02/08/2019 às 17h09min - Atualizada em 02/08/2019 às 18h06min

Homologação vai viabilizar repasses da União ao Samu Triângulo Norte

Publicação do Ministério da Saúde vai garantir R$ 600 mil mensais, hoje supridos pelo Estado

SÍLVIO AZEVEDO
Samu recebeu mais de 66 mil chamas de janeiro a julho deste ano | Foto: Cistri/Divulgação
Pouco mais de um ano após ser implantado em 26 cidades da macrorregião norte do Triângulo Mineiro, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) aguarda a publicação por parte do Ministério da Saúde da homologação e qualificação do sistema na região, o que garantirá um repasse mensal de R$ 600 mil por parte da União.

Atualmente, os municípios que integram o consórcio responsável pelo Samu repassam R$ 0,30 por habitante (com base no último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE), enquanto o Governo de Minas Gerais financia outros R$ 1,62 milhão. Após a qualificação, o valor de repasse do estado diminui para R$ 1 milhão.

“A qualificação foi aprovada pelo Ministério da Saúde e aguarda a publicação da habilitação. A promessa é que em breve será feita a habilitação. Será um aporte em torno de R$ 600 mil mensais. Hoje esse valor quem banca é o Estado, totalizando R$ 1,620 milhão. Quando habilitar, a União repassa os R$ 600 mil e o Estado R$ 1 milhão”, explicou o secretário executivo do Consórcio Público Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência e Emergência da Macrorregião do Triângulo Norte (Cistri), Rodrigo Alvim.


O Diário de Uberlândia entrou em contato com o Ministério da Saúde que, por meio de nota, informou que município de Belo Horizonte (MG) solicitou a habilitação da Central de Regulação de Urgências Triângulo Norte em Uberlândia e suas Bases Descentralizadas do Samu. A área responsável pela análise no Ministério manifestou parecer favorável à habilitação de uma Central de Regulação das Urgências (CRU), três Unidades de Suporte Avançado (USA) e 18 Unidades de Suporte Básico (USB) da central e bases descentralizadas da regional Triângulo do Norte, com sede no município de Uberlândia. Neste momento, a área analisa o valor para custeio. Não foi informado prazo para a homologação.
 
SAMU
Iniciado em junho do ano passado, o Samu efetivou e organizou a regulação dos atendimentos de urgência e emergência em cidades da região. Em 2019, foram mais de 66 mil chamadas atendidas, que geraram 7.464 orientações médicas, outras 22.516 orientações não-médicas e 16.620 saídas da unidade até o fim de julho.

Em maio, o Samu recebeu um reforço, a aeronave Arcanjo 06. O helicóptero, modelo Esquilo B3, já realizou 20 atendimentos na região. Fazem parte da equipe três oficiais do Corpo de Bombeiros (piloto, copiloto e tripulante) e um médico e enfermeiro do Samu. A aeronave fica na base aérea da 4ª Companhia do Batalhão de Operações Aéreas, em Uberaba.
 
PARCERIAS 
Para garantir qualificação às equipes de atendimento, o Cistri tem fechado parcerias com instituições educacionais. Uma delas é a Imepac Araguari, que cede o espaço para treinamentos enquanto seus alunos atuam no Samu. “Em março, nós fechamos parceria com o Imepac Araguari onde os estudantes de medicina do internato tripulam as Unidades de Suporte Avançado (USAs), enquanto nossas equipes farão treinamento no maior centro de simulação realística da América Latina, recém-inaugurado na instituição”, disse Rodrigo Alvim.

A UFU também deve fazer um convênio de aprimoramento. Segundo o Cistri, a universidade está redigindo um contrato para formalizar a parceria em breve.
 
UBERLÂNDIA
Desde sua implantação, o Samu ajudou a reduzir o número de encaminhamentos para o HC-UFU. “Apenas 4% foram encaminhados para o Hospital de Clínicas da UFU, contrariando o que diziam anteriormente, que iríamos inundar de pacientes. Pelo contrário, conseguimos organizar o fluxo de pacientes dentro da rede hospitalar residente na região”, disse Rodrigo Alvim.

Apesar de não fazer parte do Samu, o maior município da região possui uma dívida não paga com o Cistri. Assinado na gestão do ex-prefeito Gilmar Machado, o contrato de rateio deixou de ser pago no final da antiga gestão e não foi renovado pela atual administração. O valor gira em torno de R$ 1,5 milhão.

Questionado sobre o projeto do  Siate, em fase de implementação em Uberlândia, Rodrigo Alvim disse não ter conhecimento da estrutura, mas frisou que é um sistema similar ao que é oferecido pelo Samu.

“Conheço pouco o Siate. Sei que tem em Cascavel e Curitiba. Sei que é um sistema similar ao Samu para resgate de urgência e emergência. Eu não sei nem a estrutura que ele anunciou e nem a que ele vai montar, quantas unidades, ambulâncias e pessoal. Só sei que nossa estrutura eram 10 ambulâncias (2 básicas e 8 avançadas, em Uberlândia), além do Arcanjo 06 e gastaria R$ 195 mil. Sei que é um sistema similar ao nosso e que utiliza a parceria com o Corpo de Bombeiros”.
 
SIATE
A Prefeitura de Uberlândia realizou na quarta-feira (31) o processo seletivo para ocupar as 60 vagas de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem do Siate. O processo chegou a ser questionado por dois membros do Conselho Municipal de Saúde, que formalizaram representação no Ministério Público Federal alegando que o novo serviço era oneroso aos cofres públicos, além de ser uma decisão política que não passou pelo crivo do colegiado.

O procurador Cleber Eustáquio informou que o oficio foi encaminhado no dia 31 para a Prefeitura de Uberlândia, que tem 15 dias para responder. Já a Prefeitura não respondeu aos pedidos de informações sobre o recebimento da denúncia feita pelos conselheiros e nem a respeito da dívida do município com o consórcio do Cistri.

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