13/08/2018 às 11h09min - Atualizada em 13/08/2018 às 11h09min

Ariano Suassuna, Clarice Lispector e Manuel Bandeira conduzem roteiros pelo Recife

Programa da prefeitura oferece passeios baseados em escritores que nasceram ou viveram na cidade

FOLHAPRESS

Rio Capibaribe em Recife
Cresce o número de interessados em tours literários no Recife. Segundo dados da prefeitura, nos últimos seis meses, aumentou em 30% o total de turistas inscritos em passeios ligados à vida e à obra de escritores que nasceram ou viveram na cidade.

Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Ariano Suassuna e Gilberto Freyre, por exemplo, são temas de roteiros oficiais e gratuitos, que acontecem uma vez por mês como parte do programa Olha!Recife  (olharecife.com.br).
Segundo Bráulio Moura, gerente de projetos turísticos da Secretaria de Turismo do Recife, a programação até o fim do ano já foi decidida. Neste mês, por exemplo, o roteiro seguirá os passos do poeta Ascenso Ferreira (1895-1965) pela cidade. Em setembro, será a vez do também poeta Carlos Pena Filho (1928-1960) e em outubro, a de Manuel Bandeira (1886-1968).
"É uma maneira de as pessoas se apropriarem da cidade a partir da literatura e criarem uma relação afetiva, para gerar preservação", diz Moura.

Alguns pontos estão abertos para visitação também fora dos passeios. O sobrado número 263, da rua da União, casa do avô de Bandeira, onde o poeta passou a infância, por exemplo, virou o Espaço Pasárgada.
De segunda a sexta, sempre das 9h às 15h, o visitante pode visitar a biblioteca do local, que conta com manuscritos e edições originais dos livros do escritor. Ainda há uma curiosidade exposta: os óculos que pertenceram a Bandeira.
"...Rua da União / Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância / Rua do Sol / Tenho medo que hoje se chame do Dr. Fulano de Tal / Atrás de casa ficava a rua da Saudade, onde se ia fumar escondido..."
O trecho, do poema "Evocação do Recife", é um passeio pela cidade da infância do poeta, ainda desconhecida por boa parte dos recifenses. Na rua da Aurora, pertinho da rua da União, a estátua de Manuel Bandeira foi fincada à beira do rio Capibaribe.

Já no passeio guiado pela prefeitura, que conta com atores, os turistas ainda passam pela casa onde o escritor nasceu, na avenida Joaquim Nabuco, no bairro da Capunga. Hoje, o imóvel, que já foi um bar, funciona como anexo de uma universidade particular.
O passeio acaba na rua São Francisco de Paula, no bairro da Caxangá, onde há casarões do século 19. Vale a visita ao ateliê de esculturas do artista Genézio Gomes. Foi nessa via que Bandeira diz, também em "Evocação do Recife", ter tido o seu primeiro alumbramento.
"...Lá longe o sertãozinho de Caxangá / Banheiros de palha / Um dia eu vi uma moça nuinha no banho / Fiquei parado e o coração batendo / Ela se riu / Foi o meu primeiro alumbramento..."

No centro do Recife, na esquina da rua do Aragão com a travessa do Veras, fica o sobrado antigo de número 387, onde Clarice Lispector (1920-1977) viveu dos 2 aos 14 anos, quando sua família se transferiu para o Rio de Janeiro. O imóvel, fechado para visitação, pertence à Santa Casa. No ano passado, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) abriu um processo para tombamento da casa, que ainda não tem previsão para ser concluído. Há apenas uma placa indicando que ali morou, entre 1925 e 1937, uma das escritoras mais importantes do modernismo brasileiro.
Há outras duas marcas de Clarice Lispector no Recife. A praça Maciel Pinheiro, em frente ao sobrado, abriga uma estátua dela com uma máquina de escrever no colo. A escola pública Ginásio Pernambucano, na rua da Aurora, onde ela estudou, recebe visitantes.

Gilberto Freyre (1900-1987), autor de "Casa Grande e Senzala", ganhou um roteiro caprichado. Aos sábados, sempre às 20h, há um passeio noturno de catamarã pelas águas do rio Capibaribe, cujo percurso é baseado em sua obra "Assombrações do Recife Velho".

A excursão dura aproximadamente uma hora e meia. Os ingressos custam R$ 60 para adultos e R$ 10 para crianças de até dez anos. Há cem vagas.
"O Recife tem um potencial muito grande para contar histórias. Temos patrimônio histórico espalhado por tudo que é canto. A gente precisa se apropriar disso para que a próxima geração possa usufruir melhor. O bairro do Recife, por exemplo, é um museu a céu aberto", diz Gilberto Freyre Neto, coordenador-geral de projetos na Fundação Gilberto Freyre.

Também há um passeio em homenagem a Ariano Suassuana (1927-2014), que tem início no Teatro Arraial, na rua da Aurora, inaugurado pelo escritor em 1997, quando exercia o cargo de secretário de Cultura na terceira gestão do governador Miguel Arraes.
De lá, os turistas podem conhecer o parque de Santana, que hoje leva o seu nome. Ao lado, na rua do Chacon, no Poço da Panela, fica a casa onde Suassuana morou com sua mulher, Zélia, até a morte dele. Do portão de ferro, é possível avistar obras de arte no quintal.

No Recife, há ainda o Circuito da Poesia. São 17 estátuas de bronze de vários poetas, escritores e músicos espalhadas por toda a cidade.

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