26/06/2021 às 10h00min - Atualizada em 26/06/2021 às 10h00min

Sebrae oferece capacitação e orientação para refugiados e imigrantes em Uberlândia

Programa 'Migrantes e Refugiados em Minas' incentiva o empreendedorismo para superar a crise durante a pandemia

GABRIELE LEÃO
Funcionando desde março de 2020 em Uberlândia, ‘A Fábrica dos Waffles’ se tornou plano A da família da venezuelana Ivonne Gil Colina para superar a crise I Foto: Arquivo Pessoal
Minas Gerais já recebeu cerca de 58 mil imigrantes de diferentes nacionalidades, que estão registrados no país, residem em 499 municípios mineiros e buscam no empreendedorismo uma alternativa de inserção no mercado de trabalho, segundo um levantamento realizado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). Para incentivar os refugiados e imigrantes a empreender e superar a crise durante a pandemia do novo coronavírus, o Sebrae Minas lançou, nesta quinta-feira (24), o 'Migrantes e Refugiados em Minas'. O programa disponibiliza um time de especialistas para prestar suporte em diversos assuntos relacionados a gestão de pequenos negócios.
 
A venezuelana e engenheira de alimentos Ivonne Gil Colina chegou ao Brasil há três anos, quando veio ao país em uma oportunidade de trabalho. "A Venezuela já passava por um momento de crise política e a situação já não estava fácil. Eu e meu marido trabalhávamos na mesma empresa, e eu já buscava oportunidades em outros países. Quando houve a chance de vir ao Brasil, em Belo Horizonte, viemos os dois. A vaga era temporária, e nesse meio tempo fiquei grávida e já pensava no que poderia fazer. Logo, meu bebê nasceu, e já em Uberlândia, com o pouco dinheiro que tinha, procurei orientação no Sebrae sobre como abrir meu próprio negócio, mas meu visto não permitia. Quando fui orientada pela equipe, descobri que por ter meu filho nascido no Brasil tinha o direito ao visto permanente", comentou. 
Depois de dar entrada em toda a documentação, Ivonne conseguiu abrir o empreendimento, um restaurante. "O processo em si durou cinco dias, assim que demos entrada na papelada. Com o pouco dinheiro que restou, eu e meu marido abrimos nosso negócio no meio de uma pandemia. Alugamos um local e investimos nosso último real. A inauguração estava prevista para o dia 23 de março, e a cidade fechou no dia 22, mas mesmo com as dificuldades que todo comerciante tem enfrentado, nós conseguimos resistir e já planejamos crescer nosso estabelecimento, e recentemente abrimos mais um restaurante", celebrou. 
 
Para facilitar o acesso desse público a informações e materiais de orientação e capacitação empresarial, o 'Migrantes e Refugiados em Minas' oferece conteúdo do Sebrae e de instituições parceiras para apoiar a jornada empreendedora dos migrantes e refugiados que vêm ou retornam para Minas Gerais em busca de uma oportunidade para melhorar as condições de vida.
 
"Recebemos muitos imigrantes, e uma das maiores dificuldades atualmente é o idioma. A proposta então foi criar uma plataforma onde eles pudessem ter mais facilidade aos serviços oferecidos, de forma gratuita, pelo Sebrae. No site temos a opção de diversas línguas, para facilitar o acesso à informações. Além disso, pelo próprio site, eles podem fazer a solicitação dos atendimentos, de forma online ou presencial", comentou a assistente de atendimento do Sebrae, Graziela Barroso Pereira.
 
OPORTUNIDADES
O haitiano Onel Bijou também foi mais um dos imigrantes assistidos pelo Sebrae. No Brasil há cinco anos, o primeiro lugar escolhido para ter novas oportunidades foi Santa Catarina, mas foi após conhecer um uberlandense que o empreendedor chegou à Uberlândia. "Fiz um trabalho na casa desse amigo, como pedreiro, e ele me aconselhou a vir para Minas Gerais, pois aqui poderia ter acesso a mais oportunidades de trabalho. E após alguns episódios de preconceito racial, eu e minha esposa decidimos mudar de cidade. Chegando aqui, trabalhei em quatro empresas diferentes, mas já pensava em trabalhar por conta própria, já que era assim que vivia no meu país. No Sebrae, tive acesso às informações necessárias e assim consegui abrir minha empresa de acabamentos", revelou. 
 
"O Haiti vive uma situação muito instável, e não cogito a ideia de voltar, apenas para visitas aos meus amigos e familiares. Uberlândia é a melhor cidade do Brasil, aqui tive muitas oportunidades e hoje já tenho meu escritório. E em um futuro próximo, meu desejo é expandir meu negócio para o ramo de construção", encerrou.

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