21/05/2020 às 11h41min - Atualizada em 21/05/2020 às 11h41min

O PODER E OS MILITARES

CLÁUDIO DI MAURO*
Não tem cabimento os Militares, Chefes das Forças Armadas, fazerem política partidária. Detentores de armas não podem ter funções de poder que cabe aos Civis, assim afirma a Constituição do Brasil.

O que justifica que membros das Forças Armadas se considerem melhores do que todo o povo brasileiro para exercer as funções de governo? Afinal, os militares se originam do seio da população brasileira.

Eu fui durante 8 anos diretor do Tiro de Guerra, como prefeito de Rio Claro. Nesse período, tivemos militares no comando do Tiro de Guerra com ações justas e corretas. Isso me permite dizer que há sim Militares que se comportam com absoluto zelo e cuidado, evitando serem confundidos com políticos partidários.

No atual governo federal, houve uma imensa infestação de militares, muitos da ativa e outros aposentados, da reserva, os chamados “militares de pijama”. Onde estão os Militares Nacionalistas? Estes não se interessaram por ocupar os espaços no governo Bolsonaro, ou sequer foram lembrados para convite? Os Militares presentes sabiam que o projeto em curso seria entreguista e de cooptação pelos Estados Unido?

Precisamos sim e continuamos lutando por direitos humanos, mas trata-se também de honrar os direitos às boas condições de humanidade.

O atual comportamento dos Militares no governo brasileiro nos leva a refletir sobre as maldades impetradas contra nossa população pela ditadura que se iniciou em 1964. Seja na morte de Vladimir Herzog, de Rubens Paiva, de Frei Tito, seja no episódio do Rio Centro e tantos outros. Seja especialmente na confissão de Ernesto Geisel ao reconhecer sua autorização para matar os que chamavam de subversivos.

Mas continua muito difícil observar a situação de grande parte dos brasileiros que precisa andar descalço? Isso seria para garantir as condições de concentração da riqueza e permitir que alguns trafeguem com suas caminhonetes cabine dupla, importadas sobre pneus aro 20?

Por que os moradores das áreas nobres, a exemplo dos Jardins na cidade de São Paulo, têm longevidade para viver 23 anos a mais do que os moradores dos bolsões de pobreza da Vila Tiradentes, na mesma cidade? Lugares onde crianças não conseguem se alimentar com um pedaço de pão!! Para que essas diferenças tão gritantes? As políticas do atual governo levam a serem sacrificados e mortos exatamente esses habitantes dos setores sociais espoliados.

Como os Militares brasileiros enxergam essa realidade? Não querem refletir sobre isso, preferindo servir a um governo que transfere lucros e mais valia a cada dia para enriquecer ainda mais as aproximadamente 220 famílias maiores proprietárias das riquezas do País? Um governo que se articula com os originários das “rachadinhas” em gabinetes de vereadores e deputados, vinculando e maculando o nome das Forças Armadas.

É preciso no Brasil a construção de uma Teoria Revolucionária que seja capaz de promover uma Revolução Social. Não podemos continuar com um País tão desigual. Os Militares brasileiros, sem participar diretamente das disputas partidárias, poderiam construir centros de reflexões sobre essas temáticas, fundamentados em princípios e reconhecimento do Brasil como uma grande e rica Nação. Esse sim seria um bom caminho para fortalecer e garantir a soberania do País. Para isso, não são necessárias as ameaças com armas, com violência física, nem os golpes de estado.

Para abordar esses assuntos, não é necessário o autogolpe, mas um golpe com presença Militar, como já se sucedeu ao longo da história do Brasil, seja na Proclamação da República, no golpe de 1964 com todos os terríveis desdobramentos da ditadura. Histórias que macularam definitivamente a imagem das Forças Armadas Brasileiras.

Precisamos sim das Forças Armadas garantindo os caminhos da soberania do país, nas relações nacionais e com outros países, exercícios de seus Deveres Constitucionais. Mas não devemos ter das Forças Armadas exercendo funções de governo, isso nunca deu certo e sempre desgastou os militares.
 
*Participação de Jhenifer Gonçalves Duarte, discente do curso de Jornalismo da UFU
 
 
Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 
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