27/01/2021 às 18h03min - Atualizada em 27/01/2021 às 18h03min

Moradores da zona sul de Uberlândia voltam a denunciar festas clandestinas em meio à pandemia

Pessoas que residem na região cobram maior fiscalização; igrejas também são alvos de denúncias nas redes sociais por aglomerações

BRUNA MERLIN

Moradores da região sul de Uberlândia voltaram a ser incomodados com festas clandestinas em meio à pandemia da covid-19. Aglomerações e festividades também são registradas em igrejas da cidade e vídeos têm sido divulgados em páginas das redes sociais como forma de denúncias.

Uma moradora de um condomínio localizado no bairro Morada da Colina, que preferiu não se identificar, relatou ao Diário de Uberlândia que festas clandestinas estão acontecendo de forma recorrente na avenida Landscape. Segundo ela, os eventos contam com diversas pessoas, som alto e até rachas de carros e motos.

“Há umas duas semanas que essas festas estão acontecendo de quinta-feira a domingo. Elas começam tarde da noite e acabam somente na manhã do outro dia. É uma bagunça”, relatou.

Ainda de acordo com a moradora, o som da música do evento é extremamente alto e afeta toda a vizinhança. “Parece que a música está na nossa casa. As janelas tremem com a batida. É horrível e estamos passando por semanas estressantes devido a isso”, destacou.

Outro morador da região, que também não quis se identificar, informou que os eventos na avenida chegam a ter cerca de 200 pessoas, ocupando quase dois quilômetros da via. Para ele, a situação é totalmente descontrolada, já que os casos de contaminados da covid-19 seguem aumentando todos os dias.

“É muita irresponsabilidade. Estamos no meio de uma pandemia e o número de pessoas infectadas só aumenta. Essas festas pioram tudo isso”, complementou.

A sujeira deixada pelos participantes das festas também faz parte da lista de indignações dos moradores. Conforme dito por eles, a avenida fica cheia de garrafas, cigarros e outros lixos.


 


 
FISCALIZAÇÃO
As festas clandestinas realizadas na zona Sul de Uberlândia já foram alvo de operação e fiscalização da Polícia Militar (PM) no fim do ano passado. O Diário abordou em novembro a situação vivenciada pelos moradores da região. Na época, as autoridades realizaram uma força-tarefa com patrulhamentos diários para dispersar os eventos.

Segundo os moradores, no ano passado, as festividades aconteciam todos os dias da semana e a situação era ainda pior. Por um tempo, a ação da PM funcionou. Contudo, após a finalização da operação, os eventos voltaram a acontecer nas avenidas Landscape e Alameda dos Copaíbas.

“Pensávamos que isso tinha acabado, mas o ano virou e desde a segunda quinzena de janeiro as festas voltaram. É terrível e precisamos de apoio para acabar com essas aglomerações”, ressaltou um dos moradores.

Os residentes da região chegaram a realizar novas denúncias para que uma nova fiscalização fosse feita no local. No entanto, segundo os moradores, as respostas da PM e do Procon não foram esperançosas.

“Em algumas vezes, a PM disse que a situação não é responsabilidade deles e, sim, do Procon. Em outras vezes, informaram que não possuem um efetivo para controlar a situação, já que festas clandestinas estão acontecendo na cidade inteira. Já o Procon somente disse que a fiscalização é de responsabilidade da PM. Ficamos sem saber o que fazer”, disse um dos moradores.

O Diário de Uberlândia procurou as assessorias de comunicação da Polícia Militar e da Prefeitura de Uberlândia, que responde pelo Procon. O Município informou que a fiscalização de eventos em ruas é de responsabilidade da PM.

Em nota, a Polícia Militar informou que tem realizado as medidas preventivas e repressivas para coibir as aglomerações nestes locais, principalmente, nos finais de semana, realizando batidas policiais e blitzen, com apreensões e aplicação de multas a veículos e condutores irregulares e prisões de infratores. Disse também que em parceria com a Prefeitura Municipal tem adotado medidas sanitárias, apreensão de aparelhagem de som, apreensão de veículos e prisão de autores na condição flagrante no local.
 
IGREJAS
Nos últimos dias, a reportagem do Diário também recebeu diversas denúncias de eventos que estão sendo realizados em igrejas da cidade. A página do Instagram Vacilos Covid de Uberlândia, que divulga aglomerações indevidas pela cidade, também publicou vários vídeos de festividades religiosas com aglomeração.

Nas imagens publicadas pela página é possível ver shows acontecendo em igrejas, além de várias pessoas dançando sem o distanciamento ideal.

O Diário de Uberlândia também questionou a Prefeitura de Uberlândia sobre como funcionam as fiscalizações em relação aos eventos em igrejas e qual o papel do Procon nessas situações, mas as dúvidas não foram respondidas pelo Município.



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