26/11/2017 às 05h26min - Atualizada em 26/11/2017 às 05h26min

Conheça as vinícolas de Bordeaux

Propriedades se abrem para hóspedes ávidos pela experiência de conhecer onde são feitos os vinhos mais cobiçados

NÁDIA JUNG | FOLHAPRESS

A rotina se repete por três semanas entre o fim de setembro e o início de outubro. Às sete da manhã, cerca de 300 homens e mulheres de diferentes nacionalidades tomam café da manhã e rumam em direção aos vinhedos do Château Pontet-Canet, em Paulliac, no coração de Bordeaux, para iniciar a colheita das uvas cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e petit verdot, que serão usadas na produção de um dos mais cobiçados vinhos tintos da atualidade (uma garrafa da safra 2015, hoje, sai por € 120, cerca de R$ 455).

Ao meio-dia, o grupo para por uma hora para almoçar e descansar antes da segunda parte da jornada, que se estende até as 17h. A ordem é colher cachos intactos e desprezar aqueles com uvas podres ou pequenas.

"A gente tem de prestar atenção", diz Maria do Céu, portuguesa que viaja nove horas de ônibus desde o Alentejo para participar da colheita em Bordeaux. Ela recebe cerca de € 1.300 (R$ 4.953) pelas três semanas de trabalho.

As vinícolas têm dificuldade de contratar franceses, que reclamam do trabalho árduo. Empregam estrangeiros, em especial da península Ibérica e do leste europeu.

Das videiras, as uvas são enviadas a uma sala de triagem sob o olhar de Alfred Tesseron, dono da propriedade. Nessa etapa, as frutas colhidas passam por uma mesa sobre a qual cerca de 20 homens e mulheres se debruçam para escolher as melhores.

O vinho ficará por até 20 meses em barris de madeira para ganhar complexidade.

Geadas em abril, em Bordeaux, prejudicaram o florescimento das videiras e fizeram com que produtores temessem por uma safra ruim e perdas milionárias.

O tempo quente e seco do verão, no entanto, trouxe esperança de safra boa e de rendimentos não muito baixos. "Devemos ter um bom ano", diz Tesseron. Ele comanda o primeiro château de Bordeaux classificado a receber a certificação oficial como biodinâmico: significa que a produção evita pesticidas e observa o calendário lunar para o cultivo das uvas, que ganham mais força na lua cheia.

Desde 2008, a família Tesseron usa cavalos para arar o solo, evitando a compactação de terra e permitindo que as vinhas se enraízem mais.

O Château Pontet-Canet, cujas origens datam de 1725, tem ganhado a atenção dos enófilos depois que o principal crítico do mundo, o americano Robert Parker, concedeu a nota máxima ao vinho da casa da safra 2010 -custa mais de R$ 800 a garrafa.

Com os chineses liderando a demanda por vinhos da região e a maior facilidade de acesso graças a uma nova linha de trem que liga Bordeaux e Paris em duas horas, as vinícolas vêm ampliando sua estrutura para oferecer visitas guiadas a interessados em descobrir cada passo da vinificação e receber hóspedes.

O enófilo pode acompanhar a colheita, degustar vinho, passear pelas terras e até dormir em meio a vinhedos.

Por o equivalente a R$ 171 você visita o Château Mouton Rothschild, um dos mais reputados, e degusta seu vinho, um dos mais famosos e caros do mundo. Outras propriedades menos disputadas recebem visitantes sem custo. Basta procurar o importador do vinho no Brasil e verificar se ele pode agendar a visita.

 

VINHO E ARTE

Cresce oferta de leitos dos châteaux para turistas

Em cinco anos, a oferta de leitos dos châteaux em Bordeaux cresceu 10% ao ano: pouco mais de 300 disponibilizam quartos aos turistas.

O principal vinho do Château Mouton Rothschild, como dita a tradição local, é resultado de uma mescla de uvas tintas, com destaque para a cabernet sauvignon, a cabernet franc e a merlot.

Em 2006, em um leilão nos EUA, 12 garrafas da safra 1945, considerada uma das melhores da história em Bordeaux, foram vendidas por cerca de 1 milhão de reais.

Desde aquela data, quando celebrou a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial com um "V" de vitória estampado na garrafa, a vinícola contrata a cada safra um artista para ilustrar seus rótulos. Salvador Dalí assinou o da safra 1958, Picasso desenhou o rótulo da safra 1973 e David Hockney, o da colheita de 2014.

Além dos vinhedos e da adega em que repousam milhares de garrafas, o château abriga um museu de arte em que estão expostos os originais dos mais de 70 anos de arte estampada nos rótulos, além de outros itens colecionados pelo barão Philippe de Rothschild, principal responsável por elevar a vinícola a uma das melhores da região e bisneto do barão Nathaniel de Rothschild, integrante da família inglesa de banqueiros que comprou a propriedade no século 18.

Para visitar os vinhedos, o museu e degustar alguns dos vinhos, em um percurso de até três horas, é preciso agendar pelo site (http://www.chateau-mouton-rothschild.com). Aconselha-se a fazer com antecedência de duas a três semanas.

As visitas em geral são feitas em grupos. A maioria dos guias fala inglês e francês. Como os chineses já respondem por 2% das vinícolas bordelesas e chegam a comprar 30% da produção anual de uma propriedade, alguns guias já começam a aprender mandarim.

Dormir nas vinícolas é outra opção para o enófilo, que pode tomar café da manhã olhando os vinhedos e os castelos em que os proprietários das vinícolas moram.

 

PACOTES*

€ 720 (R$ 2.795)

Cinco noites de viagem pelas regiões de Loire e Bordeaux. Sem aéreo ou passeios, com aluguel de carro. Na Venice Turismo: veniceturismo.com.br

 

R$ 3.376

Valor para cinco noites em quarto duplo no hotel Premiere Classe, em Bordeaux. Preço por pessoa, com aéreo. Não inclui refeições ou passeios. Na Submarino Viagens: submarinoviagens.com.br

 

R$ 4.361

Cinco noites em Bordeaux, por pessoa, com aéreo de ida e volta de São Paulo. Inclui passeios para as cidades de Saint Emilion e Médoc, com degustação de vinhos. Na Hotel Urbano: hotelurbano.com

 

R$ 4.657

Quatro noites em Bourdeaux, por pessoa, em hotel três estrelas. Inclui passeio a Médoc e visita a vinícolas. Com aéreo de ida e volta de São Paulo. Na Trade Tours: tradetours.com.br

 

R$ 5.800

Valor por pessoa para três noites em apartamento Le Cheverus no centro de Bordeaux. Com aéreo, não inclui refeições ou passeios.

Na Expedia: expedia.com.br

 

€ 1.990 (R$ 7.720)

Preço por pessoa para quatro noites em Bordeaux. Com excursões a Médoc e Saint Emilion, sem aéreo. Na Stella Barros: stellabarros.com.br

 

€ 2.500 (R$ 9.700)

Quatro noites para casal em Bordeaux, sem aéreo. Passeios para Médoc, Saint Emilion e Cognac. Na Tereza Ferrari: terezaferrariviagens.com.br

 

*Saídas de São Paulo

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