30/01/2018 às 18h01min - Atualizada em 30/01/2018 às 18h01min

Inhotim tem choro e bebê barrado após exigir vacina contra a febre

JOANA SUAREZ | FOLHAPRESS

Há cinco meses em Belo Horizonte, o casal de contadores chilenos Cláudia Rivera, 29, e Pablo Zamba, 30, resolveu conhecer o Instituto Inhotim, em Brumadinho (na região metropolitana), na quarta-feira (24), dia em que a entrada é gratuita.

Eles percorreram 60 km de carro, mas tiveram que voltar para casa frustrados. A vacina contra febre amarela que eles tomaram no dia anterior ainda não dava imunidade nem permissão para que eles visitassem o parque.

A direção do instituto começou a cobrar dos visitantes o cartão de vacinação na última semana, por recomendação do governo, agora que Minas Gerais contabiliza, de julho do ano passado até esta terça-feira (30), 81 casos confirmados com 36 mortes. Outras 208 suspeitas estão sob investigação.

Quatro parques da capital mineira estão fechados. Além disso, o zoológico também só deve ser reaberto no dia 2, já com a cobrança de vacina.

Apesar da recomendação do governo estadual, Inhotim decidiu não fechar, mas exige a imunização dos visitantes. Funcionários verificam o cartão de vacina ainda no estacionamento do museu - é obrigatório que a pessoa tenha se vacinado pelo menos dez dias antes da visita.

"Não sabíamos disso. Tivemos um gasto para vir, é ruim ter que ir embora", disse o chileno, que não aceitou o repelente que o museu fornecia ao público.

A psicóloga Bianca Ritchely Soares, 21, levou a filha Angelina, de cinco meses, para o museu. A mãe estava vacinada, mas não pôde entrar porque a filha não estava protegida da doença -crianças com menos de seis meses não devem receber a vacina.

As duas esperaram na porta enquanto a cunhada e a sogra conheciam o parque, que tem área de 140 hectares e 23 galerias de arte. A maioria das pessoas, porém, chegava com a vacina em dia. "A medida é educativa também, aqui é uma região de risco, é para prezar pela segurança de todos", disse o diretor de operações do instituto, Gustavo Ferraz.

A carioca aposentada Dilce da Silva, 62, foi embora chorando. Ela voltou para a casa de uma amiga mineira, enquanto a filha e a neta foram conhecer o parque. "Não queria estragar o passeio, realmente não tomei a vacina. Quando li a placa com o aviso fiquei apavorada."

A turma que estava com Dilce também não tinha o cartão, mas todas eram vacinadas e puderam entrar.

Nesses casos, quando o discurso é coerente, funcionários do parque liberam a entrada após a pessoa assinar um termo de responsabilidade garantindo ter se vacinado há mais de dez dias. Na quarta, 112 pessoas recorreram ao termo em Inhotim e 24 foram barradas, num total de 1.185 visitantes.

A última morte por febre amarela em Brumadinho foi confirmada no domingo (21). A cidade tem 39 mil habitantes, 90% deles já imunizados. A vítima mais recente foi o trabalhador rural Joaquim Pedro de Carvalho, 54. Para a filha dele, Michele Rosa de Carvalho, 34, ele não se vacinou por teimosia. "Médico, para ele, era só nas últimas mesmo. Essa doença faz um estrago, só quem passa sabe, é tudo que você imaginar de ruim".
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