13/08/2019 às 16h42min - Atualizada em 13/08/2019 às 16h42min

Orlando Resende nega envolvimento em morte de empresário de Uberlândia

Ex-diretor do Dmae é citado em inquérito como um dos suspeitos pelo crime; promotor do Gaeco e delegado falaram sobre o caso nesta terça-feira (13)

VINÍCIUS LEMOS
Cairo Borges foi assassinado em outubro de 2017 com um tiro no peito | Foto: Reprodução/YouTube
Apontado como suspeito da morte do empresário Cairo Luiz Mendes Borges, de 60 anos, em outubro de 2017, o ex-diretor do Dmae, Orlando Resende, se defendeu nesta terça-feira (13) em entrevista ao Diário e afirmou que nunca chegou a conversar diretamente com a vítima e que sua dívida estava em nome de outra pessoa. 

Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontou que essa terceira pessoa seria um laranja usado por Cairo Borges, num acordo considerado suspeito para pagamento da dívida. O inquérito do assassinato de Cairo Borges ainda continua aberto, segundo a Polícia Civil (PC).

Nesta segunda, a viúva e a filha do empresário concederam entrevista coletiva à imprensa para falar da campanha “Quem Matou Cairo?”, lançada em outdoors cobrando informações sobre o crime. Na ocasião, a família não mencionou nomes. A suspeita sobre Orlando Resende consta no inquérito policial da Polícia Civil e foi citada por investigados na ação do Gaeco contra Cairo Filho, acusado de matar uma pessoa para vingar a morte do pai. 

Resende negou que tenha feito ameaças à vítima meses antes do assassinato, e disse que chegou a fazer uma queixa-crime por calúnia contra a família do empresário. 

Em novembro de 2016, Cairo Borges registrou um boletim de ocorrência de ameaça de Orlando Resende, o qual tinha uma dívida da ordem de R$ 17 milhões já em execução judicial. No registro, a vítima relatou ter sido seguida por um motociclista algumas vezes e temia estar vulnerável ante as ameaças. Na época, o empresário, que comprava créditos judiciais de bancos, ainda chegou a falar a respeito de reuniões em que fora avisado que Resende poderia cometer algum tipo de crime.

Orlando disse que as reuniões que aconteceram envolviam seus advogados à época e tinham o objetivo de fazer um acordo para encerrar a pendência judicial.

 
“Eu não devia para o Cairo. Devia para um cidadão de Itumbiara (GO). Nunca falei com ele (Cairo) nem por telefone. Estou tranquilo e confio na investigação e na Justiça”, disse Orlando Resende, que reiterou que as ameaças são mentiras.

Segundo o Gaeco, o cidadão citado seria Edinilço Araújo Coutinho, cujo nome teria sido usado por Cairo Borges para a compra da dívida do antigo Banco Brasileiro Comercial. A dívida data do início dos anos 2000 e faz referência ao uso de cheques especiais na antiga empresa de Resende, a Monta Engenharia. 

Ele afirmou ao Diário que o valor inicial seria de R$ 30 mil aproximadamente, mas que quando foi cobrada na Justiça ela chegou a R$ 17 milhões. “Quando fui procurar para pagar em 2015, a perícia considerou a cobrança de juros como se banco fosse”, afirmou Resende. Já nessa época Cairo Borges, por meio de empresa que estava em nome de Edinilço Coutinho, havia adquirido o crédito judicial.

GAECO
Antes da coletiva sobre a 2ª fase da Operação Hoopoe, na manhã desta terça-feira (13), o coordenador do Gaeco em Uberlândia, Daniel Marotta, respondeu aos questionamentos da imprensa sobre o assunto.

Ele esclareceu que a compra desse tipo de dívida (créditos judiciais) é legítima, porém levantamentos mostraram que Edinilço Coutinho teria sido usado como laranja nesse negócio em específico. Tanto é que pouco tempo depois da morte de Cairo Borges, foi firmado um acordo entre credor e devedor que não envolveu a vítima e a dívida de R$ 17 milhões foi quitada por aproximadamente R$ 500 mil. 

“Edinilço foi levado a erro. Houve até o pedido do Ministério Público, não acolhido pela Justiça, para prisão de Orlando Resende. Havia indício de formação de quadrilha. Houve outro acordo com um devedor de Cairo e nós entendemos que essa pessoa e o Orlando se uniram com um terceiro, conhecido em comum, para diminuir as dívidas e fazer um pagamento menor”, afirmou Marotta.


Promotor de Justiça Daniel Marotta (ao centro) falou sobre o caso à imprensa na manhã desta terça-feira (13) | Foto: Caroline Aleixo

HOMICÍDIO 
Outra investigação feita pelo Gaeco apontou que Cairo Luiz Borges Mendes Filho, 32 anos, seria o líder de uma organização criminosa, envolvendo 11 pessoas, criada com o objetivo de vingar a morte de Cairo Borges, baleado em seu carro em outubro de 2017, no bairro Vigilato Pereira. Nove pessoas eram alvos e uma foi assassinada, Marcos de Lucena Silva, encontrado morto em dezembro de 2018 na cachoeira de Sucupira.

No levantamento do Gaeco, com denúncia feita à Justiça, Orlando Resende também é citado por investigados como suposto mandante do homicídio de Cairo Borges pai. Devido à atuação nas duas investigações, hoje o promotor Daniel Marotta é impedido de seguir com investigações sobre o processo que envolve a dívida de Orlando Resende. 

“Exatamente pelo Gaeco atuar na investigação criminal, em que o Cairo Filho é réu, somos suspeitos de apurar um crime em que Cairo Filho é vítima indireta”, afirmou sobre o caso da negociação considerada ilegal.

Ao Diário, Resende negou a ilegalidade de ambos os levantamentos.

PC diz ter cinco suspeitos do homicídio
Cinco pessoas são suspeitas de envolvimento na morte de Cairo Luiz Mendes Borges, e quase dois anos depois do assassinato o inquérito segue aberto. A informação é do delegado chefe do 9º Departamento da Polícia Civil, Marcos Tadeu. Ele explicou à reportagem que dois desses suspeitos são de Uberlândia e três são de fora da cidade. 

O delegado não especificou nada sobre as identidades dos investigados, inclusive se algum deles seria o ex-diretor do Dmae Orlando Resende. “Qualquer informação que for passada pode atrapalhar as investigações”, disse.

Ele disse estar preocupado com a campanha que a família da vítima lançou na cidade com outdoors que questionam “Quem Matou Cairo?”, além de ações na internet. 

 
“A caça não pode saber que está sendo caçada. A Polícia Civil procura apurar a verdade real dos fatos, e principalmente ter um conjunto probatório para uma condenação”, afirmou, ressaltando que devido à atividade da vítima, muitas pessoas se tornaram potenciais suspeitos, o que dificulta a investigação. 

Não há prazo para a finalização do inquérito.
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