04/04/2019 às 08h17min - Atualizada em 04/04/2019 às 08h17min

O paradigma de 1984

TIAGO BESSA
Hoje, mais uma vez, não discorrerei sobre as campanhas do Verdão e do CAP no Módulo II do Mineiro. Eles continuam (muito) bem, obrigado! Tampouco serei mais um a falar dos pormenores da épica conquista do Verdão na Taça de Prata de 1984, até porque eu não presenciei aqueles momentos. Já li o máximo que há disponível sobre aqueles jogos, as viagens e, principalmente, conversei com alguns dos protagonistas daquele feito. A imprensa local já noticiou/comemorou a contento o fato por estes dias.

Hoje estou disposto a refletir sobre o que se tornou esta que é uma das únicas conquistas (a mais importante, inclusive) do UEC. Recorri ao campo da Filosofia, mais especificamente à Filosofia da Ciência, com o qual tenho uma certa intimidade por ser professor desta disciplina há 18 anos, para tentar definir o modo como eu enxergo o título da Taça de Prata. O conceito que penso ser mais adequado para defini-lo é o de "paradigma". O filósofo e físico estadunidense Thomas Kuhn (1922-1996), na obra Estrutura das Revoluções Científicas, definiu um paradigma como sendo um modelo que orienta o desenvolvimento de pesquisas científicas por períodos mais ou menos longos.

Lá se vão TRINTA E CINCO anos do acontecimento de um fato que, em que pese sua importância à história do clube, é, ao mesmo tempo, um modelo a ser superado. Não que tenhamos que esquecê-lo (de modo algum, caro leitor) mas, torcedores do Verdão que somos, gostaríamos de presenciar outros desses momentos épicos e vitoriosos de uma instituição que está a três anos e meio do seu centenário. É sempre muito bom reavivarmos essas lembranças, os feitos de nossos heróis, mas me parece melhor ainda que outros desses feitos aconteçam sem que tenhamos que esperar tanto tempo.

O mesmo Thomas Kuhn, na mesma obra, discorre sobre a importância da "mudança de paradigma", que acontece quando surge um paradigma inteiramente novo como resolução do que ele denomina "crise" e que substitui o paradigma anterior. Nossa "crise" é ver o Verdão lastimavelmente sem calendário depois do Módulo II; é ver suas categorias de base vivendo de migalhas ofertadas em alguns lapsos de generosidade por alguns empresários locais às nossas revelações; é olhar um estádio com capacidade para CINQUENTA MIL pessoas repousar às moscas em grande parte do ano.

O paradigma de 1984 só será superado (repito: mas não esquecido) com um novo Uberlândia Esporte Clube, vencedor de novos títulos e de grande projeção, fazendo jus ao seu belíssimo hino de composição de Moacir Lopes de Carvalho, que clama por "(...)mais ardor, mais vitórias!"
 
 
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