06/05/2021 às 14h45min - Atualizada em 06/05/2021 às 14h45min

Combustíveis têm aumento de 23% em Uberlândia

Entressafra da cana de açúcar, preço internacional do petróleo e aumento do dólar contribuíram para os reajustes

NILSON BRAZ
Etanol sofreu maior variação, com aumento de quase 34% | Foto: Agência Brasil
A cada abastecida, um novo valor. Essa tem sido a realidade nos últimos meses de quem depende de um automóvel na rotina diária. Reajustes constantes vêm sendo anunciados a todo momento. Um levantamento feito pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-sociais do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes-UFU) mostra que desde outubro de 2020, o valor dos combustíveis aumentou quase 23%. Quando especificado o valor do etanol, a variação de aumento foi de quase 34%. A gasolina aumentou 24,5% e o diesel 21%.

O levantamento do Cepes leva em consideração o preço médio dos combustíveis encontrados em toda a cidade. O álcool, que custava, em média R$2,94 em outubro de 2020, passou para R$4,03. A gasolina teve um aumento menor, mas também pesou no bolso dos consumidores. No mesmo intervalo de tempo, o preço da gasolina passou de R$4,60 para R$5,81. E, também no mesmo período, o diesel foi de R$3,62 Para R$4,43.

De acordo com o economista e pesquisador do Cepes, Carlos Henrique Cássia Fontes, esse aumento nos combustíveis são consequência, principalmente, de três fatores. Dois deles externos e um sazonal. “Esse aumento de combustíveis no Brasil leva em consideração o preço internacional do barril de petróleo, já que o Brasil ainda depende da compra de petróleo no mercado exterior e que teve um aumento de 49% de setembro de 2020 até hoje. Outro fator é o preço do dólar. O real tem se desvalorizado frente ao dólar desde o início do ano passado. E por último é a questão da entressafra da cana de açúcar, que acontece neste início do ano, que afeta, diretamente, o preço do etanol”.

Quem sentiu o impacto desses aumentos frequentes foram os profissionais do transporte de passageiros. De acordo com o presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Táxi de Uberlândia, Roque de Moraes, muitos taxistas estão deixando de trabalhar por inviabilidade financeira. 

“Nós, que já estamos há cinco anos sem reajuste de tarifa, levamos um impacto violento no dia a dia. Já em 2016 tivemos um impacto muito grande na nossa demanda, por causa da chegada dos carros de aplicativos, e, agora, neste último ano, a coisa tem ficado muito pior com a chegada da pandemia, que limitou a circulação de pessoas, e agora esses aumentos nos preços dos combustíveis. Nós tivemos de 23% a 40% dos taxistas que trocaram de profissão, pararam seus táxis, para tentar sobreviver”.

Ele conta ainda que todos estes impactos refletiram no lucro, que ficou cada vez menor. Com isso os investimentos que faziam, como a manutenção e troca dos veículos, acabou ficando de lado. “Esses reajustes ainda impactam na frota. Os carros estão ficando mais velhos, porque a gente não tem mais condições de trocar com a frequência que fazíamos antes. Mesmo a lei permitindo ter um carro de até sete anos, a gente buscava trocar de dois em dois anos. Agora não tem mais jeito. Com os carros sucateados, o consumo de combustível fica mais alto também. Então fica cada vez mais difícil de trabalhar”, finalizou Roque.


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