30/05/2019 às 08h03min - Atualizada em 30/05/2019 às 08h03min

VAR: o novo-velho problema da interpretação

TIAGO BESSA
Todos sabemos -  e talvez concordemos - que o VAR chegou para amenizar drasticamente (pois sanar totalmente é impossível) os problemas oriundos dos erros de arbitragem. Muitos aspectos estão envolvidos com um erro arbitral: um título, um rebaixamento, uma classificação para a Libertadores, uma demissão de técnico, uma dispensa de jogadores, uma crise de clube, a corrupção nos bastidores dos campeonatos... enfim, eu listaria dezenas de outros fatores.

O problema é que arbitrar futebol não é tarefa tão objetiva quanto arbitrar um jogo de tênis ou de vôlei, por exemplo. Avaliar uma bola dentro ou fora do campo de jogo, mão na rede ou outra infração desses esportes é uma questão de percepção. Basta pedir o “desafio” e a câmera mostra claramente se a bola saiu ou não, se o jogador encostou ou não na rede. Não há o que ser interpretado. No futebol, por ser um esporte de contato, às vezes é muito difícil saber quando houve a intenção de agredir um adversário, por exemplo. E isto o VAR não resolve. De qualquer maneira o árbitro deve ir à beira do gramado para assistir ao lance detalhado e, mesmo assim, sua decisão poderá não ser o resultado de uma interpretação correta do fato. O erro humano continuará ali, na superfície, entrando em qualquer brecha que existir, pois as lacunas não desaparecerão.

Na última rodada do Brasileirão o Palmeiras venceu o Botafogo com a marcação de um pênalti após o uso do VAR. Um pênalti que, arrisco dizer, não seria assinalado por qualquer árbitro sem a ajuda deste recurso. Até aí tudo bem, o VAR contribuiu para que a justiça fosse feita. O problema reside na dinamicidade do futebol: o árbitro deu continuidade na partida, que foi reiniciada, inclusive com a aplicação de um cartão amarelo no jogador do Palmeiras que sofreu o pênalti, sob a alegação de simulação de falta. O VAR não pode servir de subterfúgio depois que o árbitro apita o reinício do jogo, diz a regra.

Pode ter sido um problema de comunicação (apesar de o árbitro ter alegado não ter autorizado o reinício do jogo, fato claramente refutado pelas imagens da partida), mas a questão é que uma regra fora quebrada, o pênalti marcado e a derrota de um time selada por este erro. Penso ser justa a reclamação do Botafogo e seu pedido de suspensão dos pontos e possível anulação da partida. Se querem continuar com a hipocrisia da anulação do erro humano, que os clubes possam recorrer na Justiça Desportiva, quiçá na comum, em busca da justiça e dos esforços envolvidos para que um time entre em campo e dispute um resultado.

Em tempo: aos leitores que tentarem imaginar meu time do coração, sou palmeirense (mas me sobrou um pouco de autocrítica!).


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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