07/03/2019 às 18h12min - Atualizada em 07/03/2019 às 18h12min

Baobás gigantescos transformam visitantes em miniaturas na África

País abriga árvores milenares de 30 metros de altura que estão à beira da morte

FOLHAPRESS
Foto: Folhapress/Divulgação

A revista especializada Nature Plants publicou, no ano passado, um artigo com a descoberta de que, das 13 árvores mais velhas do continente, 8 já morreram ou estão perdendo parte de seus galhos e troncos em um desmoronamento progressivo.

Os baobás, que estão em países como Zimbábue, Namíbia, África do Sul, Botsuana e Zâmbia, podem ultrapassar a altura de um prédio de dez andares e chegar a 2.500 anos de idade.

O que está acontecendo é um "evento de magnitude sem precedentes", segundo um dos cientistas responsáveis pelo estudo, Adrian Patrut, radioquímico da Universidade Babes Bolyai na Romênia.

Não se chegou a uma conclusão sobre a causa das mortes. Não é uma epidemia, as plantas não foram atingidas por uma doença em comum. A suspeita é que o aquecimento global seja o culpado pelo colapso das árvores citadas no livro "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944).

As temperaturas elevadas e o clima seco podem reduzir a quantidade de água nas plantas, tornando-as incapazes de suportar o próprio peso.

A Namíbia abriga a maior quantidade das árvores gigantes danificadas –4 das que foram citadas no estudo. Elas, no entanto, ainda não despertaram o interesse dos turistas.

A maioria dos visitantes do país se dedica a destinos mais populares –como as dunas de Sossusvlei ou os safáris do parque Etosha (leia nas págs. D4 e D5). Já o velho Holboom, um baobá com 30 metros de altura, uma circunferência que supera os 35 metros e 1.800 anos de idade, ainda pode ser apreciado com tranquilidade.

Desde 2012, parte de seu tronco oco desmoronou, desmanchando a antiga cavidade interna que lhe dera a fama e o nome, em referência a "hollow" –oco, em inglês. Outros baobás mais antigos também têm nomes, associados a suas formas ou a figuras históricas da região, como caçadores e exploradores.

O Holboom fica na área de conservação Nyae Nyae, no nordeste da Namíbia, próxima à fronteira com Botswana– um pedaço de terra de 9.000 quilômetros quadrados, onde vivem pequenas populações remanescentes de etnias indígenas do povo san, também conhecidos como bushmen.

A Nyae Nyae Conservancy tem outros dos baobás famosos que já estão deteriorados, o Makuri Leboom, que tem em torno de 1.600 anos, e o Grootboom, já morto. Perto dali, no Khaudum Park, está o Dorslandboom, 2.100 anos. A região também abriga árvores jovens da espécie, que não sofreram danos.

O acesso a Nyae Nyae a partir da capital, Windhoek, ou do parque Etosha, pode ser feito em carro comum, sem tração nas quatro rodas.

Partindo de um desses pontos, a maior parte da viagem é pelo asfalto. Mas não é possível escapar de um trecho de cerca de 200 quilômetros em estrada de cascalho branco até Tsumkwe. Lá está concentrada a parca, mas suficiente, infraestrutura para turistas.
Um pequeno posto de gasolina, um mercado e um centro de informações para os visitantes é tudo o que a cidade tem para oferecer.
É preciso pagar pelo wifi, já que o pacote de dados do celular não funciona por lá. Vale a pena passar uma noite sem conexão para prestar mais atenção ao céu estrelado.

Logo na entrada de Tsumkwe está o Tucsin Tsumkwe Lodge, onde há opções de hospedagem em chalés ou estrutura para acampamento, além de piscina, restaurante e muitos pequenos baobás, em volta da recepção. As árvores jovens são mais baixas e têm troncos mais finos que as gigantes milenares.

Segundo o estudo da Nature, baobás formam novos troncos ao longo da vida, da mesma maneira que outras árvores criam galhos.
Quem prefere uma experiência mais rústica pode se informar sobre as outras opções de acampamento no entorno, sem água encanada. É possível visitar tribos dos bushmen.

Se o seu carro alugado não for 4x4, contrate na recepção do Tucsin Lodge um guia autorizado para levá-lo até os velhos baobás.
Os carros baixos não podem seguir o último trecho até o Holboom porque atolam nas estradas de areia. Com sorte, você poderá avistar elefantes a poucos metros quando estiver a caminho dos baobás.

A experiência de chegar aos pés da árvore impressiona, pelo tamanho e pelo misticismo com que a planta é descrita por habitantes locais, cada um com sua versão de lendas sobre como teriam nascido os baobás há milhares de anos.

