09/03/2021 às 07h45min - Atualizada em 09/03/2021 às 07h45min

Infectologista fala sobre riscos das variantes do coronavírus que circulam em Uberlândia

Análises dizem que mutações podem ser mais contagiosas e letais; profissional também fala sobre cuidados essenciais

BRUNA MERLIN
Variante de Manaus (P.1) foi encontrada em 25 amostras I Foto: Rúbia Cely/Fiocruz
Na última semana, a Prefeitura de Uberlândia confirmou que duas variantes do coronavírus estão circulando na cidade. Desde então, muitas dúvidas rodearam a população e o Diário de Uberlândia conversou com uma infectologista para esclarecer sobre a atuação dessas novas mutações do vírus.
 
A confirmação foi divulgada na última sexta-feira (5) através de uma coletiva de imprensa. O Município revelou que 38 amostras foram analisadas na última semana de fevereiro pelo Laboratório de Virologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICBIM) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pelo Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP). Dessas, 25 constataram a variante de Manaus (P.1) e uma amostra mostrou a variante do Reino Unido (B.1.1.1.7).
 
Segundo a infectologista Marcela Menezes, o primeiro ponto para se entender é que as variantes não se tratam de um novo vírus. As variantes surgem são mutações do vírus que muda pontos específicos do genoma.
 
“Essas mutações mudam a forma como o vírus irá se comportar no corpo do ser humano. Não é um novo vírus e sim variantes do mesmo”, explicou.
 
Muitos estudos ainda estão sendo feitos para entender como as novas variantes estão se comportando e algumas situações estão sendo observadas pelos cientistas como, por exemplo, o aumento repentino do número de casos e mortes na cidade. “Devido à esse cenário que estamos vivendo, tudo indica que essas variantes são mais contagiosas, ou seja, se espalham com mais facilidade entre os cidadãos”, ressaltou.
 
Em relação ao índice de fatalidade, a infectologista informou que ainda não há comprovação de que as mutações, tanto de Manaus quanto do Reino Unido, matam mais pessoas. Entretanto, existem análises de que, desde que as variantes se instalaram no Brasil, os pacientes estão com sintomas mais graves e o avanço para quadros críticos está sendo mais rápido.
 
“O coronavírus é um vírus novo, sendo assim, é necessário muito estudo para entender o comportamento dele. Mas, a situação caótica que atinge diversas regiões do país acende um alerta de preocupação com as variantes”, complementou.
 
CUIDADOS
Muitas dúvidas sobre a prevenção também estão rodeando a população nos últimos dias. Conforme dito por Marcela Menezes, o essencial é que as pessoas continuem com os hábitos de higienização e isolamento social para diminuir as chances de contágio.
 
“Essas práticas que estamos fazendo desde o início devem prevalecer. Higienização das mãos, dos alimentos e produtos, além do distanciamento social”, frisou.
 
A utilização das máscaras de proteção individual também vem gerando questionamento entre os cidadãos. Com a chegada das variantes, dúvidas sobre a eficácia dos equipamentos e recomendações para que seja utilizado duas máscaras foram surgindo entre a população.
 
De acordo com a infectologista, já existem estudos confiáveis que dizem que a utilização de duas máscaras diminuiu as chances de contaminação do coronavírus e suas variantes. “As máscaras cirúrgicas ou as máscaras N95 são muito indicadas. As pessoas podem usar as duas juntas. Contudo, as pessoas podem continuar optando pelas máscaras de tecido. Para uma maior segurança e vedação, os interessados podem utilizar uma máscara de TNT por baixo da de tecido”, disse.
 
Entretanto, Marcela explicou que não adianta reforçar as máscaras se não houver compromisso com a higienização e troca das mesmas durante o decorrer do dia. “As máscaras devem ser trocadas durante o dia. Além disso, elas devem ser lavadas para que possam ser utilizadas novamente. Isso é muito importante”, finalizou.
 
VACINA
Outro ponto que está sendo levantado nos debates populares é a eficácia das vacinas, que estão sendo aplicadas atualmente em todo o país, contra as mutações do coronavírus.
 
Para a infectologista, neste momento, existem muito mais perguntas do que respostas. Conforme já dito por ela, o vírus é recente e muitos estudos ainda estão sendo feitos para analisá-lo.
 
“Pesquisas indicam que a vacina é sim eficaz contra as variantes. A Coronavac, que foi produzida através do vírus morto, tem grandes chances também de agir contra as mutações. Mas, é importante ressaltar que tudo ainda está sendo estudado e que muitas questões ainda são incógnitas para a ciência que está tendo um avanço muito grande nos últimos meses”, explicou.
 
Por fim, Marcela ressaltou que as incógnitas não devem ser levadas em consideração na hora de receber a vacina. É importante que todos se vacinem porque somente o imunizante irá ajudar na diminuição do contágio.
 
“É muito importante que as pessoas se vacinem. Esse recurso é a nossa única salvação para conseguir sair dessa situação o mais rápido possível”, concluiu ela.




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