02/08/2017 às 13h58min - Atualizada em 02/08/2017 às 13h58min

Criações valorizam a mulher versátil

Com a Alexandrino, Rayza Carvalho aposta em peças atemporais que vão de encontro à diversidade feminina

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Depois de uma longa temporada nos Estados Unidos Rayza Carvalho decide investir na própria loja em Uberlândia / Foto: Adreana Oliveira

 

Esqueça as separação das estações. Esqueça o que dita o mercado. A Alexandrino é uma marca que tem de tudo. Segundo sua criadora, Rayza Carvalho, não está nos seus planos trabalhar com coleções ou peças específicas. "Eu gosto de trabalhar aqui com peças bem limitadas. O que não significa que seja caro. O limitado quer dizer que tem uma peça de cada numeração, fica algo mais exclusivo. Assim diminui a chance de sair e encontrar uma pessoa com uma roupa igual à sua", explica a empresária que abriu sua loja em Uberlândia na última segunda-feira (31).

Esse pensamento combina com outro diferencial da marca. As peças atendem a um público bem amplo, às mulheres que saem daquele padrão que estampa os editoriais de moda sempre altas e magras naqueles manequins distantes da realidade da maior parte das mulheres, brasileiras ou não. "Minhas peças atendem ao perfil da mulher Alexandrino, que é bem amplo. Tenho clientes desde meninas mais jovens, descoladas que querem uma roupa over sized ou um top, até a mulher mais madura, que requer um pouco mais de requinte", afirma Rayza que afirma que uma de suas maiores clientes é avó, dona Ophélia Pereira Garcia.

Para Rayza é importante não ter pré-determinado um tipo de mulher para atender. Ela pensa as suas peças como composição para o próprio guarda-roupa. Nas araras espalhadas pela charmosa loja na avenida Getúlio Vargas, é perceptível essa diversidade. Cada uma delas pode ser encaixada em algum momento, alguma ocasião e até mesmo ao humor do dia.

Peças que lembram os moletons que usamos mais em casa ou na academia ganham uma nova versão em um veludo leve e colorido que compõe um look street style que ganha cada vez mais espaço também nas passarelas. Da mesma forma, há poucos passos dali, vestidos com delicados bordados para um evento social como casamento ou formatura ou peças como caças jeans e blusas em couro que compõem um casual chique para o dia a dia.

"São peças atemporais que quero trabalhar cada vez mais aqui para que cada vez que a cliente venha tenha algo novo que complemente o que ela tem no guarda-roupa. Não quero me prender às estações como verão ou inverno. Estamos no inverno aqui mas é verão no hemisfério Norte e de repente a pessoa está buscando uma peça para viagem", explica.

A liberdade para trabalhar as criações vem desse desprendimento, o que significa que em qualquer época do ano é possível encontrar roupas voltadas para qualquer estação, o que ajuda à mulher dinâmica que não se prende a uma ou outra tendência na hora de montar seus looks. "Tudo na minha marca é pensando no dia a dia da mulher. Não importa o que você faça, se está atrás da mesa de um escritório, se vai buscar os filhos na escola, se vai a uma festa ou encontrar com as amigas em uma festa. Penso em roupas que sejam funcionais para elas", disse.

Além da loja recém inaugurada em Uberlândia, as roupas Alexandrino estão em lojas no Rio e em São Paulo.

 

MADE IN UDI

Talentos locais ajudam na produção com qualidade

Rayza Carvalho tem 27 anos, nasceu nos Estados Unidos mas passou grande parte da adolescência em Uberlândia. De família tradicional na cidade, com o nome de sua grife, Alexandrino, ela homenageia o bisavô, Alexandrino Garcia, pioneiro nas telecomunicações na região central do Brasil.

Dos 16 aos 26 anos ela morou em Los Angeles, onde fez faculdade de Desenvolvimento de Produto e Marketing no Fashion Institute Design e Merchandise. Há um ano ela voltou para Uberlândia para montar a sua confecção. Do mercado estadunidense ela traz toda a inspiração para criação e para os negócios.

"Voltei para começar uma nova fase do trabalho e com possibilidades de voltar para lá, nunca se sabe. A decisão de mudança foi por questão de produção, de mão de obra. Eu fazia toda a produção em Los Angeles, era algo bem mais casual, em menor escala. Mesmo assim, o custo de se produzir nos estados Unidos é muito alto", explica a empresária.

Por isso, a partir do momento em que a marca foi crescendo ela percebeu que precisava aumentar a produção e melhorar o acabamento das peças, claro, sem inflacionar os preços e mantendo a qualidade. Depois de um período em São Paulo e estudos do mercado no Sul do país, Uberlândia falou mais alto. "Me considero uberlandense, conheço muita gente talentosa e competente aqui e isso me motivou a montar o ateliê. Nesse processo, ficamos um ano até a estrutura estar completa", conta.

Rayza acompanha tudo de perto, faz desde os croquis até acompanhar a disposição das peças nas vitrines. Porém, o lado empreendedor só ganhou mais espaço há alguns meses, dialogando com o lado criativo. "É uma outra área. Tenho que prestar atenção nos calendários, organizar muito mais as coisas. Há quatro anos, quando eu comecei, eu era a Rayza criativa. Neste último ano vesti o chapéu da Rayza empreendedora. E a pessoa criativa geralmente não é organizada. Encarei muitos desafios e aprendi muito. Sei que estou apenas começando", finaliza a jovem que hoje conta com uma equipe de cerca de dez pessoas que auxiliam no dia a dia da produção, agora feita num ambiente que a faz sentir muito mais “em casa”.


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