16/05/2021 às 15h00min - Atualizada em 16/05/2021 às 15h00min

Uberlandense batizado de Mac Donald revela: “já pediram pra dar uma mordida em mim”

Pessoas com nomes diferentes contam situações inusitadas; Cartório de Uberlândia traz levantamento com os mais registrados de 2020

NILSON BRAZ
Apesar da similaridade do nome com a franquia de fast food, o nome de Mac Donald foi copiado da ficha técnica do filme Mad Max, de 1979 | Foto: Arquivo pessoal
Quem tem um nome um pouco diferente, tem sempre uma história para contar. Agora imagine você ter o nome de uma das maiores franquias de fast food do mundo inteiro? Essa é a história do uberlandense Mac Donald Costa de Oliveira. Nascido na década de 80, ele conta que apesar da semelhança na grafia e na pronúncia com a rede McDonald’s, não foi essa a inspiração do pai no momento de escolher esse nome tão diferente para o filho.

“Não tinha a lanchonete na cidade quando eu nasci em 1981, meu pai sempre gostou muito de filmes do Mad Max, já havia nascido quatro primos que tinham nomes comuns com o sobrenome do meu avô. Na época, como afronta, ele decidiu colocar um nome diferente e enquanto subia os créditos do filme na TV ele anotou um dos nomes da ficha técnica, daí foi só correr no cartório e registrar. Naquela época não tinha restrições”, comentou.

Hoje, se aproximando dos 40 anos de idade e trabalhando como gerente de planejamento financeiro, Mac Donald conta que coleciona algumas experiências durante toda a vida pelo fato de o nome dele ser inusitado, mas que isso nunca foi motivo de chacota ou sofrimento. Que ele sempre levou tudo na brincadeira, mas tinha algumas estratégias para evitar algumas piadas ou muitas explicações quanto ao nome dele.

“Gosto muito do meu nome, aprendi a usar ele pro meu bem, como um quebra gelo em primeiras conversas. Lembro que na minha infância, quando ainda não tinha a lanchonete em Uberlândia, os colegas de sala me associavam com o Pato Donald, ou com um dos sobrinhos do Tio Patinhas. Até hoje ouço muitas piadas com meu nome, tanto que por um tempo eu usava um nome diferente, gostava muito de usar Roberto Carlos e Fábio Júnior, principalmente se fosse conversar com a pessoa apenas uma vez. O problema era quando via mais de uma vez, ela me chamava por Fábio Júnior e eu nem me tocava que era comigo”, contou Mac Donald rindo da situação.

Outra experiência que ele tem na memória foi durante uma festa em que conheceu uma garota que não reagiu muito bem ao nome dele. Com muito humor, Mac Donald disse que a ideia era usar a estratégia de usar outro nome, mas acabou se enrolando e disse o nome verdadeiro. “Uma vez, durante uma paquera, em uma boate, corria tudo bem, a gata estava na minha, usei a desculpa do barulho pra conseguir sair com ela e já do lado de fora, a caminho do carro, a conversa estava ótima e ela perguntou meu nome, nem deu tempo de usar o Fábio Júnior, saiu Mac Donald mesmo, ela fechou o sorriso, disse que o nome dela era Girafas [nome de outra rede de lanchonetes], deu meia volta e me deixou sozinho na rua. Ela achou que eu estava zoando, ou pior, que não queria dizer meu nome” contou.

Mac Donald teve apelidos como X-tudo, pitdog, sobrinho do Tio Patinhas e compartilha as histórias que o nome proporcionou com muito bom humor. Uma delas é que chegou a ganhar um desconto de 25% em quando foi, usando o crachá da empresa, comer um McDonald’s. Mas a história mais inusitada ele passou enquanto trabalhava na recepção de um hotel. 

“A filha de um dos hóspedes, de uns 6 anos de idade, viu meu nome no crachá de identificação, não esperou nem meu bom dia e pediu pra dar uma mordida em mim. Eu fiquei muito sem graça, o pai dela mais ainda, ficamos mudos. A vida é feita de risos e sorrisos, me sinto agraciado por até meu nome levar um pouco de alegria as pessoas”, contou Mac Donald.

