16/05/2019 às 10h05min - Atualizada em 16/05/2019 às 10h05min

Politicamente correto ou "mi mi mi"?

TIAGO BESSA
No último domingo presenciei uma das situações mais ridículas e deploráveis em 37 anos de existência: a humilhação pública de um profissional em rede nacional, sob a desculpa de ser uma "brincadeira". Desde pequenos aprendemos que a "zoeira" faz parte da vida, seja para dar boas risadas de acontecimentos fortuitos ou engraçados, seja para ridicularizar alguém por alguma característica física ou comportamental. Assim, chegamos à adolescência e à vida adulta sendo agentes ativos ou passivos na "arte de zoar".

Nos últimos anos, felizmente, esse comportamento tem sido discutido, revisto e, dependendo do bom caráter de cada um, desconstruído, em prol do respeito à individualidade e do bom convívio social. Porém, o brasileiro médio (do qual o uberlandense médio é uma corruptela tosca) insiste em defender seu direito de ridicularizar o outro por ser "diferente", por não pertencer a um grupo de convívio ou por não se encaixar em certos padrões socialmente impostos. Querem que aceitemos, de modo forçoso, as velhas piadas racistas, homofóbicas, machistas e tantas outras expressões do preconceito travestido de comédia e diversão.

Eis o brinquedinho do brasileiro médio: a exposição do outro. Foi o que aconteceu com o goleiro vascaíno Sidão. Com um histórico de sofrimento - que inclui o vício em drogas e álcool (como se o álcool não fosse uma droga, né?), o falecimento precoce da mãe e o "autoflagelo" por este acontecimento trágico -, este profissional do esporte, extremamente respeitado pelos colegas, foi humilhado por limítrofes que encontraram diversão em lhe oferecer um "prêmio" por sua má atuação em um jogo de futebol. EM PLENO DIA DAS MÃES.

O que esperar de indivíduos que não sabem distinguir educação formal e educação humanista? Que não compreendem a diferença entre reportagem e coluna? Que não entendem, também, que jornalista e colunista não são sinônimos? Indivíduos desprovidos da capacidade de interpretar um simples texto opinativo nunca entenderão a importância do respeito, do altruísmo, da empatia - valores extremamente importantes em momentos difíceis da vida de um semelhante.

Ofereceram-lhe o "troféu da vergonha". E o Sidão respondeu à altura de um indivíduo educado e evoluído: sem qualquer agressão. Resposta educativa e elegante, que devolveu aos agressores um troféu muito maior e mais pesado: o da revelação do caráter cruel, excludente e opressor do brasileiro médio, que treme e se sente ofendido sempre que alguém lhe mostra sua própria realidade. Ave, Sidão!

Em tempo: não sou repórter, nem jornalista, nem "colunista". Sou colunista (sem as aspas!).


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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