10/10/2019 às 08h07min - Atualizada em 10/10/2019 às 08h07min

Errar continua sem humano?

TIAGO BESSA

Crescemos, todos, ouvindo a máxima que diz que “errar é humano”. Quer dizer que fazem parte do que pretendem denominar “natureza humana” os erros que cometemos pela vida. Aprendemos, ao mesmo tempo, que devemos aprender a não cometer os mesmos erros e, por isso mesmo, errar acaba sendo importante. Em áreas como a segurança do trabalho, por exemplo, deve-se extinguir qualquer erro que comprometa a vida e/ou a saúde de alguém. Por isso não se deve admitir que falhas sejam cometidas, uma vez que há uma série de regulamentações para garantir a segurança dos trabalhadores no exercício de suas funções. Mas será que o esporte deve, também, ser isento da falha humana?

Tenho refletido cada vez mais sobre essa questão desde o começo do Brasileirão. Eu não consigo me lembrar (e pode ser que eu esteja errado) de uma única rodada em que o VAR não tenha sido motivo de polêmicas e reclamações das mais variadas. O uso do VAR tem suas regras e seus precedentes. Os árbitros têm total autonomia para a marcação de alguns lances e, em outros, o árbitro de vídeo entra em ação dependendo da aplicabilidade da regra. O fato é que o árbitro continua com a responsabilidade da interpretação mesmo quando solicitada a verificação dos lances na tela à beira do campo.

É notória a diversidade de interpretações de um mesmo lance, mesmo com dezenas de replays, por parte dos comentaristas de arbitragem nos canais esportivos que debatem os jogos ao final de cada rodada. Um impedimento, por exemplo, acaba não sendo tão visível dependendo do posicionamento da câmera, que precisa estar totalmente alinhada à reta da grande área para fornecer uma imagem fidedigna e, portanto, uma marcação correta. Em lances de pênalti, alguns árbitros interpretam o mesmo lance como faltoso ou como normal, sob o argumento de que “vale o entendimento do árbitro”.

O VAR, que aparentemente veio para tornar mais objetivas as marcações tidas como polêmicas ou obscuras, parece ter aberto brechas para novas polêmicas e “interpretações” ainda mais obscuras. Eu não faço parte da corneta gratuita que acredita que a CBF tem beneficiado este ou aquele clube. Penso, aliás, que é um raciocínio raso de quem não sabe perder. Mas continuar colocando na conta da interpretação a enorme quantidade de erros oriundos do VAR me parece uma demonstração pontual de que este recurso tem fracassado no seu intento original. Afinal de contas, com ou sem VAR, os erros permanecem e continuam sendo humanos... demasiado humanos!

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.





 

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