28/03/2026 às 08h00min - Atualizada em 28/03/2026 às 08h00min

Post Scriptum

EDMAR PAZ JUNIOR
Foto: Reprodução/Internet

Há algum tempo já tenho como objeto das reflexões que faço os movimentos da nossa sociedade nos tempos atuais. Não me considero nenhum especialista, historiador ou mesmo dominador do assunto como um todo; me limito, na maioria das vezes, a repetir alguns autores que vejo por aí – e sim, tenho predileção por alguns, como os Professores Olavo e Monir. 

A questão que observo é como estamos entrando numa corrente caótica das massas, e um dos principais motivos desse transtorno todo é, quase que exclusivamente, a relativização de tudo.

Existem muitos níveis de pensamento e consequências que não conseguimos observar a olho nu, mas que de fato estão lá e produzem impactos. Estas ideias – as que incentivam e asseveram a liberdade absoluta de pensamento, como se o simples fato de podermos pensar em algo significasse sua imediata possibilidade de realização – faz com que as pessoas, que majoritariamente, têm se mostrado cada vez menos interessadas nos princípios que regem nossas vidas, se tornem meros fantoches nas mãos daqueles que sabem muito bem o que isso significa.

Essa jornada, ou melhor, este caminho pelo qual nos guiam, no começo pode até parecer o mais coerente e benéfico para todos, pois de certo modo, prega a tolerância absoluta e a paz como objeto ontológico passivo. O problema é justamente o fim a que chegaremose, não obstante pareçamos estar evoluindo como pessoas, na verdade, estamos cavando cada vez mais uma cova maior: as intrigas, o ressentimento, o ódio afloram cada vez mais apenas porque no afã de aceitar tudo, aceitamos coisas que são contrárias à nossa natureza.

Explico. Começando pela paz, Ortega Y Gasset já ensinou, no seu A Rebelião das Massas, que “a paz não está aí” e nós apenas a usamos, mas sim é um objeto de conquista, de luta para se alcançar, pois por mais que calmo que se mostre calmas as épocas, há sempre em seu subsolo lutas pelas quais somos arrastados, tanto psicológica, quanto espiritualmente.

Por mais que os estoicos disseram que nossa maior conquista é a impassividade diante das intempéries, ou, pegando gancho nos termos de Gasset, ser um “pacifista” tendo a paz como uma espécie de omissão (“é só não fazermos guerra que haverá paz”), ela também não é um caminho para sair dessa espiral de loucura.

A tolerância irrestrita, por sua vez, faz com que caiamos na falácia de que tudo deve ser permitido – o que é de longe um assunto demasiadamente complexo para o que é proposto aqui –,  mas, de um modo geral, vou tentar resumir: começa com um “aceite que que isso pode ser assim” e termina com “vamos te excluir da vida social para que o que queríamos que fosse, seja de verdade agora”, ou seja, você se torna o empecilho. E entenda uma coisa: o monstro sempre acaba por engolir a própria cabeça, não importa o quanto você se disponha a seguir o que quer que tenha sido determinado. A perfeição humana é um objeto inatingível por vias materiais.

Há uma estabilidade necessária e essencial para que possamos efetivamente crescer, e mudar o nome das coisas não torna isso real. Quando plantamos trigo, esperamos que nasça trigo e dele poderemos fazer pão. Um exemplo sobre como mudar o nome não muda o fato, é o do mendigo. Chama-lo de “pessoa em situação de rua” não o faz se sentir melhor, nem ameniza sua dor. Isso só acontece na cabeça de quem chama o Brasil de “Brasa”. A realidade, como uma onda do mar, gigante e imparável, derruba todas as tentativas de suprimi-la.

Nesse caso, é melhor estarmos preparados para o impacto inevitável.

Contra toda essa loucura disfarçada de aparente normalidade do estado das coisas, só há uma vacina eficaz, e por isso é justamente o que é diuturnamente atacada: o Cristianismo.

Dando o passo além que os estoicos recearam, os cristãos não são inertes frente ao absurdo, mas sim firmes contra os ventos de uma mudança que subverte a alma do homem.

 

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 

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