21/01/2018 às 05h59min - Atualizada em 21/01/2018 às 05h59min

As Cataratas de dois lados da fronteira

Trecho brasileiro oferece a vista mais privilegiada, mas parte argentina concentra melhores trilhas

NAIEF HADDAD E VANESSA ALVES BAPTISTA | FOLHAPRESS
Parque brasileiro do Iguaçu recebeu 1,78 milhão de visitantes em 2017, batendo recorde de público / Foto: Cláudio Gonçalves/Folhapress

Escolhida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1984, as cataratas do Iguaçu são um espetáculo assombroso, como todos nós, brasileiros, sabemos. Ou quase todos.

O que mal se fala no restante do país é que dois terços das quedas d’água estão no território da Argentina. E só 20% dos brasileiros que visitam a nossa porção das cataratas deslocam-se para o parque do país vizinho.

Esse índice baixo é reforçado pela configuração dos pacotes de viagem das empresas nacionais, que costumam oferecer apenas visitas ao lado brasileiro.

Engana-se quem acredita que basta ver uma das faces para contemplar toda a dimensão da paisagem. São passeios complementares.

IGUAÇU

O trecho brasileiro oferece número pequeno de trilhas, sendo a mais popular a das cataratas, com 1,2 km. O percurso inclui subida e descida, ambas moderadas.

Nesse caso, a expressão gran finale se justifica. Depois de se molhar um número incontável de vezes ao longo da passarela, o visitante chega ao último mirante, bem diante da Garganta do Diabo, o ponto que divide o Brasil da Argentina.

Em formato de U invertido, é a mais potente das quedas d’água, com 80 m de profundidade e 150 m de largura.

A visão mais sublime fica por conta da imensa nuvem de vapor de água, que se forma com o impacto da queda de cerca de 1.500 m³ por segundo sobre o cânion.

Mas Iguaçu não se resume à garganta, o que nos leva a um trunfo do parque brasileiro. É esse lado que oferece a melhor vista panorâmica dos 2,7 km pelos quais se estendem as cataratas. Em nenhum outro ponto da região compreende-se tão bem por que os tupis-guaranis batizaram o rio como Iguaçu, que significa água grande.

Para evitar transtorno das filas na recepção principal e risco de trilhas lotadas, o ideal é evitar os meses de alta temporada (dezembro, janeiro, fevereiro e julho).

O parque brasileiro recebeu 1,78 milhão de visitantes em 2017, batendo recorde de público. Para quem pretende ver o Iguaçu em plena cheia e não se importa com filas, o verão é a melhor estação.

IGUAZÚ

Na Argentina, o Parque Iguazú também alcançou em 2017 seu recorde, com mais de 1,42 milhão de visitantes.

Entre as principais vantagens do lado argentino estão a incidência menor de aglomerações, a proximidade entre passarelas e cachoeiras e a extensão e variedade das trilhas. Considere esses dois últimos pontos para reservar ao menos um dia inteiro para conhecer o Parque Iguazú.

Os guias costumam recomendar que, ao chegar ao local, o turista já embarque no Trem da Selva, que leva cerca de meia hora para alcançar a face argentina da Garganta do Diabo. A não mais que 18 km/h, o trem permite a contemplação da floresta ainda bem preservada.

Deste lado, a vista da Garganta é também fascinante. Há, porém, uma diferença expressiva em relação ao parque brasileiro: o mirante do país vizinho fica em uma posição mais alta, o que permite, por exemplo, boa observação das centenas de pássaros que, em grande velocidade, atravessam as cascatas.

Ao desembarcar do trem, não deixe de percorrer os circuitos superior e inferior do Iguazú. Formado por seis mirantes, o superior começa em águas calmas até alcançar belas cachoeiras, como a Bossetti, ao longo de 1,2 km. Já o inferior se estende por uma distância maior (1,6 km). Em ambos, as passarelas são suspensas. São dois passeios sobretudo de contemplação.

Bem diferente é a incursão promovida pela empresa Iguazú Jungle até o pequeno porto de Macuco, ao qual se chega de caminhão.

De lá partem grandes lanchas que navegam o rio Iguaçu por cerca de 6 km. O ápice do passeio se dá quando a embarcação corta cachoeiras de intensidade média esqueça a Garganta do Diabo.

O giro é uma sucessão de paisagens de cartão-postal. A experiência visual, contudo, tem um limite. Mal se vê o que há pela frente quando a lancha avança sob as cataratas. É hora de sentir as águas dos pés à cabeça.

Na embarcação, os equipamentos de segurança estavam em ordem, e a equipe transmitia orientações claras aos turistas. No lado brasileiro, há um passeio equivalente, o Macuco Safari.
 
ROTEIRO FORA D'ÁGUA

Atrações da região vão além das quedas d’água

Depois de se molhar nas cataratas tanto do lado brasileiro quanto do argentino, quem ficar mais dias em Foz do Iguaçu (PR) pode se programar para outras atrações na cidade.

Conheça sete opções de passeios que misturam natureza, história e aventura. Se a ideia é fazer compras, a vizinha Ciudad del Este, no Paraguai, é uma boa opção.

PARQUE DAS AVES

Fica bem em frente ao Parque Nacional do Iguaçu. Por isso, pode ser combinado com uma ida às cataratas.

É um refúgio de mata atlântica com diferentes bichos, como guarás, tucanos, araras, borboletas, jacarés, cobras e flamingos.

