16/09/2019 às 18h53min - Atualizada em 16/09/2019 às 18h53min

Gabinete de crise é criado para tratar sobre consumo de água em Uberlândia

Promotoria de Defesa do Consumidor instaurou investigação preliminar para apurar situação hídrica da cidade; medidas restritivas devem ser adotadas

CAROLINE ALEIXO
Dmae informou nesta segunda (16) que situação é mais crítica que em 2014 | Foto: Via-Drones
A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor instaurou um procedimento preliminar, nesta segunda-feira (16), para investigar a real situação hídrica de Uberlândia e criar um gabinete de crise para adoção de medidas de consumo responsável de água diante ao extenso período de estiagem.

A investigação foi iniciada a partir de uma representação protocolada no Ministério Público Estadual (MPE), pelo professor da Universidade Federal Uberlândia (UFU) Eduardo Macedo de Oliveira, e de reclamações de consumidores que alegaram falta de água no último fim de semana, principalmente na zona leste da cidade.

Em coletiva de imprensa durante a manhã, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) informou que a situação é mais crítica do que em 2014, quando a cidade também ficou em estado de atenção devido ao longo período de estiagem.

Foram informadas ainda queda no nível de reservação de água na Estação de Sucupira e medidas que estão sendo adotadas para evitar racionamento. Pelo menos sete bairros ficaram sem água durante o final de semana.

“Criei esse gabinete porque vi que a situação é precária mesmo. Recebemos reclamações dos consumidores e precisamos saber se o Dmae está fazendo racionamento e não está avisando ou realmente está faltando água. Essas coisas têm que ser esclarecidas”, disse o promotor Fernando Martins ao Diário de Uberlândia.

O gabinete para gerenciamento de crise vai reunir representantes do Dmae, Prefeitura de Uberlândia, da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro)Sindicato da Habitação (Secovi), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Superintendência Regional de Ensino (SRE), de hospitais particulares e de órgãos de segurança como Corpo de Bombeiros e Polícia Militar de Meio Ambiente.

Coordenador do Procon Estadual, Fernando Martins vai sugerir ações de segurança hídrica para Uberlândia e outras cidades da região | Foto: Caroline Aleixo

Essa é a primeira vez que o grupo será criado para debater medidas de segurança hídrica no município. Uma ação semelhante foi realizada pelo MPE na época da greve dos caminhoneiros, resultando em ações efetivas como o abastecimento de combustível nos postos da cidade.  

A primeira reunião do gabinete ocorre nesta terça-feira (17), às 17h, na sede do Ministério Público.

MEDIDAS RESTRITIVAS
O promotor de Justiça e coordenador regional do Procon Estadual não descartou a possibilidade de indicar aos órgãos e entidades algumas medidas para restrição no consumo de água.

Além do racionamento de água de forma controlada e transparente, disse que pretende sugerir aos postos de combustíveis a suspensão temporária do serviços de lava-jato, alteração no horário de funcionamento das escolas se for o caso, maior publicidade e divulgação prévia das ações por parte do Município, principalmente para as regiões que faltarão água em virtude de remanejamentos no abastecimento.

Martins também vai determinar ao Dmae que sejam publicadas diariamente na página da autarquia as medições sobre os níveis nos reservatórios da cidade e o consumo de água do dia. O intuito é dar mais visibilidade às informações e conscientizar a população para criar uma rotina de consumo responsável de água. 

 
“A situação de abastecimento de água de Uberlândia passou por falta de investimento por muito tempo. O Município então aumentou as ações, mas investimento é diferente de prevenção. Evidentemente a gente precisa de medidas sérias de racionamento, mas um racionamento compartilhado, democrático e claro, na medida em que todo muito tenha acesso à agua, mas de forma limitada para preservar o futuro”, comentou Fernando.

Ampliação dos trabalhos
De acordo com o promotor, a intenção é que o grupo seja continuado, independente das ações emergenciais para economizar água, e a fim de discutir a segurança hídrica também a médio e longo prazo.

Uma segunda audiência será marcada junto a outros municípios do Triângulo Mineiro para ampliar as medidas para garantia do abastecimento de água e conscientização nessas cidades.   

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