07/12/2018 às 10h36min - Atualizada em 07/12/2018 às 10h36min

Águas termais, serra, mar e ar europeu

A poucos quilômetros de estância hidromineral de Gravatal, turista encontra praia, montanha e redutos e alemão e italiano

FOLHAPRESS
Montanhas no vale do rio Capivari, em São Martinho, com o deck aonde chegam os turistas que fizeram a travessia pela tirolesa | Foto: Folhapress
Em uma localização estratégica, entre a serra e o mar, Gravatal é a capital catarinense das águas termominerais e possui um dos maiores complexos hidrominerais da região Sul. Há anos a cidade é um importante centro de relaxamento e tratamento de saúde. As cerca de 2.000 pessoas que vivem na região da cidade onde ficam as termas veem o local receber, nos meses de julho, até 50 mil turistas. O que atrai tanta gente é a água que brota do solo a 37°C e abastece quatro hotéis (Termas, Internacional, Cabanas e Termas do Lago) e um complexo aquático – pago – que pode ser frequentado pelos turistas que não estão hospedados nesses estabelecimentos.

E não é por acaso que essas termas recebem todo esse público. Em junho, em Foz do Iguaçu (PR), no festival Termatalia, que avalia a água mineral de várias cidades do mundo, a cidade reconfirmou o posto alcançado no ano passado na Espanha. Neste ano, a água gravataense ficou novamente em terceiro lugar entre as melhores do mundo.

Gravatal fica no centro da região Encantos do Sul, uma das 12 regiões turísticas em que é dividida Santa Catarina.
Os municípios vizinhos, repletos de atrações naturais, culturais, turísticas e gastronômicas, são parceiros da cidade, como explica o secretário de Turismo de Gravatal, Fabrício de Medeiros Medeiros. "Tratamos nossa cidade como um polo indutor. É importante que o turista que vem para a região conheça, além das atrações de Gravatal, tudo o que está ao nosso redor."

Em um raio de 100 km, a região pode oferecer frio e neve, na Serra do Rio do Rastro, vinho com indicação de origem, nos vales da uva goethe, em Urussanga, o litoral, com a histórica cidade de Laguna, e, em São Martinho, a colonização alemã. Em direção ao litoral, o maior atrativo é Laguna, que fica a 45 km de Gravatal. A cidade onde viveu Anita Garibaldi tem ruas estreitas de paralelepípedos e um preservado casario colonial português.

O museu Anita Garibaldi fica num prédio que começou a ser erguido em 1735 para ser o paço do Conselho, uma espécie de Câmara de Vereadores. Mas a maior atração arquitetônica da cidade é o farol de Santa Marta, com 29 metros de altura, e instalado sobre um morro de 45 metros, de onde se tem, obviamente, uma ampla visão do mar.

Uma atração curiosa em Laguna é observar os botos auxiliarem os pescadores na pesca da tainha. Com movimentos circulares, os botos agrupam os peixes e os encaminham para os pescadores. Quando o pescador lança a rede, algumas tainhas ficam presas e outras fogem, sendo mais facilmente capturadas pelos botos.

Cerca de 65 km a oeste de Gravatal fica a famosa Serra do Rio do Rastro, que começa a poucos metros de altitude, no município de Lauro Muller, e termina a 1.421 metros, já em Bom Jardim. O charme da espremida estradinha são suas incontáveis curvas. Ou melhor, não tão incontáveis. São 284, em 25 km.
A subida exige paciência, e, por vezes, como diz o secretário Medeiros, é possível enxergar a traseira do próprio carro de tão fechada que é a curva. Do mirante, no topo da estrada, vê-se todo o vale. E como toda a serra é iluminada, vale a pena esperar o anoitecer.
 
 ALEMÃES E ITALIANOS
Cidades exaltam herança de colonizadores
 

Cerca de 40 km ao norte de Gravatal fica São Martinho. O atrativo final do percurso é o restaurante Fluss Hauss, que começou, em 1996, fazendo biscoitos, mas cresceu tanto que mudou a vida da cidade de colonização alemã. Hoje, boa parte da população trabalha ali, seja decorando à mão os biscoitos, seja atendendo os cerca de 1.200 clientes que visitam o local aos fins de semana. Mas o Fluss Hauss pode ser só uma desculpa para uma viagem por verdes vales, em que bucólicas estradinhas de terra levam a lugares que parecem parados no tempo.

Se tiver coragem, embarque na tirolesa La Vista. São duas, uma com 400 metros de comprimento e outra com 300. Elas levam de um lado a outro do vale, cruzando o pequeno rio Capivara. Não tem coragem? Arranje! Ao passar por Vargem do Cedro pare na Geschäftshaus Feuser e bata um papo com o senhor José Feuser. Com sua singeleza, do alto de seus 88 anos, ele irá te contar tudo sobre o lugar onde nasceu e vive até hoje. E mostrar as cinco marcas de bitter que são fabricadas ali. A preferida dele é um pouco adocicada, mas há para todos os gostos.

Agora aponte seu carro para o sul e encontre um pedacinho da Itália no Brasil. De Gravatal a Nova Veneza são 80 km. Os primeiros imigrantes chegaram ao local onde ergueriam a cidade em 1891. Eram 400 famílias do norte da Itália. A italianidade continua no ar – 95% dos habitantes descendem de italianos.
A cidade possui um casario histórico bem conservado, e ainda estão de pé muitas das casas de pedras erguidas pelos primeiros moradores.

Os eventos mais importantes acontecem em junho. A Festa da Gastronomia representa bem a tradição dos colonizadores na "capital nacional da gastronomia típica italiana". Os restaurantes oferecem pratos típicos locais, adaptações da culinária do norte da Itália, como a fortaia, uma espécie de omelete com salame picado. É durante essa festa que acontece o Carnevale di Venezia, nos moldes do original, com muita música, máscaras e fantasias pelas ruas.

Nos quatro dias de celebração, a cidade de 14 mil habitantes recebe 100 mil turistas. Em finais de semana normais, 3.000 pessoas a visitam. Nova Veneza tem ainda um atrativo quase exclusivo. É uma das quatro cidades do mundo que receberam uma gôndola da prefeitura de Veneza –as outras são Toronto (Canadá), São Petersburgo (Rússia) e Pequim (China). Lucille, assim se chama, chegou em 2006 e fica ancorada em uma "piscina" na praça central, onde os turistas podem embarcar para fazer fotos.

Mas Susan Bortoluzzi Brogni, secretária de Turismo de Nova Veneza, tem outros planos. "Meu sonho é construirmos uma outra gôndola e um canal para que as pessoas possam navegar. Não será com a Lucille. Esta ficará preservada. É nosso patrimônio."
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