04/01/2022 às 10h00min - Atualizada em 04/01/2022 às 10h00min

Rede particular registra aumento de até 81% no atendimento a pacientes com sintomas gripais

Baixa vacinação de grupos prioritários e falta de uso da máscara contribuem para o índice, segundo especialista

GABRIELE LEÃO
Aumento de casos é esperado pelos próximos 15 dias I Foto: PETTER ILICCIEV/FIOCRUZ
Uberlândia registrou um aumento significativo de pacientes com sintomas gripais que precisaram recorrer a atendimento médico. Segundo um levantamento feito pelo Diário, na rede particular o crescimento da procura chegou a 81% em dezembro. O índice preocupa especialistas e acende um novo alerta, principalmente após a confirmação de um caso do vírus Influenza A/H3N2 na última semana. 
 
A reportagem do Diário procurou os cinco principais hospitais particulares de Uberlândia, que relataram um aumento de atendimentos neste fim de 2021. No Hospital do Triângulo, o crescimento foi de 81%, segundo os dados repassados. No Hospital e Maternidade Madrecor, a alta foi de 55%.
 
O hospital Santa Clara e o hospital Santa Marta registraram aumentos de 34% e 13%, respectivamente. O Uberlândia Medical Center também informou que percebeu uma procura dez vezes maior em dezembro.
 
Segundo o médico infectologista Henrique de Villas Alves, a baixa imunização contra a gripe de grupos prioritários e o aumento da circulação de pessoas sem máscara estão entre os fatores que podem ter influenciado no aumento dos casos gripais no município.
 
“O número de casos aumentou significativamente, pois além das reuniões familiares e a intensa vacinação contra o coronavírus fez com que o grupo prioritário para a vacina da gripe diminuísse. Quando há uma baixa adesão, também há um nível mais baixo de proteção, e agora, com esse vírus em circulação é normal o aumento de casos e isso deve se manter pelos próximos 15 dias”, alertou o médico.
 
VARIANTE H3N2
No último dia 30, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS)
confirmou um caso de Influenza A/H3N2 em Uberlândia. O paciente, que não teve idade e sexo informados, está em tratamento na rede particular de saúde da cidade.
 
No primeiro momento, o caso foi notificado como Síndrome Respiratória Aguda Grave. Contudo, após o paciente realizar exames na rede particular, foi constatado o reagente para H3N2. O infectologista ouvido pelo Diário também deu mais detalhes sobre a nova cepa que circula pelo país, a Influenza A/H3N2.
 
“O vírus H3N2 é uma variante do vírus Influenza A, que é um dos principais responsáveis pela gripe comum e que a maioria das pessoas já tem resistência e ele é facilmente transmitido entre pessoas. Os sintomas são febre, inflamação na garganta, calafrios, dores articulares, tosse, mal-estar e diarreia, principalmente entre os grupos prioritários, como, crianças, idosos, gestantes e indivíduos com comorbidades”, explicou.
 
Pelo fato de a influenza ser um vírus respiratório, assim como o que causa a covid-19, a prevenção contra ele ocorre da mesma forma. “É necessário que as pessoas mantenham o uso da máscara, higienização das mãos e o distanciamento físico. Além disso, quando começar a campanha de vacinação, é necessário que a população se comprometa em se vacinar”, ressaltou.
 
Mesmo com letalidade menor que a covid-19, a cepa A/H3N2 tem mais chances de evoluir para casos graves em grupos de risco. “É importante manter o acompanhamento médico, pois os sintomas podem demorar a aparecer e em casos de pessoas com comorbidades, por exemplo, o quadro pode evoluir para outras patologias, como, pneumonia, sinusite”, explicou.
 
Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) confirmou que até esta segunda (3) foram detectadas 319 amostras clínicas com a identificação do vírus Influenza sendo Influenza A H3N2 (305 amostras), Influenza A H1N1(pdm09) (1 amostra) e Influenza A não subtipada (13 amostras), pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). Até o momento, nenhum óbito foi associado a esses casos.
 
Entre as amostras detectadas, 313 são provenientes de pacientes de 79 cidades mineiras e seis de outros estados. Na última semana, até o dia 27/12, haviam sido detectadas 198 (cento e noventa e oito) amostras clínicas com a identificação do vírus Influenza A H3N2 (197 amostras) e Influenza A H1N1(pdm09) (1 amostra) pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), sendo que nenhum óbito foi associado a estes casos até o momento.
 
Em comparação com a última semana, o número de amostras positivas para o vírus no Estado sofreu um aumento superior a 60%.
 
PACIENTE
A analista de mercado Fernanda Elen Oliveira começou a perceber os sintomas da gripe na semana do natal. O incômodo na garganta foi o primeiro sinal de que algo não estava certo, até que a febre, dores musculares e a dificuldade de respirar também começaram a aparecer.
 
“Procurei um médico, pois tenho bronquite asmática e ao fazer qualquer esforço já senti dificuldades para respirar. Após descartar o covid-19, o médico me afastou do trabalho por causa do diagnóstico de gripe”, comentou Fernanda.
 
De acordo com a profissional, outros colegas de trabalho e familiares também apresentavam sintomas de gripe e covid-19.  “Fiz o tratamento recomendado pelo médico, pois sofri com falta de ar e precisei da ajuda da bombinha e inalação para conseguir reverter o caso. Mas, mesmo com todos os cuidados, outras pessoas da minha família também tiveram os sintomas”, contou.

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