29/02/2020 às 08h00min - Atualizada em 29/02/2020 às 08h00min

Os Atléticos da Vida!

ADRIANO SANTOS

O Atlético Mineiro, na última quarta-feira (26), deixou seus torcedores envergonhados. A derrota para Afogados e a forma que o time se portou em campo foram horripilantes.

O Atlético é clube de série A com um dos melhores CTs do Brasil. Claro que esses adereços não entram em campo, mas deveria ser o divisor de águas para qualquer jogo contra uma equipe que disputará a série D. Aliás, a folha salarial do time Afogados não chega nem a 30% do que Diego Tardelli recebe.

Rafael Dudamel, técnico do Atlético, foi demitido. O mesmo aconteceu com toda sua comissão técnica. Dudamel como todo técnico estrangeiro tentou implementar sua filosofia de trabalho, porém em vão. Segundo o presidente Sette Câmara, o mesmo não soube "mexer o doce". Os técnicos de fora precisam conhecer como funciona o futebol brasileiro. As imposições do ex-técnico do Galo eram normais. Porém ele só precisava ter combinado com o grupo, ou melhor, conquistado ele.

A missão de Dudamel era grande. Eram cobranças diárias para que os jogadores soltassem a bola, desestimulava as tomadas de decisões dos atletas. O improviso, elemento imprescindível do futebol brasileiro deixado de lado. A expectativa dos jogadores fora das suas posições é fácil copiar os conceitos, porém a percepção está na qualidade dos atletas. Talvez o Luxemburgo e o Jorge Jesus consigam realizar a mesma nas suas respectivas equipes. Mas um elenco como o do Atlético não.

Analisando os padrões de horários e a falta de flexibilização para que nisso o grupo fosse gerido, realmente Dudamel não conseguiu mexer o doce. Sabemos que o sonho da diretoria Atleticana sempre foi Fábio Carille, ou sonhavam com Cuca. Agora é reavaliar o investimento, visto que nas duas grandes competições que o Galo poderia correr por fora e ter chances reais, ele foi eliminado.

Diferente do que houve com seu xará Atlético Goianiense, que demitiu Cristóvão Borges, aliás, o mesmo ganhou cinco jogos, empatou um e perdeu um. Dono de números invejáveis para início de trabalho, e mesmo assim foi demitido. Foi demitido por metodologia e por não se encaixar com aquilo que se espera de um técnico para o xará de Goiânia. Afinal, o que se espera do Dragão do Centro Oeste?

O presidente Adson Batista disse que errou ao contratá-lo. Talvez visse um time que atacava muito, e na série A, ele pensando em não cair quer ver um time que se defende? Ou será que bater 3x0 em seu maior rival não seja parâmetro para início de trabalho?
Quando os técnicos conseguem “mexer o doce” os clubes não conseguem gerir suas expectativas, e quando os técnicos não “mexem o doce”, o abismo do planejamento se escancara.

No Corinthians, nos últimos seis anos, tínhamos apenas uma metodologia a marcar. Hoje, Thiago Nunes enfrenta seu maior desafio. O professor Jesualdo, no Santos, não conseguirá sem peças repetir o excelente Sampaoli. Apesar de que o Sampaoli tinha peças melhores.

Os atléticos da vida serão inspiração para os vexames dos técnicos bons que não irão dar certo em times sem a capacidade de planejamento. Técnicos ganham jogos com atletas, não apenas com ideias. Os atléticos da vida ensinarão como demitir sem justa causa e causas justas. Mas até lá quem se organizou primeiro sairá na frente. Técnicos estrangeiros precisam de peças e técnicos brasileiros também.

Metodologias não ganham jogos. Time ganha jogo!

Boa leitura.


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.















 

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