BUSCA PELA ORIGEM

Quem também tem o nome um pouco inusitado é a Rozenca Maiolino, de 26 anos. Ela trabalha como monitora de qualidade e contou ao Diário de Uberlândia que desde a adolescência busca na internet qual é a fonte de inspiração dos pais na escolha do nome dela.

“O meu pai e minha mãe, quando eram mais jovens, ainda quando se conheceram, assistiram a um filme russo. Nesse filme tinha uma atriz que se chamava Rozenca. Mas provavelmente eles pegaram o nome e abrasileiraram. Porque eu nunca achei esse filme, tentei buscar diversas vezes e nunca encontrei. Então pode ser que o nome fosse escrito de uma forma totalmente diferente da forma que eles colocaram no meu. Desde os meus 14, 15 anos eu tento encontrar, mas acabei desistindo e acostumei que ele era só meu mesmo”, comentou a jovem.

Rozenca diz que mesmo sem muitas esperanças de saber qual filme é esse ou quem é a Rozenca original, a curiosidade existe. “Eu e meu irmão sempre tentamos encontrar. Minha mãe também já tentou lembrar, nunca deu certo. A gente vai morrer curioso para saber, porque a gente já tentou de tudo quanto é forma, mas nunca encontrou”, finalizou.

MAIS REGISTRADOS

Mas, há quem prefira os nomes tradicionais. Outro impedimento é que, nos últimos anos, os cartórios passaram a ser mais rígidos quanto à lei que permite que eles se recusem a registrar nomes que possam causar algum tipo de constrangimento para a criança.

O reflexo da junção desses três fatores é perceptível nos registros de nascimentos de Uberlândia. No topo da lista dos nomes mais escolhidos no ano de 2020 estão João e Maria. Ao todo foram 471 registros de Marias e 262 Joãos. Os dados são do Cartório de Registro Civil de Uberlândia.

MARIAS

E não é de hoje a paixão do brasileiro pelo nome Maria. Exemplo disso é a publicitária Marianna Paulino de Oliveira. Mãe de duas Marias e de uma terceira Maria de quatro patas, ela conta que o nome sempre foi muito marcante na vida dela, desde a infância. Filha de Maria e, depois, nora de outra, não tinha como não ser apaixonada pelo nome.

“Por me chamar Marianna, sempre gostei do nome Ana Maria. Então desde criança eu sempre disse que queria ter uma filha com esse nome. Quando eu e o Vitor, meu esposo, começamos a namorar, ele falava que tinha muita vontade de ter uma filha com esse nome, mas seria Maria Clara. Como eu sou negra e ele branco, não pode ser Maria Clara. Ele concordou que ela não seria clara. Foi quando eu falei: ‘Vamos colocar Ana Maria, o que você acha de Morena? Ana Maria Morena?’. Ele gostou, passou dois meses, engravidei e quando nasceu ele foi registrar e na volta me disse que colocou só Maria Morena, perguntei pelo Ana, ele disse que ficaria muito poético. Ficou Maria Morena”, contou Marianna com muito bom humor.

E a paixão pelo nome não parou por aí. Com a chegada da segunda filha a escolha não foi muito diferente. Assistindo TV, eles se inspiraram na atriz Maria Flor e resolveram que esse seria o nome da próxima filha. “Como todo mundo gosta do nome da Maria Morena, a gente queria um nome para não deixar a irmã como coadjuvante. Vimos a Maria Flor na TV, cabelos cacheados, muito talentosa, e gostamos muito do nome”, disse a publicitária.

E para completar a família, veio a Maria de quatro patas. A cachorrinha. “Ela veio em homenagem a minha sogra, que faleceu, que se chamava Maria Aparecida. Sempre quisemos fazer essa homenagem, mas como não é todo mundo que tem esse carinho pelos animais, poderíamos ser mal interpretados. Aí a gente juntou o nome do Vitor com a Cida, ficou Vida Maria. A minha sogra sempre gostou muito de cachorro, tinha muitos, adotados, cuidava dos que achava na rua. Gostava tanto que tinha até pelúcias de cachorros”, contou Marianna.

Confira a lista do top 10 de nomes mais registrado na cidade:
 

 

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