28/03/2020 às 08h00min - Atualizada em 28/03/2020 às 08h00min

Futebol e a crise dos salários

ADRIANO SANTOS

Como já escrevi em outras possibilidades, o esporte perderá muito com essa crise, infelizmente muito. Franceses e Espanhóis já se mexeram, sem bola rolando pelo motivo do novo vírus (COVID-19), os prejuízos já estão na porta dos clubes. PSG e Barcelona já anunciaram medidas para diminuir salários astronômicos. Até agora não se sabe o valor do corte, mas vão cortar.

Na Itália, as incertezas e cortes serão do tamanho do estrago que o vírus está fazendo. Estádios sem públicos, campeonatos sem términos, premiação ameaçada, patrocinadores cortando gastos e lá se vai ano perdido para quase todos os Campeonatos Europeus.

Imagina a folha de pagamentos. Quem paga CR7, Messi e Neymar?

Quem merece elogios até agora é o argentino Marcelo Bielsa, conhecido como El Loco na América Latina, liderou no Leeds a suspensão dos salários dos jogadores e comissão técnica para que o clube pudesse garantir aos 272 funcionários e terceiros seus pagamentos. Leeds está na liderança da segunda divisão da Inglaterra, certamente será consagrado campeão.

No Brasil onde tudo é mais difícil, há uma queda de braço entre jogadores e clubes. Os atletas concordam com a proposta de férias, mas não com a redução salarial, exigindo pagamento do mês e o terço constitucional até quatro de maio. Será que os jogadores brasileiros não se lembram de sua origem?

A Conmebol está fazendo sua parte, adiantou aos clubes a premiação da fase de grupo, mas como ter receita sem jogos?

O Rio de Janeiro, Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo já perderam um patrocinador, que por sinal estava nos quatro grandes do Rio. A única saída que vejo é chamar os primeiros colocados de todos os estaduais e fazerem uma final única ou declarar que os estaduais serão anulados. Porque o calendário obviamente será prejudicado.

A situação dos grandes poderá ser resolvida com empréstimos e Rede Globo, mas os pequenos  terão muitas dificuldades de adaptação. O Santo André não terá time para jogar o Paulistão, nem estádio, o mesmo estará se tornando um hospital para tratamento da COVID-19. Os contratos das equipes menores com os atletas são apenas de fim de estaduais.

Tempos difíceis para o futebol.  Quem suportará o impacto? Clubes como Atlético Mineiro, que trouxe Sampaoli? Cruzeiro, que além de mal financeiramente está sem renda do Mineirão e sem grandes patrocinadores?  Palmeiras com a grana da Dona Leila? Corinthians, que investiu pesado e agora está sem renda da torcida? Vasco, Fluminense, Botafogo? Os três do Rio, não há recursos...

Ou o Flamengo que ainda tem caixa pra segurar o time mais caro da América Latina? Ventos melhores virão. Resta-nos agora ficar em casa! E salve o futebol.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.












 

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