Neste 2024, fomos surpreendidos pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que o país perdeu cerca de 7 milhões de leitores de 2019 para cá. A causa óbvia é a falta de leitura, mas, em uma lógica rápida, o que pode figurar nas entrelinhas como agravante pode estar relacionado ao grande número de óbitos nesse período e ao deslumbre das novas tecnologias, sobretudo a I.A. (Inteligência Artificial).
Mas há que se ter muita cautela na interpretação dessa fala, para que ninguém se confunda e comece a dizer que a tecnologia é ruim. Porque ela pode ser qualquer coisa menos ruim. O que precisa reduzir não é a tecnologia, e sim o deslumbre e a falta de conhecimento.
Tudo leva a crer que a ansiedade é um grave ponto dificultador no universo da leitura, e como estamos com um número cada vez maior de ansiosos, faz-se aí o inversamente proporcional. No entanto, de todos os agravantes que impedem a leitura de um livro, o maior deles e também mais grave, cujo tratamento é emergencial e, infelizmente, a vacina não tem sido aplicada, é a doença da preguiça.
Ouço um discurso constante sobre hábito da leitura, porém, no meu entender isso é um problema e grave, porque a leitura não pode ser um hábito, e sim, deve ser um prazer. Independentemente da temática lida, o leitor deve primar pelo prazer no que se lê. Afinal, é o prazer que despertará no leitor o desejo para se aprofundar no conhecimento, e com isso ler mais.
Leitura não deve ser obrigação, e sim desejo. Livros não foram feitos para leitura de resumos, nem mesmo para leituras de introdução e conclusão. O livro existe para leitura minuciosa de todas as páginas, ou suja, da introdução à conclusão, com leituras, releituras, discussão e escrita.
Segundo o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), após avaliar estudantes entre 15 e 16 anos de 77 países, informou que 50% dos brasileiros têm resultados nível 1 em leitura, na escala que vai de 1 a 5; e que brasileiros optam por frases e textos curtos, em vez de leitura de livros completos. Isso quer dizer que 50% de nossos jovens leitores são semileitores, e muito fracos.
Então, pensando nesse percentual desolador, optei por analisar as tabelas da Retratos da Leitura no Brasil 2024 e várias situações chamaram minha atenção. Dentre elas, o fato de a pesquisa fragmentar o título da Base de Amostragem, sobre o uso da internet em detrimento da leitura do livro. Com a fragmentação, o número tende a ser menor, enquanto a realidade está a anos luz. Outro assombro foi encontrar um número expressivo de pessoas Não Alfabetizadas, e que escrevem.
Ainda no seguimento da surpresa, quando a análise foi sobre o gênero literário e o meio, a maioria respondeu Contos e Poesia, em leituras via redes sociais. Ah quem alegue ser o alto preço de livro, o que não se trata da verdade por inteiro, e sim, da prioridade de cada um. Também a falta de livrarias em muitas cidades é um problema. A alegação de falta de tempo também é imensa, e o tempo é composto de 24 horas para todos, leitores e não leitores, então, esse ponto vamos cancelar.
Uma realidade que prejudica muito o leitor e contribui bastante para a desistência de leituras, mas ninguém a mencionou é o Não saber ler no sentido de não ter uma metodologia eficiente de leitura. E isso promove desistência, de fato. Portanto, se o país quiser sair do banco de reservas do rebaixamento, será necessário repensar a metodologia de ensino no todo e o ensino da leitura. É preciso tirar o cérebro da inércia para melhorar a leitura no Brasil.
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