19/02/2020 às 08h30min - Atualizada em 19/02/2020 às 08h30min

O Machismo e o Racismo e a contra face do Futebol

ADRIANO SANTOS

O atacante franco-malinês Moussa Marega, do Porto, foi vítima no ultimo domingo (16) de mais uma barbárie. No jogo entre Vitória de Guimarães e Porto pela primeira divisão do Campeonato Português foi submetido a ouvir insultos racistas vindo dos torcedores que estavam nas arquibancadas. O árbitro da partida também demostrou estranha atuação levantando cartão amarelo, advertindo Marega em decorrência à sua revolta.

Como se não bastasse a atitude racista desses torcedores, também neste domingo, no jogo do Atlético Mineiro contra a Caldense que aconteceu no Mineirão, presenciamos um ato repreensível e consideravelmente machista. A mascote do Galo apresenta a zagueira Vitória Calhau, do time feminino, com uma atitude constrangedora para a atleta, fazendo-a dar uma “voltinha” para observá-la e ainda esfregou as mãos e passou a mão na boca. A atitude da mascote gerou revolta entre torcedores, jornalistas e comentaristas esportivos. André Rizek, do SporTV, disse: “Que vergonha. Tudo o que uma mulher não quer hoje tem nessa cena. A mulher quer ser reconhecida por ser uma boa jogadora, e não por ser bonita ou ter uma curva assim ou assado”.

Esses fatos relatados acima causaram tumulto nas redes sociais, gerando diversas opiniões e protestos. Mas algo precisa ser dito, não tem nada de normal em tudo isso. O futebol é sem dúvida alguma um dos grandes aliados na educação de crianças e adolescentes. Por meio dele os aspectos éticos e morais, socialização, solidariedade, disciplina, cooperação e diversos outros são trabalhados em campo.

Esse amado e respeitado esporte que já se tornou cultural é a linguagem universal do povo. No futebol estão constituídas histórias de todas as etnias, raças, cores, gêneros e diferenças. As emoções, os desafios e as imprevisibilidades são meios incomparáveis para promoção da educação, do respeito e da paz. O futebol tem seus desafios como: a promoção do futebol feminino, a otimização do acesso a crianças de baixa renda, a promoção das categorias de base como ferramenta social e não somente financeira, profissionalização da arbitragem como qualidade de jogos. Mas, nunca o desserviço da arquibancada que ofende, que se descaracteriza como paixão e se acrescenta em denegrir e perseguir o adversário.

A atitude de racismo que aconteceu em Portugal foi assunto até para o Primeiro-ministro que, de maneira ímpar, condenou e chamou todos à discussão de um dos países mais alfabetizados da Europa, demostrando solidariedade ao jogador do FC Porto Marega. Já a direção do Clube Atlético Mineiro afastou a mascote. Porém, essas não serão as últimas vezes, no entanto, não tem graça o futebol com essas asneiras!

É preciso conscientização, ela começa em casa e termina nos estádios, ela se alimenta de bons exemplos e se espalha em todos nas arquibancadas. O Futebol é a nossa paixão.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.













 

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