Segundo os relatos, Deus teria distribuído sementes a diversos animais, mas um deles as plantou de cabeça para baixo, e é por isso que os baobás parecem estar virados com as raízes para o céu. Uma das narrativas diz que quem colher suas flores será devorado por leões.

Caminhe ao redor do Holboom e depois se afaste para perceber como o carro e as pessoas viram miniaturas ao lado da árvore imensa.

Quem visitou esse baobá até poucos anos atrás conta que a cavidade interna, já destruída, parecia uma janela no tronco. Hoje, o que se vê são enormes rachaduras.

Próximo ao Holboom há outros grandiosos baobás, porém, mais jovens. É possível subir em um deles por meio de uma escada que leva a uma plataforma construída para os turistas.

PACOTES

R$ 3.020
6 noites, na Namíbia, na Submarino Viagens (submarinoviagens.com.br)
Em Windhoek, sem regime de alimentação ou extras, mas com aéreo partir de São Paulo. Preço por pessoa

R$ 9.895
7 noites, na Namíbia, na Pisa Trekking (pisa.tur.br)
Entre Windhoek, Etosha, Twyfelfontein, Swakopmund e Sossusvlei, com café, 5 jantares, 1 almoço, safáris e passeios. Por pessoa. Sem aéreo

R$ 16.500
10 noites, na Namíbia, na CVC (cvc.com.br)
Entre Otjiwarongo, Etosha, Daamaraland, Swakopmund, Sesriem e Mariental, com café, passeios, guia e traslados. Por pessoa. Sem aéreo

Acampe em dunas, durma com zebras e acorde ao som de hipopótamos.

País africano oferece hotéis com estrutura para camping perto das principais atrações turísticas.

Namíbia - A Namíbia é o lugar perfeito para acampar, principalmente se você nunca montou uma barraca na vida –como era o meu caso e o das pessoas que me acompanharam nessa viagem de 21 dias.

O país é seguro e tem uma oferta farta de hotelaria com estrutura para acampamento. É possível armar sua própria tenda no quintal de resorts de luxo, com acesso à piscina e café da manhã de hotel.

Além de reduzir o custo do passeio –uma noite em acampamento chega a custar R$ 40 por pessoa, enquanto o quarto no mesmo local pode ultrapassar R$ 500 por pessoa–, a opção pela barraca desobriga o viajante de fazer reservas com antecedência.

Assim foi a minha viagem. O único planejamento que fiz foi uma pesquisa sobre os pontos turísticos do país. Levei uma mala com barraca, lanternas, colchão de ar e mantas, e deixei para definir o roteiro in loco, a cada manhã.

Ao chegar à capital, Windhoek, alugamos um carro. Acampar é tão comum no país que locadoras oferecem caminhonetes com barracas acopladas. O modelo, porém, custa mais que o dobro de um carro simples. Optamos pelo mais barato e usamos nossa tenda.

Partimos pela manhã de Windhoek, onde ficamos em hotel, e dirigimos 500 quilômetros rumo ao sul do país. Na segunda noite da viagem, ainda receosos de acampar, a escolha foi um hotel na cidade de Keetmanshoop.

Perdemos a chance de passar a noite perto de uma floresta de Aloe Dichotoma. Também chamadas de quiver tree ou kokerboom, essas plantas são um tipo de suculenta do tamanho de uma árvore, com caules que parecem ser recobertos por papel amassado.
Aproveite para observá-las nesse ponto da viagem, porque são plantas características do sul da Namíbia.

Na manhã seguinte, dirigimos para o Fish River Canyon, conhecido como o segundo maior cânion do mundo, atrás apenas do Grand Canyon, nos Estados Unidos.

Todos os pontos turísticos têm locais para acampar por perto, mas é preciso chegar ao alojamento antes do pôr do sol, porque, se não houver vagas, ainda há tempo de procurar outra opção sem ter que dirigir à noite.

Conseguimos uma vaga no acampamento de Hobas, localizado no portão de entrada para o cânion.

Passamos a tarde visitando os mirantes do cânion e esperamos o pôr do sol, que muda as cores do abismo. Resultado: a barraca teve de ser montada no escuro, porque as luzes do acampamento eram fracas.

A primeira noite é desajeitada, mas, com o tempo, a montagem da tenda vira uma diversão de poucos minutos. A única chatice é inflar o colchão todas as noites –portanto, procure levar uma bomba de ar eficiente.

Na primeira noite, você também vai se surpreender com a queda de temperatura. Durante o dia, os termômetros ultrapassam os 30ºC; de madrugada, caem para cerca de 15ºC.

Os novatos podem torcer o nariz para os banheiros compartilhados dos campings, mas não há pisos encharcados (o clima seco favorece), e os chuveiros têm água quente.

