20/08/2018 às 08h44min - Atualizada em 20/08/2018 às 08h44min

Com trilha, cachoeira e até fondue, Baturité se acha a Suíça cearense

Serra tem 12 cidades com clima ameno e outros atributos de destino de inverno

FOLHAPRESS

Praia de Beberibe 2 no estado do Ceará | Foto: Eduardo Anizell/Folhapress
A temperatura média de 21°C e o sol que não arde na pele desafiam a expectativa do turista que chega à Serra do Baturité (a 107 quilômetros de Fortaleza), destino de inverno de um Ceará que é mais conhecido pelo calor e pelas praias.
Na baixa temporada, quando até locais célebres como a Rota das Falésias, no leste do estado, estão mais vazios mesmo sob um sol de 30°C, é possível combinar o roteiro clássico à beira-mar com uma esticadinha à Suíça cearense.
A impressão é que você está em alguma cidadezinha na serra da Mantiqueira, como a paulista Santo Antônio do Pinhal ou Gonçalves, no sul de Minas Gerais. Em vez das araucárias, bananeiras e visgueiros dominam a paisagem.
As cidades do maciço do Baturité reúnem os principais atributos de um destino de inverno: trilhas, cachoeiras, chocolatarias, restaurantes alemães, italianos e de fondue.

São 12 municípios, quatro deles conhecidos por integrar a Rota Verde do Café, que celebra a cultura do grão, antigo carro-chefe da economia local: Guaramiranga, Pacoti e Mulungu, a cerca de 750 metros de altitude, semelhante à da capital paulista, e Baturité, a 135 metros.

No final do século 19, cerca de 2% da produção de café brasileira saía da serra cearense. As primeiras mudas chegaram em 1824, do Pará. Hoje, as principais fazendas produzem apenas pequenos lotes, vendidos aos turistas após os passeios.

O café de sombra, especialidade da região, é assim chamado por ser plantado sob a ingazeira, árvore de copa frondosa que atrai brocas e outras pragas e as mantêm longe dos grãos.
No Sítio Águas Finas, em Guaramiranga (rodovia CE-356, s/n), é possível agendar um passeio pelos cafezais às 10h, 12h e 14h todos os dias, por R$ 25. Francisco Uchôa, 72, representante da terceira geração da família à frente da fazenda, é quem mostra o plantio, a secagem e moagem dos grãos, vendidos já moídos a R$ 40 o quilo ou inteiros, a R$ 50.

A próxima parada é o Sítio São Luís (rodovia CE-253, s/n), na vizinha Pacoti, cercado por mata secundária. O Sítio São Luís fica na charmosa cidade de Pacoti, a seis quilômetros de Guaramiranga. A propriedade, da família Góes, tem ao menos 150 anos e recebe turistas para uma visita guiada (R$ 35 por pessoa) que termina à mesa.

Além do café, Cláudia Góes e suas filhas, Renata e Laura, servem pão, geleia, ricota e um bolo de café, receita antiga da família – tudo feito ali mesmo, na cozinha do sítio.
Para animar o ambiente, a matriarca seleciona seus boleros cubanos favoritos em discos de vinil. "Como moramos aqui, nós mesmos recebemos cada pessoa. A experiência é a de uma casa de avó, cheia de histórias da família e da região", diz Laura.

As cachoeiras, um dos principais atrativos da serra, ficam dentro de propriedades privadas. É preciso contratar um guia para visitá-las e pagar uma taxa de preservação, que fica entre R$ 3 e R$ 5.
O melhor momento para visitar o maciço de Baturité é durante a estação chuvosa, de janeiro a junho, quando as cachoeiras estão bem cheias. A partir de setembro as quedas d'água ficam mais secas.
Antes de viajar, vale consultar as redes sociais da Prefeitura de Guaramiranga, que disponibilizam o contato dos guias.

Uma das cascatas favoritas dos conhecedores é a do Cipó, em Baturité, com 30 metros de altura e acessível depois de uma trilha de 1,5 quilômetro um pouco exigente, conta Aline Oliveira, guia de turismo da cidade.
Quem tem bom condicionamento físico pode explorar a cachoeira Sítio São Paulo, na divisa entre Pacoti, Baturité e Guaramiranga. A trilha até ela tem 14 quilômetros – dez deles a pé, num percurso com subidas e descidas que leva uma hora e meia.

Já o turista que quer se refrescar sem grandes sacrifícios pode apostar na queda d'água do Perigo, a oito quilômetros do centro de Guaramiranga. A trilha leva dez minutos.
De volta à cidade, a pedida é conhecer a feira de artesanato, que funciona aos fins de semana na praça do Teatro Rachel de Queiroz (rua Joaquim Alves Nogueira, 696).
O centro de Guaramiranga ganha vida a partir de quinta-feira, quando a maioria dos turistas chega à cidade. Durante o resto da semana, boa parte das lojas fica fechada.

Por ali, o viajante pode experimentar a cozinha alemã do Hofbräuhaus (rua Joaquim Alves Nogueira, 538), com marreco recheado, purê de batata e repolho roxo (R$ 83), ou o spaghetti ao pesto com camarão (R$ 55) do Manjericão (estrada do Sítio Suzana, s/n), misto de restaurante, pousada e pesqueiro.

A única desvantagem de visitar a Serra do Baturité no meio do ano é perder o evento mais famoso de Guaramiranga, o Festival Jazz e Blues, que já recebeu João Donato e Hermeto Pascoal. Acontece na alta temporada – sempre durante o Carnaval.

Canoa Quebrada
Inverno no litoral tem menos chuva e praias mais vazias

Com o fim da estação chuvosa, de março a maio, média de 26°C e praias mais vazias, o inverno é uma boa época para visitar Canoa Quebrada, em Aracati (a 162 quilômetros de Fortaleza) e outras praias da Rota das Falésias, que se estende por oito cidades e 215 quilômetros no litoral leste do Ceará.
Via Fortaleza, o trajeto é feito pela rodovia CE-040, que ganhou o apelido de Rota do Sol Nascente. A estrada corta a restinga, pontuada por coqueiros e carnaubeiras. Mais perto do destino surgem cactos de palma, mandacarus e xique-xiques.

Chegando lá, o turista mais animado pode passear de parapente (R$ 150) ou fazer uma aula de kitesurf (R$ 150/hora). O esquibunda sai por R$ 8, e a tirolesa, R$ 10. Nesta, a queda é de 300 metros do topo da duna e termina em uma das lagoas de água doce, resultado da mistura de água da chuva com lençóis freáticos.

O esquibunda e a tirolesa acontecem durante o passeio de buggy (R$ 180 para três pessoas, R$ 240 para quatro).

Em Canoa Quebrada, vale almoçar com vista para o mar. Experimente especialidades locais como a lagosta, com salada, arroz branco e batata frita (R$ 130, para dois) ou a moqueca de arraia (R$ 34), com caipirinha (R$ 5), cerveja (R$ 8) ou água de coco (R$ 4).

O buggy volta à cena na hora de visitar as falésias da região, que batem em 30 metros (ou um prédio de dez andares).
Encare os 83 quilômetros (via CE-040) que separam Canoa da Praia das Fontes, já na cidade de Beberibe, para percorrer de buggy pela praia os 13,5 quilômetros até Morro Branco, cheios de falésias.

O pôr do sol ali é uma atração, mas lembre-se de que a temperatura cai bastante assim que começa a escurecer. De volta à Canoa Quebrada, termine a noite em um dos bares ou restaurantes da Broadway, rua fechada para carros que concentra boa parte do comércio local. Na baixa temporada, o fervo por ali é menor que no verão – os bares desce