08/08/2017 às 05h50min - Atualizada em 08/08/2017 às 05h50min

Vida longa ao Fundinho Festival

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Imagem do show de Guitar Slim Jr., convidado de Maurício Winckler na noite de sábado / Foto: Roberto Chacur/Divulgação

 

Como diz o título de uma música de Guitar Slim (1926-1959), “When there´s no way out”, parece que “não tem saída” (em tradução livre) para os produtores do Fundinho Festival – Jazz e Blues a não ser seguir com ele. O evento levou a dois palcos montados na praça Clarimundo Carneiro, na sexta (4) e no sábado (5), doze atrações em 12 horas de música. A repercussão é das melhores e a praça, literalmente, ficou pequena para tanta gente.

Não é por acaso que cito Guitar Slim para iniciar este texto. Seu filho, o guitarrista Guitar Slim Jr., direto de Nova Orleans, foi o responsável pelo fechamento do festival ao lado da banda composta por talentos locais: Maurício Winckler e Beto Rosa (guitarras), Marco Langoni (baixo) e Alex Mororó (bateria). Nos teclados, Jan Clements, que veio com Guitar Slim Jr.

O músico bem que tentou interagir bastante com a plateia que nem sempre conseguia responder à altura, mas o show foi intenso e, como não poderia deixar de ser em se tratando de blues, também um pouco triste. “I miss my baby” (sinto falta da minha garota), dizia Guitar Slim Jr. entre uma e outra música. Sua garota, no caso, sua guitarra, infelizmente foi extraviada durante a viagem, e quem acompanha sabe a falta que faz o próprio instrumento para o músico. Mas Slim Jr. não decepcionou e ainda prometeu que quando voltasse falaria mais português.

A reportagem acompanhou os shows entre 19h e 23h do sábado, chegando em meio ao show de Renato Consorte Quarteto (SP), e o som ainda chegava timidamente aos nossos ouvidos. Na chegada, a dificuldade para locomoção no meio de tanta gente. Segundo os organizadores, nos dois dias passaram pelo festival cerca de 10 mil pessoas. O interessante era que esse caminhar era marcado por encontros de amigos, colegas e conhecidos que não se viam por longa data, o que tornou o percurso agradável. Vale lembrar que os horários dos shows foram cumpridos à risca, sem atrasos.

Quando começou o show do Trítono Blues (SP), o som invadiu em cheio a praça e colocou todo mundo para dançar com clássicos de Ray Charles emendados a outros sucessos. Também de São Paulo, Bina Coquet Trio levou até funk para o blues. Comentavam que estão acostumados a apresentações acústicas e mais intimistas e que não haviam ainda tocado para tanta gente.

E essa gente se acomodava de várias formas. Os mais prevenidos levaram banquinhos, cangas, cadeiras e até coolers com comida e bebida para ficar mais tempo sem ter que ir à área de alimentação ou sair do lugar. Para quem levou as crianças o difícil era não sair do lugar, afinal, mesmo com a praça lotada a maioria delas queria mesmo era correr, aproveitar o espaço e algumas até subiam em árvores.

A diversidade do público foi destaque. Pessoas de todas as idades e classes sociais; adeptos do blues e do death metal. Tinha de tudo um pouco ali, em uma convivência pacífica. Algo que resume bem o evento é que a boa música é universal e conversa com todo mundo disposto a ouvir. Não importa se você toma o vinho Canção na garrafa ou um Miolo em taça de cristal, como presenciamos, o que vale é participar.

Como todo evento desse porte, alguns ajustes seriam bem-vindos, como guias para formação das filas na área de alimentação e uma distância menor entre o palco Museu e o público. O Fundinho Festival demorou quatro anos para sair do papel, esperamos que uma segunda edição não demore tanto tempo.


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