No ano passado, foram abertos aos visitantes o "berçário" e outras duas atrações: o Forest Experience, um encontro no pôr do sol com índios guarani (R$ 250 por pessoa, com jantar) e o Backstage Experience (R$ 200 por pessoa, para conhecer os bastidores e alimentar filhotes).

A entrada para o parque, que funciona das 8h30 às 17h, custa R$ 45 (inteira) e R$ 22 (meia); crianças de ate oito anos não pagam.

USINA DE ITAIPU

Dependendo da disponibilidade, pode ser uma visita de um dia inteiro. Há muita coisa para ser vista, um ponto bem longe do outro, mas com transporte de ônibus entre eles.

Uma opção é visitar o refúgio biológico (com suas onças-pintadas e floresta), o polo astronômico, o Ecomuseu, o passeio de catamarã no lago de Itaipu (se for no pôr do sol, melhor) e a iluminação noturna da barragem.

O chamado circuito especial ou técnico (R$ 82 por pessoa) leva o visitante, munido de um capacete, ao interior da usina.

É a hora de se sentir pequeno diante das imensas paredes de concreto no subsolo e de ficar com um pé no Paraguai e outro no Brasil na sala de comando, onde brasileiros e paraguaios dividem tarefas separados por uma fronteira simbólica.

Para ultrapassar a marca de 1 milhão de visitantes em 2018 (no ano passado, foram cerca de 980 mil pessoas), a usina planeja um novo espetáculo de luzes e um teleférico sobre o lago.

HELICÓPTERO

O passeio mais curto dura dez minutos e custa R$ 430 por pessoa. É a chance de fazer fotos e vídeos de diferentes ângulos da Garganta do Diabo, a principal queda d'água das cataratas.

Já o passeio de 30 minutos sobrevoa, além das próprias cataratas, os rios Paraná e Iguaçu, o Marco das Três Fronteiras e Itaipu.

O heliponto fica próximo à entrada do Parque Nacional do Iguaçu e funciona das 8h30 as 17h30, todos os dias da semana.

MARCO DAS 3 FRONTEIRAS

Reaberto há um ano, o local as margens dos rios Iguaçu e Paraná tem um mirante de onde se avista a Argentina e o Paraguai e se contempla o pôr do sol.

Ganhou uma reprodução das missões jesuíticas do século 16, um parquinho para as crianças, uma fonte luminosa que envolve o obelisco com as cores do Brasil e um espetáculo de dança.

O ingresso custa R$ 18. Funciona das 10h as 23h.

TEMPLO BUDISTA

É um bom lugar para dar uma pausa na viagem. Fica num ponto alto da cidade, de onde se pode ter uma vista do centro de Foz e de Ciudad del Este (no Paraguai).

O mais bonito do lugar é o jardim, com mais de uma centena de estátuas douradas, voltadas para o poente, e um Buda de sete metros de altura.

A entrada é gratuita. Funciona de terça a domingo, das 9h30 as 16h30.

MUSEU E VALE

Para quem já visitou museus de cera no exterior, o de Foz do Iguaçu, chamado de Dreamland, pode decepcionar pelo tamanho e pela qualidade de algumas das esculturas de gente famosa.

Por outro lado, em outros países vai ser difícil achar um boneco que é a cara do Mussum para fazer selfie.

A visita pode ser combinada, se houver crianças, a um passeio no Vale dos Dinossauros, que fica ao lado.

COMPRAS

Ciudad del Este, no Paraguai, é uma espécie de supermãe da rua 25 de Março, em São Paulo. Não fica em Foz do Iguaçu, mas para chegar é só atravessar a ponte da Amizade. Há camelôs e lojas grandes com estandes de marcas famosas e caras.
 
PACOTES

R$ 695
Três noites em Foz do Iguaçu, por pessoa, com café da manhã e passagem aérea. Também inclui visita às cataratas brasileiras (sem ingresso) e à hidrelétrica de Itaipu. Na flytour: flytour.com.br
 
R$ 926
Quatro noites em Foz do Iguaçu, com café da manhã, visita às cataratas nos lados brasileiro e argentino e à hidrelétrica de Itaipu Binacional (sem ingressos para as atrações), além de tour para compras na Argentina e traslados. Valor por pessoa. Sem passagem aérea. Na Flot Viagens: flot.com.br
 
R$ 1.154
Três noites em Puerto Iguazú, com café da manhã. Preço para duas pessoas, sem passagem aérea. Na Litoral Verde: litoralverde.com.br
 
R$ 1.538
Três noites em Foz do Iguaçu, com aluguel de carro, café da manhã e passagem aérea inclusos. Na Submarino Viagens: submarinoviagens.com.br
 
R$ 2.400
Quatro noites em Foz do Iguaçu por pessoa, com hospedagem e café da manhã. Inclui passagem aérea. Na Expedia: expedia.com.br
 
R$ 2.710
Pacotes de quatro noites em Foz do Iguaçu por pessoa, com café da manhã. Inclui passagem aérea. Na Expedia: expedia.com.br
 
R$ 3.960
Pacote de cinco noites em Puerto Iguazú, com café da manhã. Inclui visita às cataratas argentinas e passeio no Parque Nacional Iguazú, além de tour para compras e um almoço. Preço por pessoa. Com passagem aérea. Na R17 Viagens: r17viagens.com.br
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