01/11/2018 às 08h01min - Atualizada em 01/11/2018 às 08h01min

Palmeiras dá adeus, e Libertadores terá final histórica entre Boca e River

Folhapress

(Divulgação/Palmeiras)

 A última final de Libertadores em dois jogos terá um dos maiores clássicos do mundo. Com o empate em 2 a 2 com o Palmeiras nesta quarta (31), no Allianz Parque, o Boca Juniors se classificou para enfrentar o River Plate na decisão. A primeira partida está marcada para a próxima quarta-feira (7), em La Bombonera. A volta será em 28 de novembro, mas a data pode ser mudada. A polícia de Buenos Aires quer adiar o confronto por causa da cúpula do G20 (reunião de países desenvolvidos e emergentes) que acontece na capital a partir do dia 30.

A partir de 2019, a final da Libertadores será disputada em jogo único, em estádio decidido com antecedência pela Conmebol. No próximo ano, será em Santiago, no Chile. Depois de perder por 2 a 0 a primeira semifinal, na semana passada, o Palmeiras precisava vencer por três gols de diferença para se classificar ou devolver o placar para levar a decisão para os pênaltis. 

Embora tenha criado chances para fazer os gols de que precisava, os brasileiros falharam na defesa, especialmente Luan e Felipe Melo, e não conseguiram terminar a partida sem serem vazados.
Luan e Gustavo Gómez (de pênalti), marcaram para o Palmeiras. Ábila e Benedetto anotaram para o Boca.
Benedetto repetiu a fórmula que já havia apresentado em Buenos Aires. Saiu do banco de reservas para fazer gol. Em Buenos Aires, foram dois. Em São Paulo, um.

O Palmeiras passou o jogo inteiro nervoso e correndo atrás do Boca. A irritação só aumentou depois que o árbitro colombiano Wilmar Roldán anulou (de maneira correta) gol de Bruno Henrique no início da partida, com ajuda do VAR. Ficou pior quando Ábila abriu o placar para os argentinos. A decepção foi tão grande que alguns torcedores que estavam no Allianz deixaram o estádio no intervalo. Foram xingados por quem estava fora da arena e não havia conseguido ingresso.

O Palmeiras não se acalmou nem quando conseguiu a virada que o deixou a dois gols da classificação. Quando Benedetto marcou, em lance que foi quase uma fotocópia do que havia feito em La Bombonera, o sentimento passou a ser de resignação. Com Deyverson no ataque e Lucas Lima na armação, a tendência do Palmeiras, principalmente no primeiro tempo, foi buscar a bola aérea. A única vez que deu certo foi quando chegou a Bruno Henrique na área, mas ele desperdiçou.

O Boca contava com a velocidade de Villa pela direita para incomodar e por causa disso chegou ao primeiro gol. A maior aposta era Pavón na esquerda, mas assim como havia acontecido em La Bombonera, ele teve atuação apagada.  Sobrou para o Palmeiras ser campeão brasileiro. Tem quatro pontos de vantagem na liderança, a sete rodadas do fim. No sábado (3), receberá o Santos.

O Boca Juniors tem a chance de chegar ao sétimo título e se igualar ao Independiente como maior campeão da Libertadores. O River Plate tem três conquistas. É a primeira vez que dois argentinos decidem a mais importante competição do continente. Será apenas a segunda final de torneios de expressão entre Boca e River na história.

Em 1976, decidiram o Campeonato Argentino, no estádio do Racing. Vitória do Boca, por 1 a 0.
O River Plate venceu o maior rival na Supercopa argentina deste ano, mas é um torneio de menor importância entre o campeão nacional e o vencedor da Copa do país. Será a terceira vez que se enfrentam em mata-mata da Libertadores, sempre envolvidos em polêmica.

O Boca Juniors se classificou na semifinal de 2004, nos pênaltis, dentro do Monumental de Nuñez, em jogo marcado pelo cartão vermelho mostrado a Carlos Tevez na comemoração do gol de sua equipe. Ele imitou uma galinha, apelido pejorativo do River Plate. Há três anos, o confronto foi pelas oitavas de final, e o River avançou em um jogo que não acabou.

Torcedor do Boca Juniors jogou gás de pimenta nos jogadores visitantes em La Bombonera, quando esses saíam do vestiário após o intervalo. Alguns não tinham condições de continuar em campo, e a Conmebol eliminou os donos da casa. O River Plate acabou campeão. Será também um confronto entre dois estilos. Sob o comando de Marcelo Gallardo, o River ganhou fama como uma equipe técnica, de toque de bola. O Boca Juniors chega à final com aplicação e luta, apesar de ter várias opções ofensivas.

Carlos Tevez, campeão da Libertadores pelo próprio Boca em 2003, passou os 180 minutos da semifinal contra o Palmeiras sentado no banco de reservas. Ele não tem boa relação com o técnico Guillermo Schelotto.
"Esta final vai parar o país. Quem ganha terá a glória. Quem perde, terá de aguentar o rival por muito tempo", disse Pablo Pérez após a partida.

PALMEIRAS
Weverton; Mayke, Luan, Gustavo Gómez, Diogo Barbosa; Bruno Henrique (Moisés), Felipe Melo (Gustavo Scarpa), Lucas Lima, Dudu; Willian (Borja), Deyverson. T.: Luiz Felipe Scolari

BOCA JUNIORS
Rossi; Jara, Izquierdoz, Magallán, Olaza; Barrios, Nández, Pérez (Gago); Villa, Ábila (Benedetto), Pavón (Zárate). T.: Gustavo Schelotto

Estádio: Allianz Parque, em São Paulo
Juiz: Wilmar Roldán (Colômbia)
Cartões amarelos: Felipe Melo, Luan, Gustavo Gómez e Deyverson (Palmeiras); Ábila e Pérez (Boca Juniors)
Gols: Ábila, aos 17min do primeiro tempo, e Benedetto, aos 25min do segundo tempo (Boca Juniors; Luan, aos 7min, e Gustavo Gómez, aos 15min do segundo tempo (Palmeiras)

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