havia desperdício, mas hoje a gente consegue reduzir esse consumo”, afirmou.

LAVANDERIAS
Com uma atividade essencialmente baseada no uso de água, uma possível restrição preocupa o setor de lavanderias. Dona de um estabelecimento no bairro Saraiva, Neide Godoi explicou que a economia no uso da água já faz parte do dia a dia da lavanderia para reduzir também os custos da própria empresa. 

“Mas não dá para reduzir o uso ainda mais, senão o serviço não é feito. O que faço é reaproveitar a água para lavar o chão e qualquer atividade que não seja a própria roupa”, disse.

DMAE
Nesta semana, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) informou que o consumo de água em Uberlândia se mantém elevado mesmo com a previsão de chuva apenas para daqui a praticamente um mês. Na Estação de Tratamento de Sucupira, o nível na reservação de água havia caído de 3 metros de altura no fim de agosto para 2,8 metros na primeira semana de setembro. Na segunda-feira (17), a autarquia informou uma nova queda para 2,4 metros.

Durante a primeira reunião do comitê de crise criado pelo MPE, o diretor-geral do Dmae, Paulo Sérgio Ferreira, reforçou o consumo elevado na cidade, que chega a ser 61% maior do que a média nacional. 

O promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, Fernando Martins, ressaltou na ocasião a importância de o Município criar uma legislação de segurança hídrica, além da necessidade de reforçar a fiscalização em relação ao consumo de água em empresas como lava-jatos, por exemplo. 

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