Os pernilongos, outro pesadelo para quem não gosta de dormir ao ar livre, são espécie rara. Diferentemente dos antílopes, zebras, babuínos e chacais que o visitante pode ver por perto enquanto monta sua barraca –não se preocupe, eles mantêm distância. Nas regiões onde há predadores, como leões e leopardos, há cercas reforçadas.

Mas há que ser realista: a vida de quem acampa tem seus perrengues. Por isso, tome cuidado com bichos peçonhentos, como cobras e escorpiões. Nunca deixe a barraca aberta e veja por onde anda.

A próxima parada é Kolmanskop, uma cidade-fantasma fundada no início do século 20 por alemães, que tiveram controle do país do fim do século 19 até a Primeira Guerra Mundial.

Na metade do século passado, o local foi abandonado, e suas construções, tomadas pela areia. Alguns imóveis foram restaurados; outros, foram invadidos por dunas.

Como as visitas turísticas a Kolmanskop só acontecem pela manhã, precisamos dormir por lá. Ainda estávamos no começo da viagem e não havíamos absorvido o espírito do acampamento. Escolhemos um hotel na cidade portuária de Luderitz.
O ponto seguinte é o mais aguardado: o Namib-Naukluft National Park, que abrange parte do deserto do Namibe. Lá fica uma das maiores dunas do mundo, a Big Daddy.

Alaranjadas, as montanhas de areia contrastam com o céu. É lá que estão os pântanos secos Sossusvlei e Deadvlei, com superfícies brancas de argila rodeadas de areia.

Quem faz questão de ver o sol nascer na duna 45 e se pôr na duna Elim precisa ficar hospedado dentro do parque porque os portões estão fechados nesses horários.

O acampamento da reserva, porém, é muito grande e tem banheiros antigos e distantes das barracas. A opção é acampar uma noite dentro da área de conservação, no Sesriem Camp, e a outra fora, no Sossus Oasis Camp Site, cujos banheiros de muros baixos e sem teto dão a experiência de um banho no deserto.

Antes de ir ao Etosha, maior reserva de safári para observar animais na Namíbia, vale visitar o litoral de dunas, conhecido como Costa do Esqueleto, e alguma das tribos himba, povo nômade e polígamo, cujas mulheres se defumam em vez de tomar banho e adornam os cabelos com uma goma vermelha.

Conhecemos uma tribo próxima ao iGowati Lodge, onde dormimos, no povoado de Khorihas, mas há outras mais ao norte em Opuwo e Kamanjab. Quando chegar ao alojamento, contrate um guia. Os himbas não falam inglês.

No mesmo dia, seguimos para o Etosha, mas nos hospedamos do lado de fora. A poucos metros do Anderson Gate, o portão principal do parque, a infraestrutura para acampamento oferecida pelo hotel Taleni nos pareceu espaçosa, com banheiros particulares por barraca.

Os acampamentos e resorts pelos quais passamos ofereciam churrasqueiras individuais, mas optamos por usar os restaurantes dos hotéis para os cafés da manhã (R$ 50 por pessoa) e os jantares (R$ 100).

Ficamos três noites no acampamento: a primeira, ouvindo passos de zebras a poucos metros da barraca; a segunda, debaixo de uma tempestade de vento, por poucas horas; e, na terceira, foi preciso matar um escorpião.

Deixamos a savana do Etosha para trás e percorremos quase 700 quilômetros em busca de mais safári, na reserva Mahango, no nordeste do país, que lembra o Pantanal.

Aos poucos, o verde começa a dominar a paisagem, e a densidade demográfica sobe. Após viajar por mais de duas semanas sem encontrar quase ninguém –a Namíbia tem cerca de três habitantes por quilômetro quadrado–, ver bastante gente é surpreendente.

Nas proximidades de Divundu, a cidade mais próxima de Mahango, começam a reaparecer placas de acampamento. Escolhemos o Nunda River Lodge e montamos a barraca às margens do rio Kavango, onde passamos duas noites ao som de hipopótamos.

O hotel oferece passeios de barco para ver crocodilos e, todas as noites, após o jantar servido com vista para o rio, os funcionários cantam músicas tradicionais da região.

Na estrada de volta para Windhoek, já no fim da viagem, sobrou tempo para uma trilha pesada até o topo do Waterberg Plateau, que fica na altura da cidade de Otjiwarongo. É agradável montar a barraca sobre a areia do deserto Kalahari, no acampamento do parque do Waterberg, e ter a vista da montanha colorida pelo sol ao amanhecer.

A parte mais interessante desse passeio, porém, são os javalis. Enquanto entrávamos na piscina do parque, uma dezena deles apareceu para brincar na borda. Eles ficam a menos de um metro de distância dos turistas, sem interagir, como se fôssemos da mesma espécie.

 


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