07/04/2017 às 08h59min - Atualizada em 07/04/2017 às 08h59min

Depressão é tema do Dia Mundial da Saúde

Letícia Petruccelli

Hoje é celebrado o Dia Mundial da Saúde e, neste ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu focar na depressão, com o tema “Vamos Falar Sobre”. Segundo a entidade, 5,8% da população brasileira sofre com a doença, o que representa um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior da América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.

De acordo com a OMS, o número de pessoas com depressão aumentou 18,4% entre 2005 e 2015. Estima-se que em torno de 322 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo. O transtorno pode afetar pessoas de qualquer idade em todas as etapas da vida. Essa é a terceira principal causa da perda de anos útil por doença.

A artesã Mirian Luz conta que deixou de trabalhar por causa do transtorno depressivo. “Fiquei depressiva há alguns anos, após me casar. Fui me fechando em casa, não queria sair nem conversar com ninguém. Minha tristeza, frustração e solidão eram tantas que eu comecei a me cortar. Não dei conta de continuar trabalhando”, relata.

Segundo o psiquiatra e docente da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Ricardo Victal, a depressão pode ser causada por várias questões. “Não conseguimos definir uma única causa. Fatores biológicos, psicológicos, sociais e espirituais ajudam a doença a se desencadear”, afirma.

A tristeza é um sentimento que pode acontecer com qualquer pessoa saudável, mas sem significar necessariamente uma doença. A depressão tem caráter mais duradouro e compromete a vida do indivíduo. Alguém com o transtorno geralmente tem humor deprimido, perda de vontade de praticar atividades que antes era prazerosas, insônia, cansaço marcante após atividades leves, energia diminuída, falta de concentração, ideia de culpa ou inutilidade, ideia de suicídio, agitação psicomotora, ansiedade, irritabilidade, alteração do apetite e angústia. “A pessoa precisa ficar atenta aos sintomas, não é porque ficou triste, cansada, irritada apenas uma vez, que está depressiva. Por isso, quem pode diagnosticar é apenas o especialista”, diz a psicóloga Ludmila Ribeiro.

De acordo com o psiquiatra Ricardo, a cura da doença depende muito da vontade do paciente de fazer o tratamento completo. “Eu sempre entrego para o paciente algumas atividades que ele deve seguir, como tomar os remédios corretamente, fazer psicoterapia, exercícios físicos, socialização com familiares e amigos, a espiritualidade por meio de alguma religião, estudo ou trabalho e o lazer. Cada uma dessas atividades tem um impacto significativo no tratamento. O paciente precisa reconhecer que só o medicamento não vá curá-lo sem as outras atividades”, afirma. A doença pode ser deparada em três graus: leve, médio e grave.

 

 

RETRANCA

Preconceito dificulta o tratamento

 

Procurar um especialista quando os sintomas do transtorno são frequentes não costuma ser fácil, ainda mais quando a doença é considerada por muitos como se fosse uma escolha da pessoa. “Quando as pessoas souberam que eu estava com depressão, falavam que eu estava com ‘frescura’. Que eu não tinha mais o que fazer. Isso me fazia sentir pior”, conta a vendedora Priscila Melo.

Segundo o médico Ricardo Victal, o tema da OMS, “Vamos Falar Sobre”, ajuda a combater o preconceito. “Quando as pessoas entendem que a depressão é uma doença, elas começam a ver de outra forma. Ninguém fala para uma pessoa que está com um ferimento aberto que é só ir ao shopping que a dor passa. Mas dizem isso para doentes depressivos. O preconceito é a cegueira das pessoas em relação ao transtorno.”

Para a psicóloga Ludmila Ribeiro o apoio das pessoas próximas ao paciente faz diferença durante o tratamento. “Se a família incentiva no tratamento, ajuda a pessoa a realizar atividades prazerosas, acompanha nos exercícios físicos. A chance do paciente melhorar aumenta”, disse.

 

RETRANCA

Atividades sobre a depressão acontecem hoje

Em Uberlândia, como parte das ações pelo Dia Mundial da Saúde, as unidades de saúde, UBSs e UBSFs desenvolvem atividades voltadas aos profissionais e aos pacientes em vários locais da cidade.

Na UBSF do bairro Jaraguá tem apresentação de um coral infantil, palestra motivacional e sessão de alongamento.

Está no cronograma da unidade do bairro São Lucas uma ação com fisioterapeuta e um educador físico. Eles vão falar sobre temas relacionados à atividade física e alimentação saudável. Nos bairros Mansour e Jardim Europa, a comunidade poderá participar de um “aulão” com monitoramento de uma fisioterapeuta.

A equipe do Programa de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde também integra as atividades. A partir das 8h30, no Parque Victório Siquierolli, profissionais da saúde vão participar de ações, como a palestra com a médica antroposófica Tânia Helena Álvares, que mostrará os benefícios da meditação.

 

*Aprimoramento profissional


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