05/07/2021 às 13h00min - Atualizada em 05/07/2021 às 13h00min

Coletivo feminista rebate acusações de vereador

Representante do FAPO afirma que Cristiano Caporezzo desrespeitou movimento ativista; debate marcou a primeira sessão ordinária no Legislativo

SÍLVIO AZEVEDO
A primeira sessão ordinária do mês de julho da Câmara Municipal de Uberlândia foi bastante movimentada, não pelas propostas apresentadas, mas pela participação da advogada defensora dos direitos étnico-raciais e de gênero, Sandra Nascimento, do coletivo Feminino de Ação Popular (FAPO). Ela teve direito de resposta garantido pela Casa contra a fala do vereador Cristiano Caporezzo (Patriota), na sexta sessão legislativa de junho (confira a nota completa).
 
Segundo Sandra Nascimento, durante a deliberação da proposta de
Moção de Repúdio à médica ginecologista Helena Paro, ao Instituto de Bioética Anis e à Rede Médica Pelo Direito de Decidir (Global Doctors for Choice Brasil), pela publicação de uma cartilha chamada “Aborto legal via telessaúde”, que traz orientações para os serviços de saúde sobre o procedimento, que foi rejeitado pela Casa, Caporezzo atacou o FAPO com acusações, gestos e palavras impróprias para um parlamentar.
 
“O direito de resposta que pedimos aqui não tem a finalidade de educar ou gerar consciência neste vereador Cristiano Caporezzo, ou de transformá-lo em algo diferente do que ele é, pois ele foi socializado dentro de uma estrutura que desde o nascimento forja homens como ele. Nossa finalidade é enfrentar cada uma das falácias ditas por ele, e sim, amplificarmos as vozes das mulheres ativistas feministas contra falas machistas, sexistas, misóginas, e falaciosas de qualquer um que ocupe um posto de poder. É assim, com este propósito, que vamos ocupar a Tribuna deste Poder Legislativo”, disse a advogada Sandra Nascimento.
 
A advogada criticou ainda a utilização do termo “feminazi” em referência às mulheres do movimento feminista. “Feminazi é um termo utilizado dentro do machismo estrutural para desqualificar uma atuação empoderada de mulheres. O termo feminazi vem sendo utilizado para deslegitimar e descaracterizar o espaço de fala de nós mulheres feministas que, sim, ousamos enfrentar o machismo. Falaciosamente, este vereador, quer induzir alguma aproximação do nosso ativismo com o nazismo. Pretender nos comparar a atuação nazista é um ultraje sem tamanho, que nos enoja… que ofende a nossa consciência humana de gênero, raça e cor”, ressaltou.
 
Ainda de acordo com Sandra, a Dra. Helena Paro não integra o FAPO, e o coletivo não tem vinculação institucional com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), nem com outra instituição governamental ou não governamental.
 
“Para que saibam, nosso coletivo é um grupo autônomo, formado de pessoas que tem afinidades e que se juntam para realizar algo importante, como por exemplo, lutar pelos direitos das mulheres, entre os quais, o direito de decisão, de acordo com sua própria consciência, sobre sua vida, sobre seu útero, seus sentimentos, sexualidade, trabalho, lazer, cultura e qualquer outra situação da vida”, completou a advogada.
 
VEREADOR REBATE
Após a fala de Sandra Nascimento, Caporezzo pediu a palavra e usou a bancada para comentar a fala da ativista. “É motivo de alegria e satisfação e eu vibro de felicidade quando uma feminazi me ataca, porque isso pra mim é a prova de que eu estou no caminho certo. Me chamou de misógino. Não, eu amo as mulheres. Quem me ensinou a ser homem foi minha mãe, que foi uma mulher de verdade. E não uma feminista imunda”, disse o vereador.


 
Nesse momento, a vereadora Claudia Guerra (PDT) pediu questão de ordem para criticar a fala de Caporezzo. “Chamar uma cidadã de imunda me parece inadequado para alguém que é do Legislativo, isso nos envergonha”.
 
A vereadora Gláucia da Saúde (PSDB), que presidia a mesa no momento, pediu que fosse retirada dos anais da casa qualquer manifestação relativa ao uso da palavra imunda na ocasião, e ainda deu mais um minuto para que Sandra Nascimento de pronunciasse, já que foi citada por Caporezzo.
 
“Gostaria que fosse retirada da gravação da sessão legislativa a fala do vereador, pois ele não está no exercício de direito de resposta, que é meu. Feminaze, senhor Cristiano Caporezzo, é vergonhoso. Eu gostaria que fosse retirada, cortada, dos anais dessa casa a suposta resposta a minha resposta. É inadequado que ele responda a nossa resposta às acusações que ele nos fez. Gostaria que meu pedido fosse atendido, e o faremos por ofício também”, ressaltou Sandra.
 
Gláucia também informou que Caporezzo teria direito de resposta, pois o nome dele foi citado. A vereadora Dandara não concordou com a decisão e argumentou que viraria um debate. “Os ataques feitos aqui ao movimento feminista são ataques muito graves. Chamar o movimento feminista de imundo é um desrespeito às mulheres dessa cidade”.
 
A vereadora Amanda Gondim (PDT) também se manifestou argumentando que existe um código de ética na casa. “Chamar uma cidadã de imunda durante uma sessão legislativa interfere dentro das ações prerrogativas de um vereador. Isso não deveria ser legitimado. Não é só retirar dos anais dessa casa, mas ter uma responsabilização. Esse tipo de atitude vai ser liberada? Se referindo a cidadãos dessa forma desrespeitosa?”, questionou.
 
Gláucia afirmou que em um primeiro momento retirará dos arquivos da casa. “Mas vamos olhar o regimento, eticamente as responsabilidades”, encerrando assim a discussão.

 


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