22/12/2020 às 10h14min - Atualizada em 22/12/2020 às 10h14min

Abrigo recebe cães e gatos com poucas chances de adoção em Uberlândia

Espaço tem capacidade para 60 animais com enfermidades ou deficiência física; campanha visa combater maus-tratos e abandono

BRUNA MERLIN
Outros cinco abrigos públicos, além de uma clínica, estão sendo construídos na zona rural | Foto: Divulgação
Uberlândia recebeu mais um abrigo para animais em situação de abandono que fica localizado na zona rural da cidade. O espaço faz parte do projeto da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, que foi lançado em janeiro deste ano, e tem capacidade para receber 60 cães e gatos que estão nas ruas.

Segundo o promotor de Justiça Breno Lintz, estima-se que cerca de 30 mil animais estão abandonados no município. Para minimizar o problema, o órgão conseguiu seis áreas que estão sendo transformadas em abrigos públicos, além de uma clínica para procedimentos cirúrgicos.

Os espaços foram viabilizados através de acordos entre o Ministério Público Estadual (MPE) e alguns loteadores investigados na operação Desbravamento da Terra Prometida, que teve como alvo uma organização criminosa que comercializava loteamentos clandestinos na zona rural de Uberlândia. 

O primeiro abrigo foi inaugurado ainda no primeiro semestre de 2020. Ainda conforme dito por Lintz, a área será destinada a cães e gatos que têm poucas chances de serem adotados porque apresentam alguma enfermidade ou deficiência física.

“São animais que são ignorados pela população. Eles precisam de um abrigo para receber os cuidados necessários”, destacou o promotor. 

Os outros cinco abrigos ainda estão em fase de construção. A clínica destinada a procedimentos cirúrgicos já está caminhando para a inauguração e, de acordo com Breno Lintz, o espaço está 80% pronto. A expectativa é que dois dos cinco abrigos, além da clínica, sejam disponibilizados no primeiro semestre de 2021.

CASTRAÇÃO
Outras medidas que visam controlar o número de animais nas ruas também são realizadas em Uberlândia. Entre elas estão os programas de castração de cães e gatos abandonados. Atualmente, a cidade conta com um projeto criado pela ONG SOS Pet e outro disponibilizado pela Prefeitura de Uberlândia em parceria com o Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia. 

Segundo Lintz, cerca de mil animais foram castrados neste ano através desses dois projetos. Contudo, o promotor de Justiça acredita que eles ainda funcionam de forma acanhada e não têm capacidade para atender a quantidade de animais que é necessário.

“É insuficiente para a demanda de cães e gatos que vivem na rua hoje. A clínica e os abrigos que estamos construindo têm como objetivo auxiliar nesse serviço e aumentar o número de castrações e animais resgatados”, explicou. 

DEZEMBRO VERDE
O mês de dezembro é destinado à campanha de conscientização nacional para combater o abandono e maus-tratos contra os animais. Para o promotor de Justiça, o período é muito importante para que mais pessoas apoiem a iniciativa e entendam a necessidade de que os animais sejam protegidos. 

Em setembro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei que aumenta a punição de autores que cometem maus-tratos a animais. A legislação prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda. Antes, a pena era de três meses a um ano de prisão, além de multa. 

Lintz acredita que o aumento da pena é sim um avanço para a proteção dos animais, porém, ainda não é suficiente para que a maldade humana seja reprimida por completo. De acordo com ele, a lei é destinada somente a cães e gatos e os animais silvestres ou que são criados na zona rural foram esquecidos. 

“Existe muita maldade contra os animais da zona rural que não é denunciada. Ninguém fica sabendo, mas muitos maus-tratos acontecem em fazenda e chácaras. O mais comum são registros de ocorrências na zona urbana contra animais domésticos. Sendo assim, a lei ainda é falha”, destacou. 

Breno aponta que o ideal para diminuir o abandono e maus-tratos era que a população mudasse o comportamento e a educação em relação aos animais. “A esperança é baixa porque a cada dia que passa nós vemos que a crueldade cresce mais ainda. Eu não acredito que um dia irá mudar”, lamentou.

Por fim, o promotor disse que a única forma de combater ou pelo menos diminuir a crueldade contra os animais é ampliando as leis e as tornando mais severas. “A legislação ainda é branda e ela precisa ir mais além para punir aqueles que cometem atrocidades contra todos os animais”, concluiu. 


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