17/05/2022 às 13h49min - Atualizada em 17/05/2022 às 13h49min

Com alta de 90% em maio, Uberlândia volta a registrar aumento de casos de covid

Segundo especialistas, chegada da frente fria e volta das atividades presenciais contribuem para aumento de notificações

IGOR MARTINS | DIÁRIO DE UBERLÂNDIA
Flexibilização do uso de máscara aumenta transmissão viral, aponta médico sanitarista | Foto: CHRISTIANO ANTONUCCI/SECOM/MT
Após uma queda significativa em março, o número de notificações positivas de coronavírus em Uberlândia voltou a crescer. Com apenas 16 dias decorridos, maio já registrou quase o dobro de casos confirmados de covid-19 em relação ao total contabilizado no mês anterior. 

Segundo o último informe epidemiológico, divulgado nesta segunda (16), o Município acumula 1.245 notificações da doença neste mês, 90% a mais que o percebido em abril, quando 655 pacientes foram diagnosticados com o vírus.

De acordo com o pneumologista Thúlio Marquez Cunha, o aumento da incidência de casos tem relação direta com a chegada da frente fria na região e a retomada das atividades presenciais em ambientes profissionais e escolares. Além disso, o retorno do setor cultural, através da realização de shows e eventos, também eleve a possibilidade de contaminação em Uberlândia.

O professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) explica que a alta das notificações tem gerado dificuldades em prontos-socorros da cidade, já que durante o período é comum o aparecimento de gripes e outras infecções virais. Por outro lado, o especialista disse que a situação nos hospitais ainda é considerada sob controle.

Conforme o último boletim da Prefeitura de Uberlândia, a cidade tem 10 pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e 20 em leitos de enfermaria nas redes pública e privada. “O número de casos está muito grande, mas a maioria são casos leves. O número de internações e pacientes graves ainda é pequeno. Acredito que este fenômeno será parecido com o mês de janeiro, quando tivemos muitos casos e baixa gravidade”, explicou o médico.

Na visão de Cunha, o aumento da média móvel de casos segue uma tendência global e a nova onda de casos já era esperada para a cidade. “Isso é um acontecimento da vida normal. O vírus está circulando e a gente viu na China que algumas cidades estão em lockdown. É um fenômeno que a gente esperava que acontecesse no Brasil também”, completou.

ÓBITOS DIMINUEM
Apesar do crescimento de notificações, o índice de óbitos tem diminuído na cidade. Em abril, foram registradas três mortes em detrimento da doença. Em maio, até esta segunda, a cidade acumula sete vítimas.  

No total, Uberlândia possui 3.351 mortes causadas pelo coronavírus. Embora apresente uma taxa maior do que o índice percebido em abril, o indicador reduziu 93% em comparação ao mesmo mês de 2021, quando 102 pessoas morreram em decorrência da covid.

O recuo no número de óbitos vem do avanço da vacinação, de acordo com Thúlio Marquez Cunha, que lembrou ainda a importância da utilização da máscara de proteção para pessoas com sintomas gripais. Segundo ele, é importante buscar atendimento médico em casos de cansaço, febre progressiva ou falta de ar.

“É muito difícil diferenciar o causador de uma infecção viral. É impossível falar se é covid ou influenza apenas com o quadro clínico. A recomendação é que os pacientes com sintomas leves continuem isolados e usem a máscara. Não precisa de pânico, não precisa ter correria. É um momento de tranquilidade e responsabilidade”, disse o médico.

AUMENTO DA TRANSMISSÃO
Na visão do médico sanitarista Nilton Pereira Júnior, a flexibilização do uso de máscaras é o principal fator associado ao aumento do número de casos de covid-19 em Uberlândia. Em conversa com o Diário, o professor do curso de Medicina da UFU disse que, com a liberação da utilização do equipamento de segurança, a transmissão viral aumentou, impactando diretamente o índice de contaminação.

Como a maioria dos casos são assintomáticos, o especialista alerta que a transmissão do vírus acontece sem que o infectado saiba. “A máscara é a principal forma de proteção. Com a liberação do uso, principalmente no trabalho e nas escolas, a chance de contaminar outra pessoa aumenta muito”, explicou.

Além da diminuição do uso do equipamento de proteção, Nilton Pereira Júnior afirma que o período entre outono e inverno contribui para o aumento de casos virais na cidade. Ele explica que atualmente é fácil confundir os sintomas de covid-19 com os da gripe, doença que acomete milhares de pessoas durante as estações mais frias do ano.

“O período mais frio do ano é normalmente o de maior transmissão, e aqui nós vemos esse reflexo não só por conta do coronavírus, mas também por outros vírus. Os ambientes ficam fechados e com pouca ventilação. As pessoas ficam dentro desses ambientes e temos um elevado número de casos respiratórios”, disse.

Ainda de acordo com o médico, as redes de atendimento pediátricas pública e privada de Uberlândia têm encarado dificuldades com a elevação da notificação de crianças contaminadas por vírus respiratórios. Segundo Nilton, é importante que os pais concluam a vacinação contra a covid-19 dos filhos e que tomem cuidados na hora de levarem os pequenos às escolas.

O especialista revelou que nos últimos dois anos o índice de infecções na infância diminuiu em função do fechamento das redes de ensino. Com a retomada das atividades, o ambiente normal também voltou, agora com o agravante do novo vírus circulando, o que tem sobrecarregado, sobretudo, as Unidades de Atendimento Integrado (UAIs).

VACINAÇÃO
Segundo o sanitarista ouvido pelo Diário, é importante que as pessoas aptas a tomarem a 3ª dose de reforço contra a covid-19 procurem uma das salas de vacinação de Uberlândia e recebam o imunizante. Dados do Vacinômetro apontam que 601 mil pessoas receberam duas doses do imunizante. A terceira dose, entretanto, foi aplicada em 375 mil pessoas.

“Houve diminuição no ritmo da vacinação. Nós temos um patamar de aproximadamente 90% na primeira e segunda doses, mas ainda estamos longe dos 70% de cobertura na dose de reforço. Existe ainda uma parte da população não coberta pela vacinação. Isso predispõe o aparecimento dos casos mais moderados e casos grave, que é a nossa maior preocupação”, alertou o médico.


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